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NoiteSentidos01

O regresso a casa

Há viagens com significado, mas os regressos podem ter sabores especiais. Este teve, depois do convite de Vasco Pernes para mais uma noite bastante sentida.

Na companhia da dinâmica mulher das letras, Patrícia Carreiro, que também apresentou o seu Fio Perdido, recapitulou-se a experiência nas lojas FNAC, as apresentações de Joaquim Fernandes e Miguel Real e a organização exímia de Terry Costa da MiratecArts na ilha do Pico, nas mais recentes aventuras literárias. Mas também falámos de futuro, de utopias, de Vamos Sentir com o Necas e de outros projetos vindouros.

Neste programa, Vasco Pernes também convida os músicos André Jorge e Luís H. Bettencourt, a Escola Profissional de Vila Franca do Campo e a Tertúlia do Petisco. Para ver o episódio completo, clique aqui.

Manuel Tomás

A magia do Pico

Não era um sábado muito sedutor. Nem sequer convidava ao passeio, muito menos para um local mais “cinzento” do que a própria ilha. Mas as cores pardacentas estavam somente ao que os olhos distinguiam, porque os picoenses coloriram a Gruta das Torres com sorrisos, música e hospitalidade.

Terry Costa e os Atlantis Brass Ensemble | Fotografia de Jaime Debrum
Terry Costa e os Atlantis Brass Ensemble | Fotografia de Jaime Debrum

A ilha do Pico surpreende mais uma vez, numa apresentação que abarrotou de significado, não só porque é onde começa a história de Bom Tempo no Canal e por onde se divaga nos Maroiços do Capítulo 41, mas também pela inspiração que o “canal” oferece e pela arte de bem receber destas nossas gentes.

Seguiu-se a descida. “Fiquem sempre do vosso lado esquerdo”, alertava Maria João, a amável e experiente guia. Ligaram-se as lanternas e desceram-se os degraus escorregadios. A caverna inundou-se de luz e de mistério e, além dos pingos que caíam aqui e ali, o som de um saxofone ecoou pela vastidão do espaço.

Fotografia de Jaime Debrum
Sofia Sousa e Daniel Pena | Fotografia de Jaime Debrum

O grupo desceu até um novo patamar e embasbacou-se com a visão: a bailarina Sofia Sousa, trajando um arrojado vestido rubro, com os pés desnudos sobre a pedra basáltica, fazia rodopiar suavemente o corpo ao som do sax de Daniel Pena. Um momento arrepiante.

Como se não bastasse, depois de conquistados mais alguns metros em profundidade, numa câmara imensa e imensamente escura, iluminada apenas pelos ténues feixes de luz das lanternas, esperavam-nos outros sons. Catarina Paixão deslizava magistralmente o arco pelas cordas do violino e oferecia mais um momento de pura magia.

Aplausos | Fotografia de Jaime Debrum
Aplausos | Fotografia de Jaime Debrum

Terry Costa, o irrepreensível organizador do evento e promotor da Mirateca Arts, juntou-se ao palco improvisado na rocha vulcânica e declamou excertos da Redescoberta da Atlântida, enquanto Sofia Sousa voltava a mostrar passos de bailado inebriantes. Os aplausos pareceram ecoar teimosamente nas paredes gélidas, num misto de emoções que incluía a admiração. Depois da subida, falou-se de livros, de Açores, de histórias e de aventuras.

Depois, um convívio mais próximo, muito mais pessoal. Um a um, os convidados usaram da palavra e partilharam as suas visões, os seus ideais. Biscoitos, uma bebida licorosa, dedicatórias, risos e abraços. Muitos abraços! Quem me dera ser um gigante, para poder abraçar a ilha montanha. Não há palavras suficientes que possam eternizar o reconhecimento por estes momentos muito bem passados.

Feira do Livro de Lisboa

Feira do Livro de LisboaDepois de colocados à solta, os livros ganham vida própria. Por vezes não é possível ditar até onde podem ir, mas é sabido que “o céu é o limite” — exactamente por não ser sequer um limite.

Nos jardins emblemáticos do Parque Eduardo VII, a 23 de Maio arranca a 83ª Feira do Livro de Lisboa, que até 10 de Junho mostrará uma colecção invejável de obras literárias a preços de ter em conta.

O romance “Bom Tempo no Canal — A Conspiração da Energia” estará por lá, a aguardar pelos ávidos leitores lisboetas e não só. O sabor especial que este tipo de presença pode ter é a inegável sensação de que a palavra está a espalhar-se, e o bom tempo também!

Aqui há selo

Depois de abrir várias portas — e também pórticos intransponíveis —, eis que a literatura rasga agora uma janela e deixa desaguar a frescura do ar livre. Que melhor liberdade se pode abonar a um livro senão deixá-lo partir? Que destino mais espairecido existirá senão a dádiva de um par de asas?

CTT O Meu SeloDepois de abrir mão da obra, do texto, das palavras, o escrevente almeja chegar mais longe, como se fosse ele o dedo esticado retratado numa “Criação de Adão” de Michelangelo, deseja romper fronteiras, desbastar caminho, e a cada passo sente-se mais próximo: do outro lado, do leitor, do crítico, do silencioso, do apreciador, e até mesmo do desgostoso.

A porta que se abre hoje é afinal um portal, um portentoso elo com o mundo civilizado dominado por emails e redes. Escancarou-se graças aos CTT, os pombos-correio deste país de exploradores lusitanos encantadores, que se fizeram encantar pelo canal e pelo bom tempo em faz-de-conta que por lá fazia. E é assim que a capa maravilhosamente orquestrada pelo brother das artes ganha vida própria, ganha asas: é um selo! Sim, um selo que irá percorrer o mundo à moda antiga, sabe-se lá até quando, até onde, como ou ao lado de quem. O que interessa é que ele agora é livre.

Ribeira Grande com bom tempo

O EVENTO

É com enorme regozijo que se apregoa: John Mello regressa à Ribeira Grande! Em conjunto com a Câmara Municipal da CMRG LOGO 2011_12Ribeira Grande e a Universidade Aberta, e inserido no evento cultural PRIMARTE – que liga a Primavera à Arte – o autor Almeida Maia transpõe o livro Bom Tempo no Canal – A Conspiração da Energia para o concelho onde existe a maior expressão da energia geotérmica nos Açores, desta vez na vida real. O evento está marcado para o dia 26 de Março de 2013, data em que se comemora igualmente o DIA DO LIVRO PORTUGUÊS, a ter lugar às 20h00 na Sala Azul do Teatro Ribeiragrandense.

A apresentação ficará a cargo da Dr.ª Patrícia Carreiro, Coordenadora do Projecto EscreVIVER (n)os Açores e membro activo da Associação Ilhas em Movimento. Em representação oficial da Publiçor, poderemos contar com o Sr.º Ernesto Resendes. A mesa incluirá também o Dr.º Luís Almeida, director da Bertrand Ponta Delgada e júri no concurso “Letras em Movimento 2010″.

O CONTEXTO

Green EnergyEsta apresentação assume um significado especial, tanto para o autor – por ser um regresso às origens genealógicas – como para as entidades promotoras, tendo em conta que uma boa parte da acção de Bom Tempo no Canal se desenrola nas encostas da Lagoa do Fogo, concelho de Ribeira Grande. Como é sabido, esta ficção aborda questões relacionadas com a liberalização dos mercados energéticos, e com as Energias Renováveis, com ênfase especial para a geotermia nos Açores. Igualmente de salutar é esta apresentação englobar também o lançamento da 2ª edição por parte da editora Letras Lavadas, ou seja, todos os ingredientes necessários para que seja um momento emocionante estão reunidos.

A PRIMARTE

Desde 2008 que a PRIMARTE é um evento que se realiza no advento da Primavera, organizado em parceria entre a Universidade Aberta NovoCÂMARA MUNICIPAL DA RIBEIRA GRANDE e a UNIVERSIDADE ABERTA. É um acontecimento que tem como objectivo principal celebrar a PRIMAVERA em união com a ARTE. Nesse sentido, congrega lançamentos de livros, concertos musicais, formações, palestras, Feira do Livro e outros momentos de descontracção, como a rubrica “Tomar Café com…”. Todos os anos, entre os dias 21 de Março e 1 de Abril, a Ribeira Grande veste-se de Primavera e celebra-a com as mais variadas demonstrações de Arte.

O LIVRO

O romance Bom Tempo no Canal – A Conspiração da Energia foi vencedor do Prémio Letras em Movimento, organizado pela Associação Ilhas em Movimento em 2010. É uma edição de Junho de 2012 da Publiçor – Letras Lavadas. Surge numa altura em que o planeta necessita de medidas emergentes na gestão das fontes de energia. Anunciado o fim das possibilidades fósseis, como o petróleo – o ouro negro –, quais são os desafios das sociedades modernas? Quais são as alternativas energéticas ao nosso alcance? Como pode a energia geotérmica contribuir para um futuro mais sustentado?

A MÚSICA

Após a breve cerimónia, terá lugar um momento musical com Raquel Dutra, com o seu mais recente trabalho Cantos do Mar e da Terra. O projecto musical nasceu em meados de Janeiro de 2007, fruto de uma proposta endereçada aos seus elementos para, em conjunto, animarem serões a interpretar fado. Reunidos pelo amor à música e partilhando do gosto pela sua terra, entre os três músicos amadores, naturalmente brotou a vontade de tocar, também, temas de origem tradicional açoriana. Adílio Soares, Jorge Dutra e Raquel Dutra, compõem o alinhamento.

Este Natal, que tal oferecer “Bom Tempo no Canal”?

A equipa da Estação de Correios Vasco da Gama, em Ponta Delgada, está a desenvolver uma acção de divulgação, em conjunto com o autor Almeida Maia, para promover a obra Bom Tempo no Canal – A Conspiração da Energia. A iniciativa vem na sequência da estratégia de proximidade com o Cliente, dinamização dos seus espaços, e assim promover o que de melhor acontece em redor.

Estação de Correios Vasco da Gama, Ponta Delgada

Recorde-se que esta obra, editada pelo grupo Publiçor/Letras Lavadas e galardoada com o Prémio Literário Ilhas em Movimento 2010, está disponível para venda em 29 Estações dos CTT espalhadas pelas 9 ilhas dos Açores. O objectivo da acção é permitir ao leitor adquirir um exemplar personalizado com ou sem dedicatória do autor, independentemente de onde se encontre. Quer o cliente procure a aquisição para si próprio ou para oferta, do Corvo a Santa Maria, basta dirigir-se a uma estação dos Correios e reservar quantos  exemplares desejar desta história de ficção. O autor irá personalizar e assinar publicamente cada exemplar no dia 14 de Dezembro a partir das 16h, ficando também disponível para interagir com os leitores na estação Vasco da Gama, em Ponta Delgada, mesmo que já tenham adquirido a obra anteriormente.

Bom Tempo no Canal – A Conspiração da Energia, é uma obra de ficção cujo enredo se passa nas nove ilhas açorianas. A história tem início num hipotético futuro, em que a exploração da energia geotérmica está a dar os primeiros passos nas encostas da ilha do Pico. John Mello lidera o projecto revolucionário que se vê ameaçado ainda antes do seu arranque por uma explosão aparatosa. A partir desse momento, percorre sendas tortuosas e descobre alguns segredos acerca das ilhas enquanto tenta desvendar quem se esconde atrás da máscara.

Este enredo literário tem recebido boa crítica. Alguns dos adjectivos mais comuns usados nos comentários à obra descrevem o estilo como “cinematográfico” e “empolgante”.

Londres

Bom Tempo no Canal em Londres

Setembro de 2012: a “Conspiração da Energia” acercou-se das terras de Sua Majestade, e o canal do Rio Tamisa deixou-se sulcar pelo bom tempo. Romperam-se prenoções, quebraram-se fronteiras, traçaram-se novos objectivos e (re)definiram-se metas – daquelas realistas. Impulsionou-se o gosto pela literatura do Atlântico Norte junto das comunidades lusitanas, naquele que foi o primeiro esforço fora do arquipélago na promoção desta obra de ficção.

Sendo o destino a metrópole britânica com quase catorze milhões de almas – mais do que toda a multidão que o país à beira-mar plantado alberga –, as expectativas foram propositadamente alinhadas com o quase nulo. Numa nação em que a cultura é uma prioridade, em que os livros não estão sequer sujeitos ao guilhotinamento de certas taxas – cujo único valor que acrescentam é mesmo o valor acrescentado –, deslocar debaixo do braço meia dúzia de exemplares de uma obra literária portuguesa e fazê-la chegar a pessoas de boas causas pode até parecer tarefa simples, mas acarreta também dissabores e barreiras. Num país em que um volume custa quase metade do que nos é habitual, e em que se cruzam criaturas a ler Erika L. James nos autocarros e J.K. Rowling no tube, passar-lhes uma publicação localmente galardoada e traduzir-lhes a sinopse em dois minutos, podia perfeitamente ser um desastre com hora marcada. Podia até vir a ser anunciado na Torre do Relógio – a partir de agora, Elizabeth Tower –, e badalado pelo sino de treze toneladas de alcunha Big Ben.

Mas não foi assim. Todas as barreiras foram transpostas. Como sempre, o que interessa não são as instituições, as empresas, as lojas, as bibliotecas ou mesmo as nações. São as pessoas.

Mesmo sendo apenas mais um, num mundo de mais de oitenta mil visitantes que passam diariamente por Londres – fazendo da capital do Reino Unido a mais visitada do planeta, com uma população flutuante de trinta milhões por ano –, tudo se proporcionou. Talvez os exemplares simbolicamente deixados nas bibliotecas, nas livrarias e com certas individualidades não signifiquem mais que isso mesmo, ou talvez até venham a provar o contrário, quem sabe? Mas, a imprensa lusa acompanhou, esteve atenta, fez perguntas, aconselhou, deu destaque, reportou…. Tudo apontou na direcção certa. De um ilhéu para uma ilha maior, passou uma energia diferente, renovada e confiante. Com agrado, as vozes portuguesas fizeram-se ouvir e, com alento, a obra de ficção insular passou a um outro patamar.

Pois bem. Então, a mais bela notícia, e talvez a melhor singularidade, esteja ligada a mais uma barreira que vai agora ruir, entre tantas outras que se têm desintegrado nos últimos tempos – por vezes indetectáveis aos olhos do menos atento. Se os ventos londrinos soprarem na direcção certa, se o bom tempo deixar enxergar algo mais avante, teremos o início de mais um desafio. Um propósito que não teria chegado a ver a luz do dia quando as primeiras palavras do Bom Tempo no Canal estavam a ser passadas para o papel: a sua tradução. Sim, o manuscrito na língua de Camões vai ser traduzido para a de Shakespeare.

E ao mesmo tempo que por aqui se esmiúça toda a arqueologia do segundo livro – que fará a sequela deste primeiro –, ver o bom tempo transformar-se em algo tangível ao globo inteiro, assistir à passagem desta ficção açórica para o inglês nos próximos meses, poderá ser o começo de algo novo, verdadeiramente engrandecedor. Algo que só pode ser reconhecido com um sincero OBRIGADO aos leitores, retribuindo com um verdadeiro abraço de agradecimento pelo carinho que tem chegado ao lado de cá.