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Dia do Autor Português

Dizem que se comemora quando as datas chegam. Feliz e sincero, com as dores da distância a apertar o coração, desejo-me na pele dos protagonistas de Nove Estações.

“Deixaram-se enamorar pelas ruas de Angra, as artérias palpitantes de vida e de amor. Cruzaram a Rua da Sé e vi­raram na Carreira dos Cavalos até à Rua da Rocha. Desceram ao areal cinzento e deixaram os pés descalços sentirem os grãos arre­fecidos da Prainha. A ondulação macia oferecia-lhes a banda sonora mais ténue e compassada que pudesse orquestrar um luar iluminado. Sentaram-se, em frente ao encaracolar do mar.”

O novo livro está no prelo e o regresso a Portugal está para breve, mas as coisas andam ao ritmo delas. Cada flor a cada florescer. Sejam felizes e leiam. Leiam muito. Continuarei a dar notícias.

Tripla reedição

Após um ano de muitas mudanças e de difíceis batalhas, anuncia-se a tripla reedição dos primeiros trabalhos para o mercado internacional, além de um novo romance ainda neste ano de 2016. Após um revés editorial que levou as obras “Bom Tempo no Canal”, “Capítulo 41” e “Nove Estações” a esgotarem na origem, a aposta é nos mercados de expressão portuguesa além-fronteiras, sobretudo o Brasil, além das comunidades luso-descendentes dos Estados Unidos, Canadá, França e Reino Unido. As novas versões em Língua Portuguesa, em papel, com capas renovadas pelo designer Miguel Maia, já estão disponíveis na Alemanha, Itália, Espanha, México, Índia, Japão, e a breve trecho na China, Holanda e Austrália.

Capas da autoria do D.er Miguel Maia.

Surfar na biblioteca

No passado dia 13, tive o prazer de comunicar com alunos da Escola Secundária Jerónimo Emiliano de Andrade. A distância que separa Coimbra de Angra do Heroísmo pareceu desaparecer durante a videoconferência que pretendia abordar a experiência da escrita nos tempos de hoje.

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A iniciativa “Aproveita a onda das TIC e vem surfar na Biblioteca”, além da cooperação da escola e do corpo docente, realizou-se após o convite da Associação Cultural Burra de Milho.

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O evento de apresentações nas escolas está enquadrado na Mostra LabJovem, Concurso Regional de Jovens Criadores dos Açores, cuja edição anterior selecionou a novela “Nove Estações”.

Regresso às origens

62680_1542870302660666_8523138424300353721_nFoi no dia doze deste segundo mês que concretizei um sonho antigo. Partilhei a minha experiência na literatura e apresentei os meus livros aos alunos de uma das escolas que me viu crescer. Foi na Biblioteca Emanuel Jorge Botelho da Escola Canto da Maia. É difícil resumir a emoção e o simbolismo do momento, não só por se tratar de um regresso às origens, mas também pela responsabilidade acrescida de me dirigir às camadas mais jovens, cujos sonhos e ambições nos enchem de encanto.

Além de falar do processo de investigação, que antecede o da escrita, frisei a importância da leitura para um desenvolvimento pessoal equilibrado. Fiquei deveras satisfeito, principalmente pelas várias questões que me colocaram, algumas delas bastante pertinentes. Notei uma sede por conhecimento e uma vontade fenomenal de partilha de experiências. No final, desafiei os alunos a darem largas à imaginação, o que aconteceu brilhantemente. Puseram no papel as suas ideias, os seus anseios, alguns em forma de poesia, outros em forma de prosa. O balanço é imensamente positivo, e os agradecimentos vão para o convite que me foi endereçado. Deixo os parabéns pelo dinamismo que esta instituição revela, assim como ao projeto Enlace, que muito me diz. Somos todos coragem.

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“Nove Estações” em Lisboa

No primeiro de novembro, dia de prantos aos já idos, a cidade de Lisboa abriu as portas aos Açores. O espaço do Studio Teambox aperaltou-se para a Mostra LabJovem 2014, que incluiu nas prateleiras a tímida edição de bolso do Nove Estações. Este texto, que muito me aprazeu escrever, marca o final de mais um ciclo de amadurecimento, em que a variação estilística desvenda mais um pouco do que sou e não sou, mas também uma viagem à descoberta de outros tesouros para o futuro.

Fotografia da autoria de Tiago Maia.
Fotografia da autoria de Tiago Maia.

A passagem pela capital reacendeu antigos desejos de expansão, de quebrar fronteiras, como se tudo estivesse ao alcance da moeda atirada ao poço. Apesar da mesma língua — a de Camões —, na metrópole tudo se desprendeu, e os abraços souberam a verdadeira lusitanidade. Depois deste episódio, para a posteridade fica o momento marcado do virar da página, do novo capítulo, da partida para o futuro utópico que aí vem. O inverno trará o recolhimento e a colocação no papel desta maturação, tal receita que precisa de fermentar.

À cidade, digo adeus, com sabor a “até já”, porque é cada vez maior o número — e a qualidade — das pessoas e coisas, que por mim acenam, daquele lado do mar.