Bom Tempo no Canal

Capa da autoria de D.er Miguel Maia, com a participação especial de Marisa Oliveira.

Sinopse

A poderosa energia geotérmica acaba de chegar à ilha do Pico. John Mello, um luso-americano descendente de emigrantes açorianos, pós-doutorado em Energy Resources Engineering na Stanford University, é o impulsionador do projecto revolucionário. A sua experiência como drilling engineer faz dele o Director-Geral perfeito para a GEOZOR, empresa que lidera a exploração daquela energia renovável nas ilhas atlânticas.

Mas algo corre explosivamente mal! A vida de John está ameaçada, presa por um fio e envolta numa conspiração contra a GEOZOR. Quem poderá estar por detrás da máscara? Quem poderá querer prejudicar uma energia limpa e fascinante?

John só pode confiar num mero estranho, surgido do nada, e que diz estar pronto a ajudá-lo. Numa alucinante corrida contra o tempo, por terra, mar e ar, percorrem-se sendas tortuosas para descobrir quem engendra a conspiração. Mas poderão os responsáveis estar mais próximos do que parece? E afinal, quais são os enigmas da indústria que pode revolucionar o mundo após o fim do império do petróleo?

Numa altura em que o planeta necessita de medidas emergentes na gestão das fontes de energia, e anunciado o fim das possibilidades fósseis, como o petróleo – o ouro negro –, quais são os desafios das sociedades modernas? Quais são as alternativas energéticas ao nosso alcance? Como pode a energia geotérmica contribuir para um futuro mais sustentado?

“Bom Tempo no Canal – A Conspiração da Energia”,  surge numa altura em que o planeta necessita de medidas emergentes na gestão das fontes de energia. Anunciado o fim das possibilidades fósseis, como o petróleo – o ouro negro –, quais são os desafios das sociedades modernas? Quais são as alternativas energéticas ao nosso alcance? Como pode a energia geotérmica contribuir para um futuro mais sustentado?

Book Trailer

Prólogo

Frio…. Vapor de água condensava-se à saída dos lábios do engenheiro Ruben Castanho, enquanto falava ao telemóvel.

- Sim, está mesmo tudo bem, doutor Duarte… Claro que tenho a certeza, porque haveria de dizer o contrário? … Não aconteceu nada… Fique descansado, está tudo sob controlo… Sim, vemo-nos amanhã… Okay, combinado. – desligou.

- Que coisa! Se está tudo bem, até desconfiam, pá! – resmungou para consigo mesmo, enquanto arrumava o telefone. Levantou um pouco o capacete branco para coçar o couro do cabelo negro e ajeitou o colete fluorescente. Puxou as calças de ganga para cima e sacudiu as botas enlameadas. Tinha as faces rosadas, e eram os seus pequenos olhos que supervisionavam a recente sondagem geotérmica.
Mais um grande passo para os Açores! – cogitou.

Alguns colaboradores rodeavam-no, cada qual absorvido nas suas tarefas. Tinham capacetes no mesmo azulão dos fatos-macacos, mas ostentavam os coletes reflectores idênticos ao seu, com a inscrição GEOZOR nas costas. Mas um deles comportava-se de forma suspeita. Deambulava pela plataforma com um dispositivo na mão. De vez em quando parava e dirigia o seu olhar aos contentores do lado oposto, colocando as mãos nas ancas.

Homessa…. – matutou Castanho. Caminhou na sua direcção. À medida que se aproximava, conseguia apreciar melhor o que ele trazia. Estacou.

É só um telemóvel….

O subordinado fez uma ligeira curva e retirou-se em direcção à saída. Seguia cabisbaixo. Ergueu a mão esquerda e começou a manusear o telefone. Ruben mirou-o por uns momentos. Seguidamente, voltou a sua atenção para os contentores, no outro lado da plataforma. Apreciava-os à distância. Preparava-se para virar as costas, quando algo lhe prendeu os sentidos. Uma pequena luz vermelha tinha piscado.

- Mas que raio?! – Arqueou as sobrancelhas e aproximou-se cautelosamente. A dois metros de distância, parou. Escutava agora um tímido bip intervalado. Deu mais uns passos, rodeando o paralelepípedo metálico. O esboço de um estranho engenho fixo no exterior desenhou-se à sua frente.

- O que é isto, pá?

Sem aviso, o zunido passou de intermitente a reduplicado.

Dez. – Hã….?
Nove. – As suas pupilas dilataram.
Oito. – O seu cérebro emitiu um impulso eléctrico de pânico.
Sete. – O seu batimento cardíaco alvoroçou.
Seis. – As suas veias foram bombardeadas de terror.
Cinco. – Agitou as mãos desesperadamente à volta do mecanismo.
Quatro. – Todas as células do seu corpo gelaram.
Três. – As suas pernas bambalearam pesadamente.
Dois. – Correu pela sua vida.
Um. – Fujaaaam!!! Zero.

Um fulguroso clarão iluminou a encosta do Pico.

Informações Adicionais

TÍTULO: “Bom Tempo no Canal – A Conspiração da Energia”
1ª EDIÇÃO: Ponta Delgada, 29 de Junho de 2012
2ª EDIÇÃO: Ponta Delgada, 26 de Março de 2013
EDITORA: Letras Lavadas
ISBN: 9789728633950 (Goodreads)

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