Dia do Autor Português

Dizem que se comemora quando as datas chegam. Feliz e sincero, com as dores da distância a apertar o coração, desejo-me na pele dos protagonistas de Nove Estações.

“Deixaram-se enamorar pelas ruas de Angra, as artérias palpitantes de vida e de amor. Cruzaram a Rua da Sé e vi­raram na Carreira dos Cavalos até à Rua da Rocha. Desceram ao areal cinzento e deixaram os pés descalços sentirem os grãos arre­fecidos da Prainha. A ondulação macia oferecia-lhes a banda sonora mais ténue e compassada que pudesse orquestrar um luar iluminado. Sentaram-se, em frente ao encaracolar do mar.”

O novo livro está no prelo e o regresso a Portugal está para breve, mas as coisas andam ao ritmo delas. Cada flor a cada florescer. Sejam felizes e leiam. Leiam muito. Continuarei a dar notícias.

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Passatempo “Tertúlias”

Em colaboração com o blogue Tertúlias à Lareira, há um passatempo a decorrer até ao dia 6 de abril para a oferta de um pack constituído por três livros, nomeadamente:

  • “Bom Tempo no Canal: A Conspiração da Energia”
  • “Capítulo 41: A Redescoberta da Atlântida”
  • “Nove Estações”

Para participarem, devem seguir as instruções e usar o formulário indicado no site, utilizando este link: http://tertuliasalareira.blogspot.com.es/2016/03/passatempo-especial-almeida-maia.html

Tripla reedição

Após um ano de muitas mudanças e de difíceis batalhas, anuncia-se a tripla reedição dos primeiros trabalhos para o mercado internacional, além de um novo romance ainda neste ano de 2016. Após um revés editorial que levou as obras “Bom Tempo no Canal”, “Capítulo 41” e “Nove Estações” a esgotarem na origem, a aposta é nos mercados de expressão portuguesa além-fronteiras, sobretudo o Brasil, além das comunidades luso-descendentes dos Estados Unidos, Canadá, França e Reino Unido. As novas versões em Língua Portuguesa, em papel, com capas renovadas pelo designer Miguel Maia, já estão disponíveis na Alemanha, Itália, Espanha, México, Índia, Japão, e a breve trecho na China, Holanda e Austrália.

Capas da autoria do D.er Miguel Maia.

5 Anos de Literatura

Passaram cinco anos desde o Prémio Literário Letras em Movimento, que abriu as portas para um percurso improvável. Desde então, trabalhou-se muito em muito pouco tempo. 2015, no entanto, foi um ano de reflexão, ponderação, escrita e investigação. Doze meses de aprendizagem, grandes lições e reviravoltas. Mas há novidades na forja. 2016 trará um novo romance e novas edições dos livros que estão a esgotar.

Convido os leitores a juntarem-se a esta viagem, assinando a newsletter, subscrevendo as redes sociais, partilhando os conteúdos e participando na jornada. Valerá a pena. Prometo.

A história pode ser contada em fotos. Clique na imagem para ver.

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Surfar na biblioteca

No passado dia 13, tive o prazer de comunicar com alunos da Escola Secundária Jerónimo Emiliano de Andrade. A distância que separa Coimbra de Angra do Heroísmo pareceu desaparecer durante a videoconferência que pretendia abordar a experiência da escrita nos tempos de hoje.

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A iniciativa “Aproveita a onda das TIC e vem surfar na Biblioteca”, além da cooperação da escola e do corpo docente, realizou-se após o convite da Associação Cultural Burra de Milho.

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O evento de apresentações nas escolas está enquadrado na Mostra LabJovem, Concurso Regional de Jovens Criadores dos Açores, cuja edição anterior selecionou a novela “Nove Estações”.

A espera de Edith Piaf

O Pico da Vara é o ponto mais elevado da ilha de São Miguel, onde, em outubro de 1949, uma aeronave Lockheed Constellation da Air France conheceu a sua última morada. Não deixou sobreviventes. O voo deveria fazer escala para reabastecimento no aeroporto de Santa Maria. Antes da hora prevista, o comandante informou estranhamente a torre de controlo de Vila do Porto que conseguia ver a pista. Entre a uma e as duas da manhã, recebeu permissão para aterragem. Não voltou a comunicar.

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Fonte: http://aviatechno.net/constellation/cerdan.php

Entre os onze tripulantes e os trinta e sete passageiros que seguiam de Paris para Nova Iorque, seguia o argelino Marcel Cerdan, campeão do mundo de boxe na categoria de pesos médios. Tinha perdido esse título pouco tempo antes da viagem fatídica. O ídolo do boxe, cuja morte foi muito chorada em França, seguia ao encontro do seu grande amor — a reconhecida diva Edith Piaf —, que o esperava na cidade americana. Também perdeu a vida a famosa violinista, Ginette Neveu, encontrada agarrada ao seu Stradivarius, diz o povo.

Grande parte da população circundante, tropa, artilharia, médicos e enfermeiros, acorreram ao local de difícil acesso para prestar a sua ajuda; até o Flores e o Madeira — patrulhas da Marinha de Guerra — zarpam do Porto de Ponta Delgada na direção do que parecia ter acontecido no mar.

O povo conta que joias, dinheiro e relógios foram trazidos como souvenirs por alguns ousados, que até recorreram a práticas desumanas para obter anéis, por exemplo, talhando a parte do corpo que os prendia. Diz-se que muitos desses artefactos ainda estão nas mãos de alguns colecionadores. Imensas casas chegaram a ser revistadas pela polícia francesa, representada por Deleves Mirapois, que se fez deslocar ao concelho de Nordeste. Depois, uma procissão de autoridades francesas e de restos mortais dos trinta e oito corpos resgatados caminhou até à Igreja de Algarvia, perante o olhar desolado da população.

A notícia chegou aos tabloides gálicos e gerou-se um atrito entre França e Portugal, mas também deu origem a outras repercussões internacionais. O corpo de Marcel Cerdan foi levado para o seu país de origem e esteve em câmara ardente em Sidi Bel Abdés. Durante os dias de luto, a guerra entre a resistência argelina e os militares de ocupação franceses foi suspensa.

Um escritor que não viaja, não escreve: circunscreve-se.