Ilha-América

Cerimónia de apresentação de Ilha-América, em Ponta Delgada (2020)

Sinopse

Em 1960, as ilhas atlânticas dos Açores são o centro do mundo. Numa noite iluminada, um vulto adolescente invade a pista do aeroporto internacional e aguarda que um Lockheed Super Constellation acelere os quatro hélices.

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O seu plano é alcançar o trem de aterragem dianteiro, trepar a altura de dois homens e enfiar-se no vão da roda. Depois, aguardar que a aeronave suba e confiar que haja espaço para si, para o enorme pneu e para o sonho de chegar à América. Confere os três papos-secos nos bolsos, limpa as mãos na tee-shirt e respira fundo duas vezes. Está pronto a lançar-se a uma nova vida.

Nos anos auspiciosos da história da ilha de Santa Maria, o aeroporto, construído pelos americanos no final da Segunda Grande Guerra sob a aprovação de António Salazar, torna-se a principal escala técnica para a maioria dos voos transatlânticos de grandes companhias aéreas e oferece oportunidades de trabalho preciosas a todos os açorianos.

Terminada a crise vulcânica dos Capelinhos, na ilha do Faial, o Azorean Refugee Act abre as portas da emigração para os Estados Unidos da América e espalha por todo o arquipélago um clima atípico de evasão. Não há família que não veja alguém dos seus embarcar para o Novo Mundo.



Ficha técnica

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Título: Ilha-América
Design da capa: Miguel Maia
Arte final: Sandra Fagundo
Foto da badana: Paulo R. Cabral

  • 1.ª edição: setembro de 2020
    ISBN: 978-989-735-285-0
  • 2.ª edição: janeiro de 2021
    ISBN: 978-989-735-304-8
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Recensão crítica

Nos Açores, nos anos recentes, Pedro Almeida Maia tem sido o autor que mais longe tem levado esta capacidade de contar (de um modo original) uma história singular, emprestando-lhe uma fluência sintática, uma imaginação semântica e uma impressionante maleabilidade conectiva entre as ideias, servidas por palavras encadeadas por uma portentosa liquidez, sempre avançando na ação para sempre retornar ao ponto de partida, reinterrogando de outro modo o que aparentemente já fora solucionado, desenhando, assim, um verdadeiro labirinto de conceções ideológicas a partir da caracterização das personagens e dos ambientes físicos no interior de um estilo realista. (…) Encontra-se no centro deste furacão literário que certamente marcará a literatura açoriana do século XXI. (…) Romance que merece ser lido tanto pelas qualidades intrínsecas, quanto, em continuidade com a obra de Pedro Almeida Maia pelos sulcos futuros que abrirá no horizonte do romance açoriano.”
~ Miguel Real

“Quem doseia assim os pormenores de uma história manuseia bem a arte de contar. (…) Tudo isto junto constitui um poderoso pacote de razões para recomendar vivamente a leitura deste livro e para saudar o seu autor, Pedro Almeida Maia, como uma respeitável voz da nova literatura destas ilhas.”
~ Onésimo Teotónio Almeida [texto completo]

“Pedro Almeida Maia já passou, com este IlhaAmérica, de uma promessa a um autor consolidado. Não queria estar no seu lugar. A sua responsabilidade literária está agora mais pesada, os seus leitores à espera de outros livros, como este, marcantes no seu percurso literário. Pela minha parte, vou ler ou reler parte da sua obra anterior. Está ele agora ao lado dos nossos melhores escritores, e nunca só dos Açores.”
~ Vamberto Freitas [texto completo]

“Mais um grande romance a enriquecer a literatura açoriana e que por ser açoriana não deixa de ser universal. (…) A força da escrita de Almeida Maia reside aqui mesmo, nesta sede de infinito que mora na mensagem que nos deixa, com a ilha a ser universo que busca um universo que seja ilha.”
~ Santos Narciso [texto completo]

“Segui os trâmites e as perdições deste herói mítico açoriano, a quem a América aconteceu, primeiro como um pesadelo e uma miragem, e depois como o sonho verdadeiro de uma vida. Gostei da história, da escrita ágil e bem-humorada (que me fez recordar a ideia difusa que eu tinha da história deste micaelense levado para Santa Maria).”
~ João de Melo

“Faltava dar voz ao emigrante clandestino em avião.”
~ Álamo Oliveira

O romance de Almeida Maia é por tudo isso um registo peculiar da vivência mariense e açoriana nos anos 60 do século passado.”
~ Domingos Barbosa

“Ao quinto romance, desenhou o melhor edifício literário, feito de forma e de imaginação, para contar uma boa história.”
~ Nuno Costa Santos

“Dele [Ilha-América] saio com aquele plaisir du texte de que falava Roland Barthes e a certeza de que temos escritor! (…) Possui apetecível fluência narrativa, prende o leitor do princípio ao fim e é muito cinematográfico.”
~ Victor Rui Dores

“Em linguagem escorreita e apelativa, com muitas frases de semântica profunda, e frases sentidas para nos revelar em muitos momentos especiais da nossa vida, o romance de Almeida Maia, um escritor açoriano consagrado, conta muito bem a história de uma extraordinária e fabulosa aventura perigosa, mas também nos obriga a reflectir sobre as memórias que nos faz recuperar e que não queremos ver mais repetidas, cheguem da forma que chegarem, as do tempo da falta de liberdade.”
~ Manuel Tomás [texto completo]

“Descobrir o universo de Pedro Almeida Maia, em Ilha-América, é compreender o preço da emigração, as motivações em que ela se alicerça, a coragem que exige. Divertido e sério, este livro desenvolve-se a partir de uma corrida na pista do aeroporto de Santa Maria rumo ao interior de um trem de aterragem. E dá a volta às ilhas e aos mundos que cabem no sonho de quem pouco possui, quase nada teme e nada tem a perder.”
~ Leonor Sampaio da Silva

“De todos [os livros de 2020], resolvi preferir o Ilha-América de Almeida Maia, belo mergulho ao âmago da alma açoriana, num estilo original (…), à volta da aventura única dum adolescente que viaja no trem de aterragem dum avião transatlântico de Santa Maria à Bermuda, sobrevive e vive até realizar o sonho americano. Uma delícia.”
~ Carlos Melo Bento

“Notável! Revi-me na Santa Maria onde vivi e na Lisboa dos anos 50/60 que visitei.”
~ Emanuel Carreiro

“Escrita clara e escorreita, de matriz identitária muito nossa, e refletindo a peculiaridade do ilhéu na busca de novos horizontes, na ânsia de superar uma realidade existencial castigada pelo isolamento e por um estado de espírito marcado por ilusões e desilusões, sempre com os olhos postos no outro lado do mar, este livro traduz uma ambiguidade sempre atual entre a vontade de partir e de ficar que não deixará o leitor indiferente aos determinantes históricos, geográficos e sociais da realidade matricial que apresenta.”
~ Ermelindo Peixoto

“Com Ilha-América, Almeida Maia reclama, em definitivo, a sua posição junto dos melhores escritores portugueses contemporâneos. (…) Amigo íntimo da melhor Literatura, Almeida Maia domina técnicas de escrita capazes de suster a atenção dos leitores; usa uma linguagem apurada e um discurso fluente, sobremodo cativante e apto a agarrar o leitor até à última página. Finais de capítulo em suspenso, analepses que se revelam sagazes e pertinazes são colocados ao serviço do ritmo, conferindo ao enredo a cadência desejada. Por outro lado, torna-se bastante agradável a referência a diversos temas musicais, assim como a inclusão de versos das referidas letras. O leitor regozija-se! Não tenho dúvidas que esta será uma obra de referência para todos quantos queiram perceber o arquipélago, os açorianos, as suas vontades e ânsias mais profundas, a sua história e impulsos migratórios.”
~ Telmo R. Nunes [texto completo]

“Este livro, tal como aconteceu com os anteriores que li do mesmo autor, tem um defeito que adoro: o preciosismo das descrições, o estudo detalhado das épocas que percorre, citações sempre bem contextualizadas e uma imagética rica que espera um realizador para a tornar em documentário cinematográfico.”
~ Chrys Chrystello

“Li-o de um fôlego, o que só me acontece quando me sinto envolvido nos lugares e nas personagens. O livro aborda o tema mítico da «fuga da ilha» (…). Depois é um mundo de peripécias ficcionadas, mas baseadas numa situação real. Houve várias experiências deste género e Pedro Almeida Maia escolheu esta, que lhe valeu um belíssima narrativa a par de uma investigação cuidadosa de temas ligados à aviação e ao clima social insular nos anos 60, gloriosos com o aeroporto americano da ilha.”
~ António Ferra

“Almeida Maia recupera para a nossa memória coletiva um passado não muito distante. Um passado de pobreza, de isolamento, de repressão, um passado que não devemos esquecer. E Ilha-América cumpre esse objetivo.  (…) Lê-se de um fôlego. Pela escrita, pela viagem a um passado recente, pela descrição rigorosa dos aspetos do viver insular dos anos 50/60 do século XX, pela influência que a presença de cidadãos estadunidenses em Santa Maria, é na ilha de Gonçalo Velho que tudo começa, mas também da importância do Aeroporto Internacional de Santa Maria na travessia aérea do Atlântico Norte. Pela descrição da brutalidade dos métodos da PIDE e o horror dos seus calabouços. Em Ilha-América, Almeida Maia reabilita o direito a migrar rumo à utopia.”
~ Aníbal C. Pires

“Tudo o que era mais provável acontecer numa situação destas está espelhado neste romance: o comportamento da tripulação do avião, o papel da PIDE e a reação do próprio pai do Mané, que roça a pura realidade, como se o autor o tivesse conhecido ao pormenor. Um bom romance, enquadrado na parte final da época doirada de Santa Maria, cuja leitura aconselho.”
~ Rosélio Reis

“Empolguei-me, sorri e emocionei-me com a viagem do Mané que personifica os sonhos cumpridos e por cumprir de tantos ilhéus, ‘rodeados de pobreza por todos os lados’. É um belo e justo tributo à nossa narrativa colectiva de povo insular com ganas de ver o que está do outro lado do mar.”
~ Ana Monteiro

“Almeida Maia descreve tão bem todos os pormenores e todos os espaços vãos daquele vão de roda que, rapidamente, nos encontramos no ano de 1960, sentados com o Mané naquela roda de avião. (…) Saiu com este livro da sua zona de conforto e trouxe-nos uma história com H grande, daquelas que nunca esquecemos por tão reais e próximas que nos são.”
~ Patrícia Carreiro

“Mais do que as épicas viagens por céus e terras deste herói no qual me revi demasiado, foi a sua viagem interior, conduzida por uma escrita sublime, que me deu murros no coração e arrebatou umas quantas lágrimas derrotadas e arrepios triunfantes. Uma obra fascinante, irresistível para quem tem qualquer ligação aos Açores e catártica para todos os sonhadores.”
~ Ana Lopes [texto completo]

“Com este magnífico Ilha-América observo um aprendiz de feiticeiro que arregaçou as mangas, meteu o caldeirão ao lume, olhou meticulosamente para os ingredientes das prateleiras e escolheu, um por um, sem hesitar, obtendo uma terrível poção mágica capaz de provocar insónias. Com esta obra, o leitor fica siderado com a ação e quer folhear cada vez mais para saber o que se segue. A pronominalização está perfeita e as figuras estilísticas surgem naturalmente, muito suaves, como o orvalho que repousa sobre as folhas das criptomérias.”
~ João Pedro Regalado

“Lido num ápice. Correspondeu às expectativas. Sou fã incondicional deste simpático autor açoriano. Ilha-América de Pedro Almeida Maia é um livro magistral, de leitura fácil e cativante, da primeira à última página. Concordo com o meu colega Telmo R. Nunes, quando, na brilhante crítica que proferiu a esta obra, afirma que esta ascende ao ‘Olimpo da Literatura’. (…) Recomendo este voo fantástico pelos horizontes da realidade açoriana de outrora e de hoje, pois representativa do género humano e dos heróis que lutam pelos seus sonhos e objetivos.
~ Marta Oliveira

“Pedro Almeida Maia mostra nesta obra maturidade na escrita, criatividade no detalhar da época e credibilidade prosaica a partir de fatos emanados duma pesquisa apurada e incisiva. A leitura é fácil, agradável e fluída e certamente será apelativa, em primeiro lugar, a tantos açoreanos tocados, diretamente e indiretamente, pelo arrancar das raízes rumo ao sonho duma realidade menos árdua e em segundo lugar a todo um leque de leitores, nacionais e não só, que ambicionam conhecer realidades tão alheias e próximas do fantasioso, mas tão próprias de tantas pessoas de todo o mundo.”
~ Pedro Silveira [texto completo]

“Este IlhaAmérica é um livro que apetece ler. Fascina. Este livro coloca o leitor para além de espectador. Senta-nos na acção. Se terminarmos um capítulo e fecharmos os olhos, estamos lá. É esta a magia. Conheci aspectos dos Açores que desconhecia. E o Pedro deixa-nos algumas portas abertas para conhecermos mais. É esta a magia.”
~ Roberto Jesus Reis

“O escritor Almeida Maia, autor de vários livros publicados entre nós, demonstra a sua erudição e conhecimento dos casos mais estranhos, que na realidade ou na sua imaginação, têm sempre os Açores no centro da sua escrita. Neste agora intitulado Ilha-América vai mesmo à alma dos ilhéus destas ilhas, tornando-se um romance fundamental do nosso cânone, da nossa História, do nosso modo de estar no mundo a oeste, nessa terra de promessa e desilusões que sempre fez parte das nossas vidas. Trata-se de visão original e lapidar da nossa experiência como povo andarilho, que constrói novos mundos e faz da terra um espaço verdadeiramente universal. Os seus estudos constantes a nível universitário resultam nesta prosa escorreita sem nunca deixar de ser profunda e deixar-nos a repensar o nosso passado e talvez futuro.”
~ Vamberto Freitas