O Tamanho da Bandeira

Fruto das encruzilhadas da vida, muitas vezes tenho assinalado o Dia dos Açores fora do Arquipélago. Desta vez comemoramos a Autonomia, o culto do Espírito Santo, a proximidade dos 600 anos da Descoberta e os símbolos de uma Região cada vez mais esquecida sob um denso nevoeiro: uma névoa que prioriza interesses individuais e nosContinue a ler “O Tamanho da Bandeira”

Umbigo Micaelense

No momento em que se acendeu a luz verde do semáforo, nem tinha decorrido um microssegundo, irrompeu uma buzinadela enraivecida atrás de mim. Era uma descarga tão obstinada como se aquele espécimen com olhos raiados de sangue só conseguisse comunicar por Código Morse.

Queixume do queixoso

No tempo de Homero a raça humana já era decadente: “hoje a terra só alimenta homens perversos e atrofiados”. Continuamos a não admitir que o estado de espírito da nação está abalado. Cabeças baixas na rua, ineficiência nos postos de trabalho, arrogância nos serviços públicos e desmotivação dos mercados. O queixume é a defesa maisContinue a ler “Queixume do queixoso”

Liberalização dos céus

Nunca pensei no espaço aéreo como um território liberalizável. Quando se é dono de um palmo de terra, faz-se um sulco no chão com uma cana verde ou erguem-se muros para dividir fronteiras. Quando se tem dinheiro, o destino é a conta bancária ou o miolo do colchão de palha. Se há um bem móvelContinue a ler “Liberalização dos céus”

Confortável maledicência

Apontar defeitos é fácil, difícil é apresentar soluções. A crítica comum recorre à maledicência: qualidade do maledicente, ou maldizente, que tem por hábito difamar. O blasfemador não critica comportamentos nem denuncia práticas ou atividades, atinge diretamente o outro. Em vez de “ele fez isto”, diz “ele é aquilo”. Passa a vida a dizer mal dosContinue a ler “Confortável maledicência”

Definindo conceitos crónicos

A definição de crónica provém do Latim chronica e do Grego khroniká. Sugere uma narrativa cronologicamente organizada de factos, embora também se aplique a um texto de estilo jornalístico com cunha pessoal. A liberdade de opinião também é um pressuposto, mas o conceito mais comum é o de narração curta, para imprensa, seja revista ouContinue a ler “Definindo conceitos crónicos”

Crónicas podem ser coisas

Admito que a palavra cronicista não esteja muito dicionarizada, mas como insisto em compilar vocábulos, não há que ter medo. Afinal de contas, as línguas estão sempre em transformação, tirando o Latim e alguns dialetos. Depois do percurso do Pavilhão Auricular, procurei afincadamente formas de expressão que transcendessem as artes. Não é porque as artesContinue a ler “Crónicas podem ser coisas”