Confortável maledicência

"Tongue Tied", por Boris Rasin
“Tongue Tied”, por Boris Rasin

Apontar defeitos é fácil, difícil é apresentar soluções. A crítica comum recorre à maledicência: qualidade do maledicente, ou maldizente, que tem por hábito difamar. O blasfemador não critica comportamentos nem denuncia práticas ou atividades, atinge diretamente o outro. Em vez de “ele fez isto”, diz “ele é aquilo”. Passa a vida a dizer mal dos outros, ferindo-lhes a integridade e desrespeitando o direito à diferença. Na vida em sociedade, somos bombardeados com maledicências: ofendem-se e acusam-se na praça pública. Há tanta rivalidade que até andam com bonecos voodoo. Esquecem-se de que, ao apontar um dedo a alguém, os restantes dedos da mão apontam de volta para si.

Que não haja mal-interpretação, sou contra o laissez faire, é crucial que se deem a conhecer os podres da fruta. Para isso, dar à língua é indispensável, e quem se propõe a deixar de lado a participação cívica é um cidadão hipnotizado. Não calem as vozes, podem ser tudo o que nos resta! No entanto, a censura deve ser praticada de forma construtiva. Uma das máximas de Abraham Lincoln afirmava que “só tem o direito de criticar aquele que pretende ajudar”. Bem, na prática estou a falar mal de quem maldiz. Por isso, também eu posso — e devo — ser acusado de maledicência. Mas eu não sou um ser humano, sou só um humano, sendo.

in Jornal Fazendo, n.º 92, maio de 2014

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