Passatempo “Tertúlias”

Em colaboração com o blogue Tertúlias à Lareira, há um passatempo a decorrer até ao dia 6 de abril para a oferta de um pack constituído por três livros, nomeadamente:

  • “Bom Tempo no Canal: A Conspiração da Energia”
  • “Capítulo 41: A Redescoberta da Atlântida”
  • “Nove Estações”

Para participarem, devem seguir as instruções e usar o formulário indicado no site, utilizando este link: http://tertuliasalareira.blogspot.com.es/2016/03/passatempo-especial-almeida-maia.html

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Tripla reedição

Após um ano de muitas mudanças e de difíceis batalhas, anuncia-se a tripla reedição dos primeiros trabalhos para o mercado internacional, além de um novo romance ainda neste ano de 2016. Após um revés editorial que levou as obras “Bom Tempo no Canal”, “Capítulo 41” e “Nove Estações” a esgotarem na origem, a aposta é nos mercados de expressão portuguesa além-fronteiras, sobretudo o Brasil, além das comunidades luso-descendentes dos Estados Unidos, Canadá, França e Reino Unido. As novas versões em Língua Portuguesa, em papel, com capas renovadas pelo designer Miguel Maia, já estão disponíveis na Alemanha, Itália, Espanha, México, Índia, Japão, e a breve trecho na China, Holanda e Austrália.

Capas da autoria do D.er Miguel Maia.

5 Anos de Literatura

Passaram cinco anos desde o Prémio Literário Letras em Movimento, que abriu as portas para um percurso improvável. Desde então, trabalhou-se muito em muito pouco tempo. 2015, no entanto, foi um ano de reflexão, ponderação, escrita e investigação. Doze meses de aprendizagem, grandes lições e reviravoltas. Mas há novidades na forja. 2016 trará um novo romance e novas edições dos livros que estão a esgotar.

Convido os leitores a juntarem-se a esta viagem, assinando a newsletter, subscrevendo as redes sociais, partilhando os conteúdos e participando na jornada. Valerá a pena. Prometo.

A história pode ser contada em fotos. Clique na imagem para ver.

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Surfar na biblioteca

No passado dia 13, tive o prazer de comunicar com alunos da Escola Secundária Jerónimo Emiliano de Andrade. A distância que separa Coimbra de Angra do Heroísmo pareceu desaparecer durante a videoconferência que pretendia abordar a experiência da escrita nos tempos de hoje.

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A iniciativa “Aproveita a onda das TIC e vem surfar na Biblioteca”, além da cooperação da escola e do corpo docente, realizou-se após o convite da Associação Cultural Burra de Milho.

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O evento de apresentações nas escolas está enquadrado na Mostra LabJovem, Concurso Regional de Jovens Criadores dos Açores, cuja edição anterior selecionou a novela “Nove Estações”.

A espera de Edith Piaf

O Pico da Vara é o ponto mais elevado da ilha de São Miguel, onde, em outubro de 1949, uma aeronave Lockheed Constellation da Air France conheceu a sua última morada. Não deixou sobreviventes. O voo deveria fazer escala para reabastecimento no aeroporto de Santa Maria. Antes da hora prevista, o comandante informou estranhamente a torre de controlo de Vila do Porto que conseguia ver a pista. Entre a uma e as duas da manhã, recebeu permissão para aterragem. Não voltou a comunicar.

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Fonte: http://aviatechno.net/constellation/cerdan.php

Entre os onze tripulantes e os trinta e sete passageiros que seguiam de Paris para Nova Iorque, seguia o argelino Marcel Cerdan, campeão do mundo de boxe na categoria de pesos médios. Tinha perdido esse título pouco tempo antes da viagem fatídica. O ídolo do boxe, cuja morte foi muito chorada em França, seguia ao encontro do seu grande amor — a reconhecida diva Edith Piaf —, que o esperava na cidade americana. Também perdeu a vida a famosa violinista, Ginette Neveu, encontrada agarrada ao seu Stradivarius, diz o povo.

Grande parte da população circundante, tropa, artilharia, médicos e enfermeiros, acorreram ao local de difícil acesso para prestar a sua ajuda; até o Flores e o Madeira — patrulhas da Marinha de Guerra — zarpam do Porto de Ponta Delgada na direção do que parecia ter acontecido no mar.

O povo conta que joias, dinheiro e relógios foram trazidos como souvenirs por alguns ousados, que até recorreram a práticas desumanas para obter anéis, por exemplo, talhando a parte do corpo que os prendia. Diz-se que muitos desses artefactos ainda estão nas mãos de alguns colecionadores. Imensas casas chegaram a ser revistadas pela polícia francesa, representada por Deleves Mirapois, que se fez deslocar ao concelho de Nordeste. Depois, uma procissão de autoridades francesas e de restos mortais dos trinta e oito corpos resgatados caminhou até à Igreja de Algarvia, perante o olhar desolado da população.

A notícia chegou aos tabloides gálicos e gerou-se um atrito entre França e Portugal, mas também deu origem a outras repercussões internacionais. O corpo de Marcel Cerdan foi levado para o seu país de origem e esteve em câmara ardente em Sidi Bel Abdés. Durante os dias de luto, a guerra entre a resistência argelina e os militares de ocupação franceses foi suspensa.

Ilhéu Conimbricense

Mudança é vida. Fazer as malas e deixar para trás um arquipélago inteiro pode não parecer doloroso, mas as ilhas têm pessoas, e uma parte delas está no meu coração. A rotina diária tem imenso para me ocupar, mas a saudade está sempre presente, como se andasse na rua com um balão amarrado ao dedo, a esvoaçar por cima de mim. Sabe bem apreciar o movimento desta cidade a contradizer a pacatez do rio, mas há uma coisa que me faz falta nestas águas: o sal. Não é o do oceano, é o das lágrimas que enfeitam os meus sorrisos.

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Este foi e pode voltar a ser o meu discurso, mas a verdade é que as mudanças são essenciais à sobrevivência. Não me refiro à sobrevivência crua, aquela das necessidades básicas, mas sim à que alimenta a alma. Abracei o mote de que “um escritor que não viaja não escreve, circunscreve-se”, mas posso adaptar essa mesma premissa a qualquer âmbito da vida pessoal e profissional. Rasgar os horizontes é descobrir que somos capazes de fazer mais e melhor. O dia em que se abandona a zona de conforto é o dia em que se começa a viver. As águias constroem os ninhos à beira de precipícios, e as crias não têm outra hipótese senão aprenderem a voar.

Esta também é uma cidade com história, cultura, alma, fado, ciência e conhecimento. Mata-se a sede do saber e entra-se nos rituais académicos, para o bem e para o mal. Por aqui passou Antero de Quental e estas paisagens inspiraram outros poetas e escritores aclamados. Não procuro aclamação, mas admito ter cortado o cordão umbilical das letras. Foram-me colocados novos desafios, novas metas, e não tenho como dizer não. Só digo não se me pedirem para cortar as minhas raízes.

IMG_4409É a sede pelo conhecimento que me move, o querer perceber, entender e depois transbordar. É esta psicologia misturada com trabalho que me começa a entrar no sangue e a mover-me em direções excitantes. Em qualquer mar que se navegue, alguma coisa tem de ficar para trás para que se chegue mais adiante. Seja para um futuro melhor, para nós ou para os nossos filhos, para os nossos ou para os vossos, para os próximos ou não tão distantes, quer seja pela crise, pela escassez ou pela fraqueza, um homem não pode ficar só a olhar. Tem de agir.

O majestoso Mondego não tem sal nas suas águas, mas tem agora um ilhéu que o admira, longe da casa que o viu nascer, longe do mar que o viu crescer. E esse ilhéu está a renascer.

Um escritor que não viaja, não escreve: circunscreve-se.