O Tamanho da Bandeira

Fruto das encruzilhadas da vida, muitas vezes tenho assinalado o Dia dos Açores fora do Arquipélago. Desta vez comemoramos a Autonomia, o culto do Espírito Santo, a proximidade dos 600 anos da Descoberta e os símbolos de uma Região cada vez mais esquecida sob um denso nevoeiro: uma névoa que prioriza interesses individuais e nos tolda o pensamento.

Nasci e cresci nos Açores, saí para estudar e talvez não regressar. Mas regressei e arregacei as mangas, embora ainda sentindo que deveríamos celebrar quem tem coragem de permanecer e construir um futuro melhor, uma rua menos esburacada, uma visão mais ampla.

Só que os motivos para voltar a sair vão ganhando terreno outra vez. Mesclado com os egos de uma minoria ruidosa, o esforço da maioria silenciosa torna-se invisível, inaudível. Os ponderados são a maioria silenciosa: os que conseguem ver os dois lados da questão.

Pelas gerações seguintes — e ambiciono o melhor para as minhas filhas e para os filhos deste meio século de Autonomia — deveríamos valorizar o sentimento de pertença e cuidar das feridas da açorianidade. Utilizar um discurso unificador, convergente, cantar o hino mais alto, hastear bandeiras maiores (bem maiores!) e elevar o orgulho e a coragem de se viver no meio da bruma e dos vulcões.

O tamanho da bandeira conta, e a nossa tem andado amarrotada, encardida e quase a meio-mastro. É preciso hastear as maiores bandeiras que tivermos, o mais alto que pudermos. Feliz Dia dos Açores!

Publicado por Pedro Almeida Maia

http://www.almeidamaia.com/

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