A Escrava Açoriana

Lançamento de A Escrava Açoriana na FNAC, em Lisboa (2022)

Sinopse

No ano da graça de 1873, o mundo pertence aos homens que cospem para o chão. Açorada por partir, Rosário oculta-se num enorme capote e capucho negro, tal como a maioria das mulheres. É uma adolescente irreverente, do contra, e desafia todas as convenções masculinas: rouba, corre descalça, luta com os punhos e até beija em público. No final do dia, lê Camilo e reza o terço com a mãe.

As Ilhas Adjacentes são um misto de encanto e de escassez, afastadas do Reino e das promessas da Coroa. Os engajadores brasileiros aliciam os açorianos a viajar para o Império, com promessas de riqueza. A família de Rosário entrega tudo o que possui e embarca na escuridão.

Mas a viagem no navio é calamitosa, uma nuvem de pessoas atoladas na própria imundície, e a chegada ao Rio de Janeiro oferece desafios inesperados. Rosário vive como uma escrava e vê o futuro esfumar-se. Perde o rumo, a virgindade e a esperança. Precisa de reagir, mas isso implica tornar-se uma pessoa totalmente diferente.



Ficha técnica

Título: A Escrava Açoriana
Revisão: Joaquim E. Oliveira
Paginação: Maria João Gomes
Design da capa: Vera Braga
Foto da badana: Paulo Goulart

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Recensão crítica

“Se há uma literatura açoriana, que teve e tem em Antero de Quental, Vitorino Nemésio, João de Melo alguns dos seus maiores vultos, ela encontra agora em Pedro Almeida Maia uma das suas vozes para o futuro. Depois de ter lido a história de Rosário, compreendo bem melhor Antero, e Raúl Brandão, e todos os outros.”
~ Isabel Rio Novo

“Pedro Almeida Maia entrelaça o seu lirismo com o rigor histórico mais factual. (…) Como José Saramago, Pedro Almeida Maia inverte o teor da conhecida epígrafe de Eça de Queirós à Relíquia: ‘Sobre a nudez forte da verdade, o manto diáfano da fantasia’. Para Saramago, como o declara em O Ano da Morte de Ricardo Reis, como para Pedro Almeida Maia de A Escrava Açoriana, a epígrafe deveria rezar assim: ‘Sobre o manto diáfano da fantasia, a nudez forte da verdade’. Ou seja, a ficção ou a fantasia em primeiro lugar, o que Pedro Almeida Maia faz em absoluto, criando a personagem Rosário como centro da ação, ficcionando a sua ávida açoriana e brasileira, emprestando à ação um tom lírico (as cores, as paisagens, os sabores, a mestiçagem, as rezas, o pio do milhafre, frases retiradas de Amor de Perdição, o uso de metáforas irónicas na descrição das maiores desgraças, a aparente ingenuidade das prostitutas, como evidencia a sua amiga de cortiço, Fevereira, uma são-jorgense), depois, a envolvê-la (à ficção), dando-lhe substância, o rigor da história, mostrando, à João de Melo, como, nos finais do século XIX, a pobreza medieval grassava nos Açores e, à Jorge Amado, como a escravatura era praticada em negros e brancos no Brasil.”
~ Miguel Real [texto completo]

“A prosa de Pedro Almeida Maia consegue transmitir o que poucos escritores, em qualquer língua, conseguem: a palavra contida, as linguagens friamente oscilantes entre a narrativa escorreita e ao mesmo tempo significante a cada passo, abrindo sempre a imaginação do próprio leitor e levando-o a repensar as suas próprias origens identitárias plantadas entre Deus e o Diabo. (…) A luta pela liberdade e dignidade dos caídos, dos desprotegidos da História, faz de A Escrava Açoriana uma das mais vivas narrativas da nossa literatura pós-moderna. (…) Este é um outro salto literário não só luso, mas sim Lusófono, com letra maiúscula e com tudo o que isso implica. (…) A ruptura literária de autores como Pedro Almeida Maia, por sua vez, é feita da continuidade no espaço histórico da melhor literatura açoriana.”
~ Vamberto Freitas [texto completo]

“Veio para marcar a literatura e ficção nos Açores, neste ano de 2022. (…) A narrativa é de grande beleza por sua escrita escorreita, ágil e com movimentos crescentes. O emigrar, a travessia, a desumanidade, o trabalho escravo sem nunca vergar, o retorno. Sempre um contínuo crescer e construir-se. A arquitetura de uma mulher liberta de todas as amarras. (…) A Escrava Açoriana é um marco de ouro a assinalar os dez anos de vida literária de Pedro Almeida Maia. (…) A sua escrita e os seus argumentos literários penetram bem fundo na senda da intervenção e da afirmação identitária pessoal e colectiva que faz dos seus romances obras de referência com substrato social muito profundo.”
~ Santos Narciso [texto completo]

“Uma engenhosamente engendrada história contada por quem sabe do métier. (…) Uma narrativa de grande fôlego.”
~ Onésimo Teotónio Almeida

“Tem uma riqueza de vocabulário extraordinária. (…) O Pedro escreve muitíssimo bem e fez uma investigação brilhante. Tem uma história que nos emociona, que nos faz chorar, que nos faz ficar raivosos, que nos tira o ar, que nos apaixona, que nos faz rir, portanto, é um livro fantástico que se lê compulsivamente.”
~ Maria João Covas [vídeo completo]

“Nada é forçado, nada é desfocado, nada é despropositado nesta narrativa empolgante, como já nos habituou o autor, que ara as palavras como quem cuida de colher filigranas. Um livro a não perder de um autor que tem de — forçosamente — almejar a lugar cimeiro da escrita contemporânea em língua portuguesa, eivada da riqueza única da açorianidade literária, de uma universalidade sem fronteiras.”
~ Chrys Chrystello [texto completo]

“Este é um romance soberbo e bastante original, sobre uma temática amplamente ignorada por grande parte da sociedade portuguesa. Chega redigido numa prosa elegante, escorreita, mas também muito precisa, rica e minuciosa, plenamente capaz de conduzir o leitor através daquelas que foram as mutações sociais, económicas e até mesmo políticas operadas em Portugal e no Brasil, na transição do século XIX, para o século XX. (…) Esta é uma história dura, talvez das mais marcantes de toda a emigração açoriana e portuguesa; uma história que tinha de ser contada e, mais do que tudo, uma história que não devia repetir-se.”
~ Telmo R. Nunes [texto completo]

“Mais um livro com uma boa história narrada por Pedro Almeida Maia. (…) Com talento, destreza narrativa e evocativa, cumpre o programa de capturar o leitor, dando-lhe informação sobre um período da História açoriana e fazendo-o seguir viagem, também como emigrante, com as personagens e as peripécias do seu trilho!”
~ Nuno Costa Santos [texto completo]

“Uma obra de temática açórica, mas simultaneamente universal. (…) Através de frases e expressões de uma beleza estilística e conotativa sem par na sua escrita anterior, numa redação maturada, solidificada, Pedro Almeida Maia faz de A Escrava Açoriana mote do sonho, da coragem e da autossuperação e, por tal, é um digníssimo representante de todas e todos as e os Rosário deste mundo que precisam de se reerguer.”
~ Paulo Matos [texto completo]

“Rosário, pela sua riqueza humana e fundura psicológica, é digna de entrar na galeria das grandes personagens do universo feminino da literatura portuguesa: por ser irreverente e insubmissa, suscetível e insatisfeita, complexa e enigmática, inconformista e inconformada, inadaptada e incompreendida, simultaneamente vítima e agressora, sempre em busca do amor, do sonho, da felicidade e de caminhos de futuro. (…) A Escrava Açoriana, escrito com fluidez narrativa, espessura evocativa, capacidade descritiva e uma muito atenta observação do humano, lê-se com aquele plaisir du texte de que falava Roland Barthes. A merecer por isso a nossa melhor atenção.”
~ Víctor Rui Dores [texto completo]

A Escrava Açoriana, de Pedro Almeida Maia, escritor açoriano (para nosso orgulho) traz-nos os tempos do século XIX para o XX, e a vida vivida nos Açores, em especial o fenómeno da emigração, neste caso para o Brasil. (…) De leitura cativante.”
~ Ana Isabel D’Arruda

“Pedro Almeida Maia com a sua escrita escorreita e aliciante traz-nos a estória de um percurso migratório com regresso, mas sem sucesso material. Um percurso de enganos, abusos, escravidão, desumanidade, mas também de humanidade.”
~ Aníbal Pires [texto completo]

“O Almeida Maia traz-nos, desta vez, uma personagem forte e ao mesmo tempo frágil, decidida e em simultâneo dividida. Mas uma mulher de grande porte, sem dúvida.”
~ Patrícia Carreiro [texto completo]

“Pedro Almeida Maia veio para revolucionar a literatura açoriana. O autor tem crescido cada vez mais nesta arte e acho impressionante como a sua escrita melhora de livro para livro num tão curto espaço de publicações. Sabe adaptar-se e evoluir face à perspetiva e história que pretende contar. (…) A Escrava Açoriana não é apenas um livro sobre escravatura, é um livro sobre utopias, ilusões, dor e resiliência.”
~ Brenda F. Cabral [texto completo]

“Escrita vibrante, irónica, visual e às vezes remota nos seus açorianismos ocasionais.”
~ João de Melo

“O mais delicioso romance micaelense escrito neste século. (…) O mais fascinante romance escrito, nos Açores, em língua portuguesa.”
~ Carlos Melo Bento

“Mais um esplêndido livro de Pedro Almeida Maia. O ritmo narrativo deste romance prende o leitor desde a primeira página. Raramente, um escritor açoriano desturva as águas das marés que têm levado a vida das mulheres, do passado e do presente, a um ignóbil ostracismo. Parabéns, Pedro, por dares oportunidade às folhas perdidas de não vergarem o seu rosto, por nos estenderes horizontes, por não te renderes à tempestade patriarcal que continua a assolar o nosso arquipélago. Rosário é o jasmim branco dos esquecidos e cansados passos femininos que a História e o cânone literário teimam em omitir.”
~ Henrique Levy

“Descobri Almeida Maia e recomendo os seus livros. Escritos por um açoriano para os açorianos e para o mundo. Um grande escritor que honra a herança açoriana em todas as suas dimensões. Dentro e fora. Passado, presente e futuro.”
~ Carolina Matos

“Um fabuloso retrato social da época, não só dos Açores mas também do Brasil. Com uma escrita muito cuidada e pontuada de regionalismos açoreanos, o que me fez adorar ainda mais esta história. Vivemos, através de Rosário, a vida de tantas mulheres açorianas que lutaram por uma vida melhor. Foi o primeiro livro que li do autor e fiquei rendida.”
~ Patrícia Rodrigues [vídeo completo]

“Numa escrita cristalina, madura e peculiar, Pedro Almeida Maia tece, com singular mestria, este novo romance. Em verdade, desde a primeira página, ficamos cativos na teia feliz da sua extraordinária narrativa. É impossível que não nos doa a tumultuosa vida de Rosário: carregar o peso das sevícias, privações, a incerteza do rumo, e, sobretudo, perder o chão da Liberdade — indizível a coragem e força indómita de voltar à vida. Estamos perante uma obra notável; provavelmente um dos melhores romances que se publicaram em Portugal no ano em curso.”
~ Salviano José Silva Ferreira (José Efe)

“É, facilmente, até agora, o meu livro favorito do ano. (…) O Pedro utiliza um vocabulário riquíssimo.”
~ Henrique Pimenta [vídeo completo]

A Escrava Açoriana, de Pedro Almeida Maia, incorpora relatos reais de uma época desafiada ainda pela escravatura (apesar da sua abolição de jure, mas não de facto) e pelas convenções masculinas, numa obra cujo roteiro, inspirado na emigração, enaltece o papel da mulher na essência dos atributos, expectativas e direitos inerentes à sua valorização nas dimensões pessoal, social e humana. Por sua vez, no plano existencial, é forte a mensagem que o autor nos deixa: a de uma açoriana desterrada da sua própria ilha que enfrentou a grandeza do oceano e aprendeu a confrontar as suas emoções através das ressonâncias afetivas próprias dessa sua condição.
Entusiasmante e apelativa, a leitura corrida desta obra é quase uma inevitavilidade, de tão difícil que se torna interrompê-la (dada a riqueza do enunciado narrativo, o alinhamento das personagens e a sequência dos acontecimentos e ações da própria narrativa).”
~ Ermelindo Peixoto

“Discurso amplamente sinestésico e cruelmente objetivo. (…) Quem se quiser aventurar com uma personagem pobre, inteligente e ambiciosa (…), tem, neste romance, uma oportunidade ímpar de embarcar numa história ficcional muito bem engendrada, enformada por verídicos e excitantes episódios históricos.”
~ Luís Miguel Almeida [texto completo]

“Mais do que um romance, A Escrava Açoriana é um retrato histórico do País de finais do século XIX e inícios do século XX. A conjuntura política, cultural, económica e, sobretudo, social em Portugal — particularmente nos Açores, mas também no Brasil — é aqui apresentada de forma, ao mesmo tempo, rigorosa e despretensiosa. Temas como a emigração ilegal, a escravatura, a prostituição e a emancipação da mulher emergem numa história verosímil e cativante.”
~ José Ribeiro

“Apreciei muito as referências a Arruda Furtado, que acabou escorraçado da sua terra conservadora de mais para as suas ideias inovadoras e progressistas, e a Alice Moderno e a Maria Evelina de Sousa, duas feministas cuja vida e obra, apesar de alguns estudos já efetuados, ainda precisam de ser mais investigadas e divulgadas.
Um romance fabuloso e um autor que merece ser lido.”
~ Teófilo Braga