Arquivo da categoria: Saudações e Desabafos

Atlântida

Capítulo 41 inspira espetáculo de dança

Qualquer autor anseia pela materialização das suas histórias, dos seus livros, quer seja nos palcos ou nas telas de cinema.  Foi com enorme prazer que soube, há cerca de um ano, que o livro Capítulo 41 – A Redescoberta da Atlântida era suficientemente sugestivo para inspirar um espetáculo de dança.

Cartaz do espetáculo "Atlântida"
Cartaz do espetáculo “Atlântida”

É já no próximo dia 9 de Junho que sobe ao palco do Coliseu Micaelense o espetáculo de dança aeróbica Atlântida, uma produção Corpore liderada por Alexandra Barroso, a quem deixo uma vénia, não só pelo dinamismo que a caracteriza, mas também pelo que tem ofertado ao nosso desporto nos últimos anos.

A representação teatral da mítica sociedade do passado passará por uma alucinante viagem ao Oceano Atlântico, mostrará o estilo de vida do povo atlante, a expansão do território, a luxúria e o castigo de Poseidon, o deus dos mares. Veremos o afundar da ilha-continente e o despontar dos seus píncaros: os Açores. Um evento a não perder.

O barco vai de saída

jantar-nau1Não é uma analogia faustiana, até porque não vamos por este rio acima nem nos limitamos ao cais de Alfama, será antes uma viagem inaugural com uma tripulação reduzida, mas resiliente. Não te levamos connosco, ó cana verde, mas trazemos páginas e páginas que resistirão às maiores tormentas do trono das águas.

E assim se unem as vozes do Cole©tivo NAU, num uníssono reverberante, em estilos únicos, desiguais; juntaram-se à esquina de uma tasca lisboeta, o Sardinha, menos um — eu — que chegarei depois, mas estavam lá os livros. Os nossos. E a paixão por eles também.

É com orgulho e prazer que faço a ponte atlântica, desde aqui, com estes marujos das letras, editados no cont’nente que se diz ser portuga e agora com uma costela açoriana. Somos nós: Ana Saragoça, Carla M. Soares, Cristina Drios, João Rebocho Pais, Paulo M. Morais, Pedro Almeida Maia, Raquel Serejo Martins e Sónia Alcaso.

Depois das iscas e alheiras alfacinhas do primeiro convívio, ainda provarão morcela da nossa, uma queijada da vila ou uma alcatra à maneira. Até breve.

Lançamento NECAS

Novas aventuras

Foi no ambiente académico que surgiram os primeiros contactos acerca do Necas, por parte das professoras Dr.ª Célia Barreto Carvalho e Dr.ª Suzana Nunes Caldeira. Aceitei sem qualquer tipo de hesitação. Mas não me vou desligar da prosa, podem ficar descansados os leitores mais graúdos.

Capa do primeiro volume, ilustração de Ana Correia
Capa do primeiro volume, ilustração de Ana Correia

O convite era irrecusável. Escrever na área da Psicologia já era um desejo meu, experimentar públicos-alvo diferentes também e a minha condição de pai também contribuiu, mas é preciso admitir que não teria legitimidade suficiente para fazê-lo sozinho. Se juntarmos o privilégio que é trabalhar com profissionais de experiência reconhecida, temos a combinação perfeita.

Assim, a 14 de março de 2014, a Biblioteca e Arquivo Regional de Ponta Delgada será o palco para o lançamento do livro “Os Vencedores do Medo”, o primeiro volume da coleção de livros infantis “Vamos Sentir com o Necas”, escrito em co-autoria com Célia Barreto Carvalho e Suzana Nunes Caldeira, com ilustrações de Ana Correia. Além da presença de inúmeras individualidades, a apresentação ficará a cargo da Dr.ª Natália Almeida. O projeto tem a chancela da Letras Lavadas edições, grupo Publiçor, a quem dirijo mais um reconhecimento.

A coleção é um projeto fundamentado na Psicologia que trabalha as emoções nas crianças para favorecer a auto estima, fomentar a sã convivência e facilitar o sucesso escolar. 
Em cada livro, o leitor, seja a criança ou o educador, pai/mãe ou professor, irá encontrar uma história atrativa, em que os protagonistas são um grupo de crianças e o seu amigo especial, o golfinho Necas. Cada história é seguida de uma secção interativa de estratégias que correspondem a um conjunto de ferramentas simplificadas para ajudar a criança a lidar com as suas emoções e, assim, sair-se melhor no dia-a-dia, quer seja na escola, em casa ou com os amigos.

Não é fácil explicar a uma criança a diferença entre os medos falsos e os que são realmente necessários à sobrevivência, ou como distinguir os pensamentos importantes dos descartáveis, mas, com uma linguagem acessível e uma boa dose de criatividade, queremos mostrar que é possível. Para já, estão previstos dez livros e um manual. Os restantes volumes tratarão outras emoções, como a alegria, a tristeza, o nojo e a raiva, entre outras. As crianças das histórias, o António, a Rita, a Luana, a Maria, o Li e a Mariana, sofrem das mesmas dúvidas e têm as mesmas ansiedades das crianças dos nossos dias. Cada história pode ser lida isoladamente, dando aos educadores a possibilidade de agirem com mais rigor, mas os diferentes temas vão complementar-se. O manual será uma ferramenta adicional para os profissionais da área, uma coleção de exercícios e técnicas que podem contribuir para uma intervenção mais eficaz.

Açorianos em destaque nacional

A literatura açoriana está de parabéns. O escritor e ensaísta Miguel Real acaba de destacar, na sua crónica do quinzenário Jornal de Letras de 22 de janeiro a 4 de fevereiro de 2014, nomes da nossa praça. Segundo o crítico literário, “nos Açores, sobressai a continuidade de estilo e de tema nos novos romances de Pedro Almeida Maia, Capítulo 41 – A Redescoberta da Atlântida, e Paula de Sousa Lima, Mas Deus não dá licença que partamos, autores cuja arte de escrita abre novos horizontes ao romance açoriano, especialmente, sobretudo o primeiro autor, na superação do labirinto de tristeza, saudade e melancolia de que a literatura açoriana tem vivido”.

20140122_JLNeste resumo do melhor que se fez no ano transacto, intitulado “2013: evolução na continuidade”, Miguel Real coloca a literatura regional lado a lado com grandes nomes do panorama nacional. Nas revelações, destaca autores como Ana Margarida de Carvalho, Raquel Freire, Bruno Vieira Amaral, Hugo Gonçalves, Paulo M. Morais, Filipe Homem Fonseca, Rodrigo Magalhães e Pedro Eiras, mas também com outros relevos, como Valério Romão, Manuel da Silva Ramos, Nuno Júdice, Rui Zink, Rui Vieira, António Cabrita, Carlos Alberto Machado e Afonso Cruz. Enfatiza igualmente as obras de Joana Bértholo, Valter Hugo Mãe, Gonçalo M. Tavares, Francisco Camacho, Carlos Campaniço (Prémio Cidade de Almada), Nuno Camarneiro (Prémio Leya 2012), Luís Carmelo, Manuel Dias Duarte, Fernando Esteves Pinto e Nuno Figueiredo. No romance histórico, o enfoque vai para Fernando Campos e Sérgio Luís de Carvalho. Também na Madeira, e além de Helena Marques, “surgiu um novo escritor, António Breda Carvalho, com o romance histórico O Fotógrafo da Madeira“.

Em jeito de resumo, Miguel Real afirma que, aos “autores veteranos (chamemos-lhes assim)” Rui Nunes, Mário de Carvalho, António Lobo Antunes, Rentes de Carvalho, Manuel Alegre, Agustina Bessa-Luís e Inês Pedrosa, entre outros, “aplica-se em perfeição o título deste artigo”. Na escrita romanesca, “continuam iguais a si próprios” Mário Zambujal, Miguel Sousa Tavares e José Rodrigues dos Santos, enquanto a surpresa maior vai para a estreia de Teresa Martins Marques no romance A Mulher que Venceu D. Juan, sobre a violência doméstica, o primeiro romance escrito no Facebook.

NoiteSentidos01

O regresso a casa

Há viagens com significado, mas os regressos podem ter sabores especiais. Este teve, depois do convite de Vasco Pernes para mais uma noite bastante sentida.

Na companhia da dinâmica mulher das letras, Patrícia Carreiro, que também apresentou o seu Fio Perdido, recapitulou-se a experiência nas lojas FNAC, as apresentações de Joaquim Fernandes e Miguel Real e a organização exímia de Terry Costa da MiratecArts na ilha do Pico, nas mais recentes aventuras literárias. Mas também falámos de futuro, de utopias, de Vamos Sentir com o Necas e de outros projetos vindouros.

Neste programa, Vasco Pernes também convida os músicos André Jorge e Luís H. Bettencourt, a Escola Profissional de Vila Franca do Campo e a Tertúlia do Petisco. Para ver o episódio completo, clique aqui.

Manuel Tomás

A magia do Pico

Não era um sábado muito sedutor. Nem sequer convidava ao passeio, muito menos para um local mais “cinzento” do que a própria ilha. Mas as cores pardacentas estavam somente ao que os olhos distinguiam, porque os picoenses coloriram a Gruta das Torres com sorrisos, música e hospitalidade.

Terry Costa e os Atlantis Brass Ensemble | Fotografia de Jaime Debrum
Terry Costa e os Atlantis Brass Ensemble | Fotografia de Jaime Debrum

A ilha do Pico surpreende mais uma vez, numa apresentação que abarrotou de significado, não só porque é onde começa a história de Bom Tempo no Canal e por onde se divaga nos Maroiços do Capítulo 41, mas também pela inspiração que o “canal” oferece e pela arte de bem receber destas nossas gentes.

Seguiu-se a descida. “Fiquem sempre do vosso lado esquerdo”, alertava Maria João, a amável e experiente guia. Ligaram-se as lanternas e desceram-se os degraus escorregadios. A caverna inundou-se de luz e de mistério e, além dos pingos que caíam aqui e ali, o som de um saxofone ecoou pela vastidão do espaço.

Fotografia de Jaime Debrum
Sofia Sousa e Daniel Pena | Fotografia de Jaime Debrum

O grupo desceu até um novo patamar e embasbacou-se com a visão: a bailarina Sofia Sousa, trajando um arrojado vestido rubro, com os pés desnudos sobre a pedra basáltica, fazia rodopiar suavemente o corpo ao som do sax de Daniel Pena. Um momento arrepiante.

Como se não bastasse, depois de conquistados mais alguns metros em profundidade, numa câmara imensa e imensamente escura, iluminada apenas pelos ténues feixes de luz das lanternas, esperavam-nos outros sons. Catarina Paixão deslizava magistralmente o arco pelas cordas do violino e oferecia mais um momento de pura magia.

Aplausos | Fotografia de Jaime Debrum
Aplausos | Fotografia de Jaime Debrum

Terry Costa, o irrepreensível organizador do evento e promotor da Mirateca Arts, juntou-se ao palco improvisado na rocha vulcânica e declamou excertos da Redescoberta da Atlântida, enquanto Sofia Sousa voltava a mostrar passos de bailado inebriantes. Os aplausos pareceram ecoar teimosamente nas paredes gélidas, num misto de emoções que incluía a admiração. Depois da subida, falou-se de livros, de Açores, de histórias e de aventuras.

Depois, um convívio mais próximo, muito mais pessoal. Um a um, os convidados usaram da palavra e partilharam as suas visões, os seus ideais. Biscoitos, uma bebida licorosa, dedicatórias, risos e abraços. Muitos abraços! Quem me dera ser um gigante, para poder abraçar a ilha montanha. Não há palavras suficientes que possam eternizar o reconhecimento por estes momentos muito bem passados.

Capítulos com bom tempo

10 de Setembro passou e deixou boas recordações. Amigos, família, entidades  e leitores anónimos juntaram-se na mesma sala e beberam do mesmo entusiasmo que esta aventura tem trazido.

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Uma experiência sensacional, cheia de momentos emotivos e de palavras sentidas. Discursos impactantes e recheados de energia positiva para o futuro.

Desde os anfitriões da acolhedora Biblioteca Púbica e Arquivo Regional de Ponta Delgada até aos ilustres convidados, tudo pareceu estar alinhado para uma noite memorável. E assim foi.

Emoções que prometem repetir-se brevemente. Os eventos e as oportunidades sucedem-se, cada vez com maior significado. Aproximam-se novos desafios, e alguns deles requerem mais dedicação, mais empenho, mais trabalho. Estou grato a todos os que têm acompanhado este curto percurso, e reconhecido a quem se tem colocado ao meu lado. Obrigado.

A capa do capítulo

Perto de uma qualquer cama de maternidade, ouvem-se comentários como “tem o nariz da mãe, mas os olhos são todos do pai”. Antes de nascerem os bebés, é comum fazerem-se estimativas, previsões. No entanto, ver o filho nos braços é sempre diferente do que na ecografia.

CAPA simulacaoNo decorrer dos meses investidos na escrita deste novo capítulo, também imaginei como viria a ser a cara dele, se parecida com alguma coisa ou lugar. Julgo que a sensação é mais facilmente percebida por quem escreve e tem a sorte de publicar: deixa-se verter o sangue da inspiração, dá-se-lhe um nome e espera-se pelo parto. Este Capítulo 41 acabou de nascer. Apesar de só poder sair à rua aos dez dias de Setembro, já se pode apreciar e especular. Graças à capa.

Deixo uma verdadeira vénia à simpatia e disponibilidade dos elementos do Grupo Folclórico de Cantares e Balhados da Relva, que tão gentilmente cederam o traje da mulher de Capote e Capelo, e que mostraram a sabedoria de quem vive e respira a cultura açoriana. Um agradecimento à Catarina Pires por ter suportado a sessão fotográfica dentro das vestes abafadas e por ser sempre tão prestável e amiga. O trabalho dos brothers Tiago e Miguel, um na fotografia e outro na visionária criação, transformaram esta capa numa verdadeira obra-prima, pelo menos aos meus olhos. É o fruto que se colhe quando se semeia e rega uma verdadeira irmandade.

Quanto ao simbolismo, deixo o prazer da descoberta aos leitores.

Temos sinopse

Caras leitoras e leitores, é com enorme satisfação que divulgo a sinopse daquela que está para ser a minha segunda “aventura” na literatura, desejando que venha a ser igualmente emocionante para vós.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAComeça assim mais um “capítulo” do meu ainda curto e modesto percurso pelas letras, que tanto serve para entreter como para partilhar conhecimento, mas fazendo-o sempre com o amor incondicional a estas ilhas “açorenhas”.

Não tenciono criar desacordos, apenas lançar temas. Este é um tema que me interessa e sei que também a muitas outras pessoas. Daqui a uns anos, não vai fazer diferença nenhuma quem, afinal, descobriu os Açores. Não importará quem passou por cá primeiro, quem nos desenhou no mapa, quem olhou e gritou “terra”. Deveras importante será o povo que seremos — e somos: cheio de História e de estórias para contar.

Cresci muito com a escrita deste texto e com as pessoas que se mantêm ao meu lado. Agrada-me perceber que são cada vez mais. Os leitores também podem partilhar desta viagem, basta permitirem que a imaginação vos guie.

Porquê Açores?

Quando questionado pelos motivos que me levam a escrever sobre os Açores, não surge propriamente uma explicação que vá muito além da fervorosa paixão nutrida pela Terra-Mãe. Apesar de considerada uma Região Periférica — e abusivamente rotulada de ultraperiférica —, a visão que tenho destes nove territórios unidos pelo mar é de centralidade. Em vez de nos considerarmos periferia, aplaudo quem se consiga olhar como centralidade daqui por diante.

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© Tiago Maia Fotografia – Todos os Direitos Reservados
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Com duas das 7 Maravilhas Naturais de Portugal — eleitas de entre um total de cinco candidatas —, incluídos na lista dos dez melhores locais para observação de cetáceos a nível mundial, nos melhores cinco destinos vulcânicos, no Top 10 dos destinos Budget Travel, destacados como os melhores locais para férias por publicações como a Visão e a Forbes, no Top 25 dos guias turísticos da Fodor´s Travel Intelligence, no topo das “bagatelas” do The Independent, considerados o melhor destino turístico “verde” de toda a Europa pela Quality Coast Gold desde Maio de 2012, o melhor destino ecológico 2012 e 2013 pela European Coastal and Marine Union, detentores de um engrandecedor 2º lugar da lista das mais belas ilhas do mundo pela National Geographic, e Destino Preferido 2014 da Federação Europeia das Associações de Agências de Viagens e Operadores Turísticos, porque não aproveitar e dar lugar a uma perspectiva mais enriquecedora?

Os Açores estão no umbigo do oceano, na crista da cordilheira Atlântica, no centro do mundo, num ponto triplo da tectónica de placas, a meia-distância das maiores potências mundiais, e faço questão de elevar esse paradigma pela literatura, pelo menos enquanto tiver forças! E quem quiser acompanhar será sempre bem-vindo.