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“Nove Estações” em Lisboa

No primeiro de novembro, dia de prantos aos já idos, a cidade de Lisboa abriu as portas aos Açores. O espaço do Studio Teambox aperaltou-se para a Mostra LabJovem 2014, que incluiu nas prateleiras a tímida edição de bolso do Nove Estações. Este texto, que muito me aprazeu escrever, marca o final de mais um ciclo de amadurecimento, em que a variação estilística desvenda mais um pouco do que sou e não sou, mas também uma viagem à descoberta de outros tesouros para o futuro.

Fotografia da autoria de Tiago Maia.
Fotografia da autoria de Tiago Maia.

A passagem pela capital reacendeu antigos desejos de expansão, de quebrar fronteiras, como se tudo estivesse ao alcance da moeda atirada ao poço. Apesar da mesma língua — a de Camões —, na metrópole tudo se desprendeu, e os abraços souberam a verdadeira lusitanidade. Depois deste episódio, para a posteridade fica o momento marcado do virar da página, do novo capítulo, da partida para o futuro utópico que aí vem. O inverno trará o recolhimento e a colocação no papel desta maturação, tal receita que precisa de fermentar.

À cidade, digo adeus, com sabor a “até já”, porque é cada vez maior o número — e a qualidade — das pessoas e coisas, que por mim acenam, daquele lado do mar.

O segundo Necas

Depois do impacto de “Os Vencedores do Medo”, que já vai na 2ª edição, chega “O Primeiro Dia de Aulas”, o segundo volume da coleção “Vamos Sentir com o Necas”, da autoria de Célia Barreto Carvalho, Suzana Nunes Caldeira e Pedro Almeida Maia, com ilustrações de Ana Correia. O evento será aberto ao público e terá lugar no Terminal Marítimo das Portas do Mar, em Ponta Delgada, na sexta-feira, 17 de outubro de 2014, às 18h30, com apresentação de Carolina Cordeiro. Necas: capa do vol. 2A coleção é um projeto fundamentado na Psicologia que ajuda as crianças a lidar com as emoções, como forma de favorecer a auto-estima, fomentar a sã convivência e facilitar o sucesso escolar. Em cada livro, o leitor encontrará uma história atrativa, em que os protagonistas são um grupo de crianças e o seu amigo especial, o golfinho Necas. Cada história é seguida de uma secção interativa de estratégias que correspondem a um conjunto de ferramentas simplificadas para ajudar a criança a lidar com as suas emoções e, assim, sair-se melhor no dia-a-dia, quer seja na escola, em casa ou com os amigos.

Este regresso dos amigos António, Rita, Luana, Maria, Li e Mariana foca as ansiedades dos primeiros dias numa nova escola, ou o primeiro contacto com o ambiente escolar, assim como todas dúvidas e inquietações implicadas. O golfinho Necas faz a identificação das emoções e ensina aos amigos, numa linguagem simples e direta, a função que estas têm na nossa sobrevivência e a forma de as utilizar na promoção do bem-estar. Além dos dez volumes previstos para a coleção, está também em planificação a edição de um manual direcionado aos profissionais da área, a anunciar oportunamente. O evento, no ambiente das Portas do Mar, decorrerá num formato pouco habitual, mais dirigido às próprias crianças, oferecendo muita animação e diversão.

Célia Barreto Carvalho, Suzana Nunes Caldeira, Ana Correia e Pedro Almeida Maia, na apresentação da 2ª edição de "Os Vencedores do Medo", que decorreu na ilha do Faial, Açores.
Célia Barreto Carvalho, Suzana Nunes Caldeira, Ana Correia e Pedro Almeida Maia, na apresentação da 2ª edição de “Os Vencedores do Medo”, na ilha do Faial, Açores.

Para ficar a conhecer melhor o projeto, pode visitar a página do facebook ou a inclusão na rede literária goodreads. Também já é possível efetuar encomendas pelo endereço publicor@publicor.pt.

Capítulo 41 inspira espetáculo de dança

Qualquer autor anseia pela materialização das suas histórias, dos seus livros, quer seja nos palcos ou nas telas de cinema.  Foi com enorme prazer que soube, há cerca de um ano, que o livro Capítulo 41 – A Redescoberta da Atlântida era suficientemente sugestivo para inspirar um espetáculo de dança.

Cartaz do espetáculo "Atlântida"
Cartaz do espetáculo “Atlântida”

É já no próximo dia 9 de Junho que sobe ao palco do Coliseu Micaelense o espetáculo de dança aeróbica Atlântida, uma produção Corpore liderada por Alexandra Barroso, a quem deixo uma vénia, não só pelo dinamismo que a caracteriza, mas também pelo que tem ofertado ao nosso desporto nos últimos anos.

A representação teatral da mítica sociedade do passado passará por uma alucinante viagem ao Oceano Atlântico, mostrará o estilo de vida do povo atlante, a expansão do território, a luxúria e o castigo de Poseidon, o deus dos mares. Veremos o afundar da ilha-continente e o despontar dos seus píncaros: os Açores. Um evento a não perder.

O barco vai de saída

jantar-nau1Não é uma analogia faustiana, até porque não vamos por este rio acima nem nos limitamos ao cais de Alfama, será antes uma viagem inaugural com uma tripulação reduzida, mas resiliente. Não te levamos connosco, ó cana verde, mas trazemos páginas e páginas que resistirão às maiores tormentas do trono das águas.

E assim se unem as vozes do Cole©tivo NAU, num uníssono reverberante, em estilos únicos, desiguais; juntaram-se à esquina de uma tasca lisboeta, o Sardinha, menos um — eu — que chegarei depois, mas estavam lá os livros. Os nossos. E a paixão por eles também.

É com orgulho e prazer que faço a ponte atlântica, desde aqui, com estes marujos das letras, editados no cont’nente que se diz ser portuga e agora com uma costela açoriana. Somos nós: Ana Saragoça, Carla M. Soares, Cristina Drios, João Rebocho Pais, Paulo M. Morais, Pedro Almeida Maia, Raquel Serejo Martins e Sónia Alcaso.

Depois das iscas e alheiras alfacinhas do primeiro convívio, ainda provarão morcela da nossa, uma queijada da vila ou uma alcatra à maneira. Até breve.

Novas aventuras

Foi no ambiente académico que surgiram os primeiros contactos acerca do Necas, por parte das professoras Dr.ª Célia Barreto Carvalho e Dr.ª Suzana Nunes Caldeira. Aceitei sem qualquer tipo de hesitação. Mas não me vou desligar da prosa, podem ficar descansados os leitores mais graúdos.

Capa do primeiro volume, ilustração de Ana Correia
Capa do primeiro volume, ilustração de Ana Correia

O convite era irrecusável. Escrever na área da Psicologia já era um desejo meu, experimentar públicos-alvo diferentes também e a minha condição de pai também contribuiu, mas é preciso admitir que não teria legitimidade suficiente para fazê-lo sozinho. Se juntarmos o privilégio que é trabalhar com profissionais de experiência reconhecida, temos a combinação perfeita.

Assim, a 14 de março de 2014, a Biblioteca e Arquivo Regional de Ponta Delgada será o palco para o lançamento do livro “Os Vencedores do Medo”, o primeiro volume da coleção de livros infantis “Vamos Sentir com o Necas”, escrito em co-autoria com Célia Barreto Carvalho e Suzana Nunes Caldeira, com ilustrações de Ana Correia. Além da presença de inúmeras individualidades, a apresentação ficará a cargo da Dr.ª Natália Almeida. O projeto tem a chancela da Letras Lavadas edições, grupo Publiçor, a quem dirijo mais um reconhecimento.

A coleção é um projeto fundamentado na Psicologia que trabalha as emoções nas crianças para favorecer a auto estima, fomentar a sã convivência e facilitar o sucesso escolar. 
Em cada livro, o leitor, seja a criança ou o educador, pai/mãe ou professor, irá encontrar uma história atrativa, em que os protagonistas são um grupo de crianças e o seu amigo especial, o golfinho Necas. Cada história é seguida de uma secção interativa de estratégias que correspondem a um conjunto de ferramentas simplificadas para ajudar a criança a lidar com as suas emoções e, assim, sair-se melhor no dia-a-dia, quer seja na escola, em casa ou com os amigos.

Não é fácil explicar a uma criança a diferença entre os medos falsos e os que são realmente necessários à sobrevivência, ou como distinguir os pensamentos importantes dos descartáveis, mas, com uma linguagem acessível e uma boa dose de criatividade, queremos mostrar que é possível. Para já, estão previstos dez livros e um manual. Os restantes volumes tratarão outras emoções, como a alegria, a tristeza, o nojo e a raiva, entre outras. As crianças das histórias, o António, a Rita, a Luana, a Maria, o Li e a Mariana, sofrem das mesmas dúvidas e têm as mesmas ansiedades das crianças dos nossos dias. Cada história pode ser lida isoladamente, dando aos educadores a possibilidade de agirem com mais rigor, mas os diferentes temas vão complementar-se. O manual será uma ferramenta adicional para os profissionais da área, uma coleção de exercícios e técnicas que podem contribuir para uma intervenção mais eficaz.

Açorianos em destaque nacional

A literatura açoriana está de parabéns. O escritor e ensaísta Miguel Real acaba de destacar, na sua crónica do quinzenário Jornal de Letras de 22 de janeiro a 4 de fevereiro de 2014, nomes da nossa praça. Segundo o crítico literário, “nos Açores, sobressai a continuidade de estilo e de tema nos novos romances de Pedro Almeida Maia, Capítulo 41 – A Redescoberta da Atlântida, e Paula de Sousa Lima, Mas Deus não dá licença que partamos, autores cuja arte de escrita abre novos horizontes ao romance açoriano, especialmente, sobretudo o primeiro autor, na superação do labirinto de tristeza, saudade e melancolia de que a literatura açoriana tem vivido”.

20140122_JLNeste resumo do melhor que se fez no ano transacto, intitulado “2013: evolução na continuidade”, Miguel Real coloca a literatura regional lado a lado com grandes nomes do panorama nacional. Nas revelações, destaca autores como Ana Margarida de Carvalho, Raquel Freire, Bruno Vieira Amaral, Hugo Gonçalves, Paulo M. Morais, Filipe Homem Fonseca, Rodrigo Magalhães e Pedro Eiras, mas também com outros relevos, como Valério Romão, Manuel da Silva Ramos, Nuno Júdice, Rui Zink, Rui Vieira, António Cabrita, Carlos Alberto Machado e Afonso Cruz. Enfatiza igualmente as obras de Joana Bértholo, Valter Hugo Mãe, Gonçalo M. Tavares, Francisco Camacho, Carlos Campaniço (Prémio Cidade de Almada), Nuno Camarneiro (Prémio Leya 2012), Luís Carmelo, Manuel Dias Duarte, Fernando Esteves Pinto e Nuno Figueiredo. No romance histórico, o enfoque vai para Fernando Campos e Sérgio Luís de Carvalho. Também na Madeira, e além de Helena Marques, “surgiu um novo escritor, António Breda Carvalho, com o romance histórico O Fotógrafo da Madeira“.

Em jeito de resumo, Miguel Real afirma que, aos “autores veteranos (chamemos-lhes assim)” Rui Nunes, Mário de Carvalho, António Lobo Antunes, Rentes de Carvalho, Manuel Alegre, Agustina Bessa-Luís e Inês Pedrosa, entre outros, “aplica-se em perfeição o título deste artigo”. Na escrita romanesca, “continuam iguais a si próprios” Mário Zambujal, Miguel Sousa Tavares e José Rodrigues dos Santos, enquanto a surpresa maior vai para a estreia de Teresa Martins Marques no romance A Mulher que Venceu D. Juan, sobre a violência doméstica, o primeiro romance escrito no Facebook.

O regresso a casa

Há viagens com significado, mas os regressos podem ter sabores especiais. Este teve, depois do convite de Vasco Pernes para mais uma noite bastante sentida.

Na companhia da dinâmica mulher das letras, Patrícia Carreiro, que também apresentou o seu Fio Perdido, recapitulou-se a experiência nas lojas FNAC, as apresentações de Joaquim Fernandes e Miguel Real e a organização exímia de Terry Costa da MiratecArts na ilha do Pico, nas mais recentes aventuras literárias. Mas também falámos de futuro, de utopias, de Vamos Sentir com o Necas e de outros projetos vindouros.

Neste programa, Vasco Pernes também convida os músicos André Jorge e Luís H. Bettencourt, a Escola Profissional de Vila Franca do Campo e a Tertúlia do Petisco. Para ver o episódio completo, clique aqui.