Arquivo da Categoria: Saudações e Desabafos

Açorianos em destaque nacional

A literatura açoriana está de parabéns. O escritor e ensaísta Miguel Real acaba de destacar, na sua crónica do quinzenário Jornal de Letras de 22 de janeiro a 4 de fevereiro de 2014, nomes da nossa praça. Segundo o crítico literário, “nos Açores, sobressai a continuidade de estilo e de tema nos novos romances de Pedro Almeida Maia, Capítulo 41 – A Redescoberta da Atlântida, e Paula de Sousa Lima, Mas Deus não dá licença que partamos, autores cuja arte de escrita abre novos horizontes ao romance açoriano, especialmente, sobretudo o primeiro autor, na superação do labirinto de tristeza, saudade e melancolia de que a literatura açoriana tem vivido”.

20140122_JLNeste resumo do melhor que se fez no ano transacto, intitulado “2013: evolução na continuidade”, Miguel Real coloca a literatura regional lado a lado com grandes nomes do panorama nacional. Nas revelações, destaca autores como Ana Margarida de Carvalho, Raquel Freire, Bruno Vieira Amaral, Hugo Gonçalves, Paulo M. Morais, Filipe Homem Fonseca, Rodrigo Magalhães e Pedro Eiras, mas também com outros relevos, como Valério Romão, Manuel da Silva Ramos, Nuno Júdice, Rui Zink, Rui Vieira, António Cabrita, Carlos Alberto Machado e Afonso Cruz. Enfatiza igualmente as obras de Joana Bértholo, Valter Hugo Mãe, Gonçalo M. Tavares, Francisco Camacho, Carlos Campaniço (Prémio Cidade de Almada), Nuno Camarneiro (Prémio Leya 2012), Luís Carmelo, Manuel Dias Duarte, Fernando Esteves Pinto e Nuno Figueiredo. No romance histórico, o enfoque vai para Fernando Campos e Sérgio Luís de Carvalho. Também na Madeira, e além de Helena Marques, “surgiu um novo escritor, António Breda Carvalho, com o romance histórico O Fotógrafo da Madeira“.

Em jeito de resumo, Miguel Real afirma que, aos “autores veteranos (chamemos-lhes assim)” Rui Nunes, Mário de Carvalho, António Lobo Antunes, Rentes de Carvalho, Manuel Alegre, Agustina Bessa-Luís e Inês Pedrosa, entre outros, “aplica-se em perfeição o título deste artigo”. Na escrita romanesca, “continuam iguais a si próprios” Mário Zambujal, Miguel Sousa Tavares e José Rodrigues dos Santos, enquanto a surpresa maior vai para a estreia de Teresa Martins Marques no romance A Mulher que Venceu D. Juan, sobre a violência doméstica, o primeiro romance escrito no Facebook.

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Capítulos com Bom Tempo

10 de Setembro passou e deixou boas recordações. Amigos, família, entidades  e leitores anónimos juntaram-se na mesma sala e beberam do mesmo entusiasmo que esta aventura tem trazido.

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Uma experiência sensacional, cheia de momentos emotivos e de palavras sentidas. Discursos impactantes e recheados de energia positiva para o futuro.

Desde os anfitriões da acolhedora Biblioteca Púbica e Arquivo Regional de Ponta Delgada até aos ilustres convidados, tudo pareceu estar alinhado para uma noite memorável. E assim foi.

Emoções que prometem repetir-se brevemente. Os eventos e as oportunidades sucedem-se, cada vez com maior significado. Aproximam-se novos desafios, e alguns deles requerem mais dedicação, mais empenho, mais trabalho. Estou grato a todos os que têm acompanhado este curto percurso, e reconhecido a quem se tem colocado ao meu lado. Obrigado.

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A capa do capítulo

Perto de uma qualquer cama de maternidade, ouvem-se comentários como “tem o nariz da mãe, mas os olhos são todos do pai”. Antes de nascerem os bebés, é comum fazerem-se estimativas, previsões. No entanto, ver o filho nos braços é sempre diferente do que na ecografia.

CAPA simulacaoNo decorrer dos meses investidos na escrita deste novo capítulo, também imaginei como viria a ser a cara dele, se parecida com alguma coisa ou lugar. Julgo que a sensação é mais facilmente percebida por quem escreve e tem a sorte de publicar: deixa-se verter o sangue da inspiração, dá-se-lhe um nome e espera-se pelo parto. Este Capítulo 41 acabou de nascer. Apesar de só poder sair à rua aos dez dias de Setembro, já se pode apreciar e especular. Graças à capa.

Deixo uma verdadeira vénia à simpatia e disponibilidade dos elementos do Grupo Folclórico de Cantares e Balhados da Relva, que tão gentilmente cederam o traje da mulher de Capote e Capelo, e que mostraram a sabedoria de quem vive e respira a cultura açoriana. Um agradecimento à Catarina Pires por ter suportado a sessão fotográfica dentro das vestes abafadas e por ser sempre tão prestável e amiga. O trabalho dos brothers Tiago e Miguel, um na fotografia e outro na visionária criação, transformaram esta capa numa verdadeira obra-prima, pelo menos aos meus olhos. É o fruto que se colhe quando se semeia e rega uma verdadeira irmandade.

Quanto ao simbolismo, deixo o prazer da descoberta aos leitores.

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Temos sinopse

Caras leitoras e leitores, é com enorme satisfação que divulgo a sinopse daquela que está para ser a minha segunda “aventura” na literatura, desejando que venha a ser igualmente emocionante para vós.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAComeça assim mais um “capítulo” do meu ainda curto e modesto percurso pelas letras, que tanto serve para entreter como para partilhar conhecimento, mas fazendo-o sempre com o amor incondicional a estas ilhas “açorenhas”.

Não tenciono criar desacordos, apenas lançar temas. Este é um tema que me interessa e sei que também a muitas outras pessoas. Daqui a uns anos, não vai fazer diferença nenhuma quem, afinal, descobriu os Açores. Não importará quem passou por cá primeiro, quem nos desenhou no mapa, quem olhou e gritou “terra”. Deveras importante será o povo que seremos — e somos: cheio de História e de estórias para contar.

Cresci muito com a escrita deste texto e com as pessoas que se mantêm ao meu lado. Agrada-me perceber que são cada vez mais. Os leitores também podem partilhar desta viagem, basta permitirem que a imaginação vos guie.

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Porquê Açores?

Quando questionado pelos motivos que me levam a escrever sobre os Açores, não surge propriamente uma explicação que vá muito além da fervorosa paixão nutrida pela Terra-Mãe. Apesar de considerada uma Região Periférica — e abusivamente rotulada de ultraperiférica —, a visão que tenho destes nove territórios unidos pelo mar é de centralidade. Em vez de nos considerarmos periferia, aplaudo quem se consiga olhar como centralidade daqui por diante.

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© Tiago Maia Fotografia – Todos os Direitos Reservados
http://www.facebook.com/TiagoMaiaFotografia

Com duas das 7 Maravilhas Naturais de Portugal — eleitas de entre um total de cinco candidatas —, incluídos na lista dos dez melhores locais para observação de cetáceos a nível mundial, nos melhores cinco destinos vulcânicos, no Top 10 dos destinos Budget Travel, destacados como os melhores locais para férias por publicações como a Visão e a Forbes, no Top 25 dos guias turísticos da Fodor´s Travel Intelligence, no topo das “bagatelas” do The Independent, considerados o melhor destino turístico “verde” de toda a Europa pela Quality Coast Gold desde Maio de 2012, o melhor destino ecológico 2012 e 2013 pela European Coastal and Marine Union, detentores de um engrandecedor 2º lugar da lista das mais belas ilhas do mundo pela National Geographic, e Destino Preferido 2014 da Federação Europeia das Associações de Agências de Viagens e Operadores Turísticos, porque não aproveitar e dar lugar a uma perspectiva mais enriquecedora?

Os Açores estão no umbigo do oceano, na crista da cordilheira Atlântica, no centro do mundo, num ponto triplo da tectónica de placas, a meia-distância das maiores potências mundiais, e faço questão de elevar esse paradigma pela literatura, pelo menos enquanto tiver forças! E quem quiser acompanhar será sempre bem-vindo.

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Decidir cinzento

Vejo tudo negro. Tudo cinza. Não enxergo que lado é este que tanto me atormenta, que tanto me castiga. Vai! Vai embora! Deixa-me estar na minha alegria, no sorriso que transbordo para os que me abraçam. Liberta-me das tuas unhas, que não as quero mais poderosas, liberto-te do poder que tens sobre mim, liberto-me de ti e dos teus males!

The Scream – by Edvard Munch

Mas não vais só, não…. Não permitirei! Vais carregar um fardo, vais penar pelo caminho, vais sangrar dos ombros — do peso da culpa, do desânimo, da ira, do cansaço, da raiva! De tudo o que me trazes! Tudo o que me dás de mão cheia! Vais levar tudo contigo, às costas!

Deixa-me voar, sonhar, sorrir, estar bem comigo próprio, estar bem com quem me envolve, estar bem com quem me quer bem! Liberta-me dessas garras ensanguentadas do casco da minha cabeça! Que tanto me atormentas por dentro dela, ainda queres rasgá-la por fora? Larga-me, deslarga-me, libera-me, solta-me! Não me julgues, não me consumas, não me apavores mais!

Pois eu sou apenas uma criança. Eu sou apenas um menino encolhido dentro de mim próprio. Eu preciso de um abraço, de um carinho, de um amor…. de um beijo! Eu preciso de mim próprio. Tenho saudades do eu antigo, do homem forte, do homem corajoso e verdadeiro. Aquele que luta pelos sonhos, que não se perde pelo caminho, que conhece o rumo que toma, que não tem dúvidas! Ai, as dúvidas…. que tanto se apoderaram do meu entendimento, que já não sei o que lhes fazer. Já duvido de todos, duvido da vida, duvido se estou mesmo aqui, duvido do ontem, do que aconteceu, e até do amanhã. Duvido mais ainda: duvido de mim próprio. E isso não pode acontecer. Mas aconteceu. Estou assim.

Peço aos anjos que me guardem, aos espíritos que me iluminem, aos deuses que me ofereçam pistas de para onde devo ir…. E, então, acabo por decidir. Acabo por tomar uma decisão. Decido não fazer nada. Decido não ir por um nem outro caminho. Nem é branco, nem é preto: é cinzento. Decido não decidir. Que venha a vida e faça de mim o que bem entender.

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O Berço

É com enorme contentamento que a minha mente debita estas palavras tão singelas através das minhas falanges. O “berço” desta publicação virtual está mesmo aqui, é este artigo diante de vós. Quem de vós espera algo de mim, não deve esperar senão a sinceridade e a transparência nas minhas palavras. De tão eloquentes que possam parecer, não mostram mais do que uma lufada de ar quente na minha face, mostram tudo e não mostram nada.

A escrita despertou quando a alma acordou. No momento taciturno em que se procuram respostas a perguntas triviais, o ser encontra nas artes uma forma de expressão e uma saída para o que julga ser um labirinto: a vida. Mas não deixa de esbarrar contra becos sem saída e outros entroncamentos. Qualquer que seja o caminho, o certo ou o errado — venha dizer-me quem sabe discernir —, o que interessa é a jornada, são as passadas que o nosso corpo dá no chão movediço. São esses passos que nos levam onde queremos e onde não queremos, dependendo de como estamos, dependendo de como nos deixam estar e ser. Ou não. Em lances de força, somos nós que decidimos? Assim acredito. E é nesses momentos que sabemos que somos donos de nós próprios, nunca do destino, mas de nós próprios. Sendo a ferida impossível de evitar, ao menos possamos saber tratá-la.

O leitor tem aqui um espaço onde pode divagar — comigo ou sem-migo —, onde conhecerá mais algumas páginas do que escrevo e do que vos dedico. Tal como para um músico, que encontra o deleite nos aplausos, espero suscitar-vos sensações através das palavras e receber de volta na forma de emoções, sorrisos e lágrimas; ouvir os aplausos através dos vossos testemunhos.

Um abraço,
Almeida Maia

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