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Surfar na biblioteca

No passado dia 13, tive o prazer de comunicar com alunos da Escola Secundária Jerónimo Emiliano de Andrade. A distância que separa Coimbra de Angra do Heroísmo pareceu desaparecer durante a videoconferência que pretendia abordar a experiência da escrita nos tempos de hoje.

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A iniciativa “Aproveita a onda das TIC e vem surfar na Biblioteca”, além da cooperação da escola e do corpo docente, realizou-se após o convite da Associação Cultural Burra de Milho.

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O evento de apresentações nas escolas está enquadrado na Mostra LabJovem, Concurso Regional de Jovens Criadores dos Açores, cuja edição anterior selecionou a novela “Nove Estações”.

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A espera de Edith Piaf

O Pico da Vara é o ponto mais elevado da ilha de São Miguel, onde, em outubro de 1949, uma aeronave Lockheed Constellation da Air France conheceu a sua última morada. Não deixou sobreviventes. O voo deveria fazer escala para reabastecimento no aeroporto de Santa Maria. Antes da hora prevista, o comandante informou estranhamente a torre de controlo de Vila do Porto que conseguia ver a pista. Entre a uma e as duas da manhã, recebeu permissão para aterragem. Não voltou a comunicar.

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Fonte: http://aviatechno.net/constellation/cerdan.php

Entre os onze tripulantes e os trinta e sete passageiros que seguiam de Paris para Nova Iorque, seguia o argelino Marcel Cerdan, campeão do mundo de boxe na categoria de pesos médios. Tinha perdido esse título pouco tempo antes da viagem fatídica. O ídolo do boxe, cuja morte foi muito chorada em França, seguia ao encontro do seu grande amor — a reconhecida diva Edith Piaf —, que o esperava na cidade americana. Também perdeu a vida a famosa violinista, Ginette Neveu, encontrada agarrada ao seu Stradivarius, diz o povo.

Grande parte da população circundante, tropa, artilharia, médicos e enfermeiros, acorreram ao local de difícil acesso para prestar a sua ajuda; até o Flores e o Madeira — patrulhas da Marinha de Guerra — zarpam do Porto de Ponta Delgada na direção do que parecia ter acontecido no mar.

O povo conta que joias, dinheiro e relógios foram trazidos como souvenirs por alguns ousados, que até recorreram a práticas desumanas para obter anéis, por exemplo, talhando a parte do corpo que os prendia. Diz-se que muitos desses artefactos ainda estão nas mãos de alguns colecionadores. Imensas casas chegaram a ser revistadas pela polícia francesa, representada por Deleves Mirapois, que se fez deslocar ao concelho de Nordeste. Depois, uma procissão de autoridades francesas e de restos mortais dos trinta e oito corpos resgatados caminhou até à Igreja de Algarvia, perante o olhar desolado da população.

A notícia chegou aos tabloides gálicos e gerou-se um atrito entre França e Portugal, mas também deu origem a outras repercussões internacionais. O corpo de Marcel Cerdan foi levado para o seu país de origem e esteve em câmara ardente em Sidi Bel Abdés. Durante os dias de luto, a guerra entre a resistência argelina e os militares de ocupação franceses foi suspensa.

Ilhéu Conimbricense

Mudança é vida. Fazer as malas e deixar para trás um arquipélago inteiro pode não parecer doloroso, mas as ilhas têm pessoas, e uma parte delas está no meu coração. A rotina diária tem imenso para me ocupar, mas a saudade está sempre presente, como se andasse na rua com um balão amarrado ao dedo, a esvoaçar por cima de mim. Sabe bem apreciar o movimento desta cidade a contradizer a pacatez do rio, mas há uma coisa que me faz falta nestas águas: o sal. Não é o do oceano, é o das lágrimas que enfeitam os meus sorrisos.

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Este foi e pode voltar a ser o meu discurso, mas a verdade é que as mudanças são essenciais à sobrevivência. Não me refiro à sobrevivência crua, aquela das necessidades básicas, mas sim à que alimenta a alma. Abracei o mote de que “um escritor que não viaja não escreve, circunscreve-se”, mas posso adaptar essa mesma premissa a qualquer âmbito da vida pessoal e profissional. Rasgar os horizontes é descobrir que somos capazes de fazer mais e melhor. O dia em que se abandona a zona de conforto é o dia em que se começa a viver. As águias constroem os ninhos à beira de precipícios, e as crias não têm outra hipótese senão aprenderem a voar.

Esta também é uma cidade com história, cultura, alma, fado, ciência e conhecimento. Mata-se a sede do saber e entra-se nos rituais académicos, para o bem e para o mal. Por aqui passou Antero de Quental e estas paisagens inspiraram outros poetas e escritores aclamados. Não procuro aclamação, mas admito ter cortado o cordão umbilical das letras. Foram-me colocados novos desafios, novas metas, e não tenho como dizer não. Só digo não se me pedirem para cortar as minhas raízes.

IMG_4409É a sede pelo conhecimento que me move, o querer perceber, entender e depois transbordar. É esta psicologia misturada com trabalho que me começa a entrar no sangue e a mover-me em direções excitantes. Em qualquer mar que se navegue, alguma coisa tem de ficar para trás para que se chegue mais adiante. Seja para um futuro melhor, para nós ou para os nossos filhos, para os nossos ou para os vossos, para os próximos ou não tão distantes, quer seja pela crise, pela escassez ou pela fraqueza, um homem não pode ficar só a olhar. Tem de agir.

O majestoso Mondego não tem sal nas suas águas, mas tem agora um ilhéu que o admira, longe da casa que o viu nascer, longe do mar que o viu crescer. E esse ilhéu está a renascer.

Encontro de Escritores “Pedras Negras”

10411953_929937310400812_967047217096821261_nQue o Azores Fringe Festival coloca os Açores no mapa-múndi das artes, já todos sabem. O que alguns desconhecem é a energia que emana das partilhas que este acontecimento internacional proporciona. Com o epicentro na ilha do Pico, e réplicas por outras ilhas açorianas, os eventos diários transformam o mês de junho num bouquet artístico de renome.

Depois do efervescente espetáculo de abertura, na sexta-feira, que trouxe encenações de música, dança e até cuspidores de fogo, tinha chegado a hora da literatura. O encontro de escritores “Pedras Negras” revelou-se pela magnitude das emoções e experiências partilhadas através da visão de cada qual, tal como se define o mundo dos livros e da palavra escrita. Naquele primeiro momento, Pedro Paulo Câmara e Carolina Cordeiro traçaram uma admirável antologia de escritores açorianos de outros tempos, Gabriela Silva apresentou entusiasticamente “Os Três Florentinos”, acerca dos autores idos da sua ilha, e Manuel Tomás contou estórias deliciosas dos seus tempos de convivência com o escritor picoense Dias de Melo.

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Mas as maiores surpresas aconteceram no sábado, fora dos auditórios e longe dos holofotes. A primeira foi a visita informal à residência de Dias de Melo, em Calheta de Nesquim. Depois de se falar da obra e vida do escritor, no dia anterior, zarpou-se à descoberta de outros pedaços da sua existência. Desde que partiu deste mundo, em 2008, que a casa onde passou os seus últimos dias está entregue a si mesma. É triste ver ao abandono os alicerces do que resta da vida de um grande homem. O segundo momento recompensador foi o generoso convite para conhecer o escritor Ermelindo Ávila na sua própria casa. O ambiente enriquecido pelas coloridas paredes vestidas de livros e de fotografias deixou o grupo de alma cheia. A figura inspiradora do autor picoense, que celebra o centenário ainda este ano, reavivou a paixão dos presentes.

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Durante a tarde, partilharam-se experiências literárias entre os escritores convidados. Tive o prazer de falar do caminho já trilhado e de ficar a conhecer melhor os percursos de Carolina Cordeiro, Cátia Martins, Gabriela Silva, Helena Pereira, Lucília Gonçalves, Malvina Sousa, Nuno Cabral e Pedro Paulo Câmara. Ilda Silva trouxe as obras de Amélia Meireles e de Patrícia Carreiro. Conhecer estas pessoas e as suas histórias foi uma lufada de ar fresco! Terry Costa, diretor da MiratecArts, anunciou também Nuno Rafael Costa como o vencedor do Prémio Discover Azores 2015, com o seu texto Amor-Basalto. Ao final do dia, presenciámos a cerimónia de lançamento do livro O Pintor Excessivo, de Manuel Tomás. Os eventos decorreram sempre debaixo da objetiva atenta de Mário Lino e com a companhia da artista Verónica Melo.

11252243_832555380169871_7303501761994773272_nA vertente gastronómica do Azores Fringe Festival não pode ser posta de parte. Depois de várias incursões nas especialidades da culinária picoense, o encontro terminou no domingo com o “Brunch de Letras”, mais uma oportunidade para ligar a literatura ao prato. Declamou-se poesia de uns e de outros, para outros e para todos. Terry Costa, além de responsável por colocar o local de Mirateca num pedestal, está mais uma vez de parabéns, por proporcionar a união dos açorianos através das artes. Um exemplo de empreendedorismo que quebra fronteiras e trilha novos caminhos, mesmo com recursos limitados. Imagine-se o que poderia ser feito com os cordões da bolsa desapertados.

Batéis de Lava

A minha torre de controlo fica do lado dos Mosteiros. A vista é amorosa. Demasiado ventoso, no entanto. Os rebocadores vão na frente, arrastando São Miguel e Santa Maria. Esta manhã, avistei a Terceira e comuniquei com a torre deles. Murmuraram que aquilo era histórico. Li o manifesto de carga, autorizei-o com uma impressão digital e avisei a coitada da Mafalda que ia descansar. Via-se o quebranto na cara dela, naquele sorriso esmorecido, mas o balançar estava a nausear-me. Fui egoísta e recolhi-me aos meus aposentos.

O quarto está cada vez mais nojento, cheio de embalagens de comida e latas vazias de cerveja sintética. Afastei um par de calças e um blusão, para poder esticar as pernas na cama. Dizem que eu devia viver noutro lugar do mundo, mas acho que o melhor está para chegar. Desde aquele dia histórico, em que o primeiro voo de baixo custo pisou solo micaelense, que ando à espera. Já lá vão vinte anos. Sou paciente.

Quando começou a era low-cost, pensaram que o turista de bilhete económico só andava de mochila e de chinelo no dedo. Esqueceram-se de que, quando se poupa na viagem, gasta-se no destino. E quando se pode gastar mais, exige-se mais. Seis anos depois, deu-se o clique. Esta geração começou a mostrar o que valia. Foi quando recebi o telefonema que mudou a minha vida: “Francisco, querem contratar-te para liderar a Operação Batéis de Lava”.

Os especialistas em geologia, vulcanologia, oceanografia, sismologia, e de tudo o que acabava em ia, queriam uma coisa inédita: unir as nove ilhas. Fisicamente. Na altura, gargalhei, mas são eles que agora me pagam. Primeiro, apareceram as lanchas rápidas, táxis marítimos interinsulares com viagens frequentes, incluindo ligações a Lisboa e à Madeira. Depois, queriam pontes, mas eram muito caras. Um tal arquiteto desenhou uma rede tubular subaquática, comboios magnéticos de alta velocidade em túneis submersos, mas foi a loucura que venceu: “vamos partir os alicerces das ilhas e rebocá-las”, disseram-me. Seríamos uma só ilha, um só povo. Seríamos?

Desconfiei de estarem sob o efeito de alucinogénios ou a ler A Jangada de Pedra. O certo é que Saramago tinha antevisto que a Europa se desmantelaria, e a União Europeia acabou por se transformar na União do Norte. Os países do sul, que eles carinhosamente tratavam por PIGS, foram mesmo chafurdar para a pocilga, e o euro para a numismática que os pariu.

“Juntemos as ilhas!”, apregoavam. Na televisão e na hipernet só se falou disso, durante anos. Foram debates mais acesos do que quando a companhia aérea regional também se tornou barata, mesmo para as Américas — aquilo é que foi uma briga de comadres, com os podres todos a brotar!

O Pico era intocável, porque era uma ilha pesada e dava uma boa âncora. A Horta estava montada na Madalena, Velas de São Jorge colada a São Roque do Pico, e a Graciosa encaixada entre o norte do Faial e a Ponta dos Rosais. O Grupo Ocidental já terminava a viagem, com a Vila do Corvo encravada na Ponta Delgada florentina. Estavam a encanar Santa Cruz das Flores pela Ponta dos Capelinhos adentro. Os jorgenses não queriam ficar sem a Fajã de Santo Cristo, por isso, o Monte Brasil ficou ao lado. Comigo nos comandos, o norte de Santa Maria enfileirou-se na baía da Povoação, e as duas ilhas do Grupo Oriental flutuam, agora, de braço dado, com o Ilhéu da Vila e as Formigas a reboque. Estamos a caminho da Terceira. A marina de Ponta Delgada ficará defronte dos Biscoitos e Vila Franca do Campo vai fazer baía com a Praia da Vitória.

Tenho visto muita coisa: a população a aumentar, a escassez da água, os hotéis espaciais, o aumento das temperaturas, a queda dos drones, as migrações para norte, as próteses biónicas, a cura para a doença de Alzheimer, os desportos para a quarta idade e a extinção dos rinocerontes. Diziam que a tecnologia ia ultrapassar todas as barreiras. A hipernet liga os computadores, eletrodomésticos, robôs e candeeiros de mesa. Fez ruir empresas e deu voz aos pacóvios. Só quando todos se fartaram de ler mediocridades nas redes sociais é que se começou a construir um mundo novo.

Lembro-me de sonhar com esse mundo, quando era jovem. Tinha o sangue na guelra e muitas ideias, mas poucos as ouviam, e ainda menos as valorizavam. Era difícil vingar rodeado de fatos cinzentos e gravatas escarlate, mas cada um sabe do que percebe. É preciso trincar-lhes os calcanhares para se meterem no seu lugar. Sim, porque nem todos são filhos ou cunhados de peixe graúdo. É preciso valorizar o saber-fazer, mais do que o politicamente elegante. E há tanta gente que sabe fazer! Eu sei fazer tanta coisa, mas nunca me pareceu que precisassem disso, aqui.

Não se vive só de ideias, mas o amanhã aproxima-se, um dia de cada vez. Além disso, para mudar o futuro de uma sociedade, primeiro temos que imaginá-lo. As coisas mudaram. Admiro as máquinas de lavar vacas, que tocam música clássica e tratam-nas pelo nome, enquanto lhes esfregam o coiro. Aumenta-lhes a produção. Os agroturistas pagam fortunas para lhes tirar o leite — sem quotas —, conduzir tratores, apanhar batata e dormir à lareira. Como é que ninguém se tinha lembrado disso? Valorizamos o que produzimos e o que temos, e o produto daqui é melhor do que o de fora. E o mar é a nossa casa. Sempre foi, mas agora é mais. Tantas milhas de território, que quase perdemos, por causa das gravatas escarlate. As modas são a maricultura e a extração de minerais que curam doenças e valem fortunas. O fundo oceânico é nosso e somos líderes na oceanografia. É muita coisa nova a acontecer.

Convidei a Mafalda para uma ida ao refeitório. Enquanto comíamos uma queijada de maracujá e bebíamos Kima de beterraba, falámos de como seria a vida numa ilha só. Continuavam a ser nove, disse-me ela, mas num território unificado, que juntaria culturas, políticas, recursos e uma educação que abriria as mentes. E também juntaria as vacas. “E as pessoas?”, perguntei-lhe, mas ela não respondeu.

in Açoriano Oriental, 18 de abril de 2015
(edição comemorativa do 180º aniversário)

“Nove Estações” em Lisboa

No primeiro de novembro, dia de prantos aos já idos, a cidade de Lisboa abriu as portas aos Açores. O espaço do Studio Teambox aperaltou-se para a Mostra LabJovem 2014, que incluiu nas prateleiras a tímida edição de bolso do Nove Estações. Este texto, que muito me aprazeu escrever, marca o final de mais um ciclo de amadurecimento, em que a variação estilística desvenda mais um pouco do que sou e não sou, mas também uma viagem à descoberta de outros tesouros para o futuro.

Fotografia da autoria de Tiago Maia.
Fotografia da autoria de Tiago Maia.

A passagem pela capital reacendeu antigos desejos de expansão, de quebrar fronteiras, como se tudo estivesse ao alcance da moeda atirada ao poço. Apesar da mesma língua — a de Camões —, na metrópole tudo se desprendeu, e os abraços souberam a verdadeira lusitanidade. Depois deste episódio, para a posteridade fica o momento marcado do virar da página, do novo capítulo, da partida para o futuro utópico que aí vem. O inverno trará o recolhimento e a colocação no papel desta maturação, tal receita que precisa de fermentar.

À cidade, digo adeus, com sabor a “até já”, porque é cada vez maior o número — e a qualidade — das pessoas e coisas, que por mim acenam, daquele lado do mar.

Filipe Frazão em Fast Forward

Há coisas que não se explicam, principalmente as que queremos mesmo explicar. Quando o conheci, ele era o baixista tímido e calado dos Anjos Negros. Tocava as notas certas, acertava no ritmo, agitava a anca moderadamente, mas mantinha-se acanhado, a um canto, quer na sala de ensaios, quer no palco. Pouco mais do que um sorriso e uma saudação obsequiosa se conseguia arrancar do rapaz.

Um dia, apesar de já ser noite, a meio de uma jantarada de amigos — que são mais do que família —, a vadiagem andava sorrateiramente na sala de estar, a remexer numa aparelhagem stereo, daquelas que ainda trazem o rótulo de hi-fi. No meio da alta fidelidade, mete disco, tira CD, e não é que me apercebo de que o rapaz acanhado tinha cantado para o microfone? Era uma gravação dele próprio, com uma voz vacilante, mas colocada, a reverberar pelas colunas e a encher a sala de carisma. Os colegas de grupo incentivavam-no, não imaginando que dali viria o projeto Lado Lunar e um dos mais recentes fenómenos da proatividade.

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Foto: Arnaldo Viveiros

Filipe Frazão não tem descansado desde então. Lembro-me de ouvir Straight Up e de ver ali um bom motor de arranque, embora ainda faltasse um pó de instrumentalização. Depois chegou Vai Ser Feliz, que evidenciou a sua primeira capacidade de diversificar o estilo. Também conquistou aqueles ouvintes sequiosos por mensagens positivas. A seguir, o Café da Saudade veio trazer a aura nostálgica e melíflua da composição ébria de Frazão. Como se não bastasse, encheu a alma dos seus seguidores com o caloroso Já Chegou o Sol, lembrando que “lá fora há um mundo para sentir”. As mensagens tornavam-se mais recheadas de significado, e é isso que se quer da música: uma boa mensagem. O sucesso seguinte foi Deixo a Cidade, e ele afirmou que “tudo vai ficar bem”. Eu concordei. Mas, melhor do que ficar bem, é ficar melhor, e Filipe Frazão sabia disso, quando escreveu É Tão Bom. É o seu mais recente êxito, mas não duvido que estejam outros a caminho.

Filipe Frazão conquistou os tops das rádios locais e prepara-se para fazer o mais difícil: conquistar outros tons em territórios mais alargados. Cuidem-se, porque ele está a caminho. Filipe Frazão tem no nome as iniciais para Fast Forward, e é assim que ele trabalha, em alta velocidade. O rapaz tímido já não o é. Ficou no ouvido, na aurícula. Abram alas.

in Jornal Terra Nostra, 06 de junho de 2014