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É poesia

Comemora-se o regresso à poesia do autor Almeida Maia com a edição de “A Escalada de um Manco”. Ao longo de onze cantos, o autor figura a persistência humana perante o erro e a adversidade. O novo texto está disponível aqui.

As edições e-manuscrito® resultam da iniciativa conjunta da APE (Associação Portuguesa de Escritores) e da plataforma escritores.online. O conceito remete para obras em formato digital, sem intervenção de terceiros, que passa directamente do escritor para o leitor através de uma plataforma electrónica.

 

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Hasta luego, Barcelona

Corro o fecho da mala e olho pela janela. O céu polido recorda-me de que o calor desta cidade está em tudo: no chão, nas paredes, nas pessoas e nos sítios. Há muito tempo que deixei de ir aos lugares que atraem os turistas. O que me seduz agora é o litoral de Badalona, o pequeno Jardín de l’Amistad, a Biblioteca Sofia Barat, a Laie e a pacatez do Barri d’Horta. Foi à beira da Platja des Pescadors que terminei a revisão do novo romance, ao som de vozes catalãs. E foi na Dreta de l’Eixample que comecei mais um.

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Casa Batlló no Dia de Sant Jordi, 2016
Troco palavras com o Adrián, o Mateu, o Robert, a Stephany e o Mero, dizendo-lhes que não sei quando regresso, mas que havemos de nos ver por aí, de certeza, não fosse o mundo um lugar pequeno. Recordo-lhes das mudanças todas destes últimos meses. As primeiras semanas trouxeram o encantamento normal da novidade, as seguintes pequenos dissabores, mas esta última equilibrou. Já olho de novo para ti com um sorriso, Barcelona. Devolveste-me o encanto que aqui me trouxe no passado.

As saudades de casa continuam, não mentirei. Estoy lejos! A compensação esteve no companheirismo gaulês da Adélie e da Florentine, no positivismo sul-americano da Trinidad, da Aline e do Germán, no pragmatismo germânico da Alisa, na sensatez do Simone e do Josef e na lusitanidade angolana da Yara. Juntos, fizemos a diferença.

Depois das estações do metropolitano e da Renfe, a mala desliza no pavimento do El Prat. A azáfama dos aeroportos extasia-me, mas as despedidas emocionam cada vez menos, principalmente se forem um virar de página. Quando se muda de capítulo, ainda dói. Penso na minha terra. Na minha família. Nos meus pais. Na minha cara-metade. Na minha filha. Ajeito os óculos escuros e sinto os olhos humedecidos. Respiro fundo e mostro o cartão de embarque. Desejam-me boa viagem, e eu sorrio. Há que continuar. Há que continuar.

Dia do Autor Português

Dizem que se comemora quando as datas chegam. Feliz e sincero, com as dores da distância a apertar o coração, desejo-me na pele dos protagonistas de Nove Estações.

“Deixaram-se enamorar pelas ruas de Angra, as artérias palpitantes de vida e de amor. Cruzaram a Rua da Sé e vi­raram na Carreira dos Cavalos até à Rua da Rocha. Desceram ao areal cinzento e deixaram os pés descalços sentirem os grãos arre­fecidos da Prainha. A ondulação macia oferecia-lhes a banda sonora mais ténue e compassada que pudesse orquestrar um luar iluminado. Sentaram-se, em frente ao encaracolar do mar.”

O novo livro está no prelo e o regresso a Portugal está para breve, mas as coisas andam ao ritmo delas. Cada flor a cada florescer. Sejam felizes e leiam. Leiam muito. Continuarei a dar notícias.

Tripla reedição

Após um ano de muitas mudanças e de difíceis batalhas, anuncia-se a tripla reedição dos primeiros trabalhos para o mercado internacional, além de um novo romance ainda neste ano de 2016. Após um revés editorial que levou as obras “Bom Tempo no Canal”, “Capítulo 41” e “Nove Estações” a esgotarem na origem, a aposta é nos mercados de expressão portuguesa além-fronteiras, sobretudo o Brasil, além das comunidades luso-descendentes dos Estados Unidos, Canadá, França e Reino Unido. As novas versões em Língua Portuguesa, em papel, com capas renovadas pelo designer Miguel Maia, já estão disponíveis na Alemanha, Itália, Espanha, México, Índia, Japão, e a breve trecho na China, Holanda e Austrália.

Capas da autoria do D.er Miguel Maia.

Surfar na biblioteca

No passado dia 13, tive o prazer de comunicar com alunos da Escola Secundária Jerónimo Emiliano de Andrade. A distância que separa Coimbra de Angra do Heroísmo pareceu desaparecer durante a videoconferência que pretendia abordar a experiência da escrita nos tempos de hoje.

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A iniciativa “Aproveita a onda das TIC e vem surfar na Biblioteca”, além da cooperação da escola e do corpo docente, realizou-se após o convite da Associação Cultural Burra de Milho.

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O evento de apresentações nas escolas está enquadrado na Mostra LabJovem, Concurso Regional de Jovens Criadores dos Açores, cuja edição anterior selecionou a novela “Nove Estações”.

Encontro de Escritores “Pedras Negras”

10411953_929937310400812_967047217096821261_nQue o Azores Fringe Festival coloca os Açores no mapa-múndi das artes, já todos sabem. O que alguns desconhecem é a energia que emana das partilhas que este acontecimento internacional proporciona. Com o epicentro na ilha do Pico, e réplicas por outras ilhas açorianas, os eventos diários transformam o mês de junho num bouquet artístico de renome.

Depois do efervescente espetáculo de abertura, na sexta-feira, que trouxe encenações de música, dança e até cuspidores de fogo, tinha chegado a hora da literatura. O encontro de escritores “Pedras Negras” revelou-se pela magnitude das emoções e experiências partilhadas através da visão de cada qual, tal como se define o mundo dos livros e da palavra escrita. Naquele primeiro momento, Pedro Paulo Câmara e Carolina Cordeiro traçaram uma admirável antologia de escritores açorianos de outros tempos, Gabriela Silva apresentou entusiasticamente “Os Três Florentinos”, acerca dos autores idos da sua ilha, e Manuel Tomás contou estórias deliciosas dos seus tempos de convivência com o escritor picoense Dias de Melo.

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Mas as maiores surpresas aconteceram no sábado, fora dos auditórios e longe dos holofotes. A primeira foi a visita informal à residência de Dias de Melo, em Calheta de Nesquim. Depois de se falar da obra e vida do escritor, no dia anterior, zarpou-se à descoberta de outros pedaços da sua existência. Desde que partiu deste mundo, em 2008, que a casa onde passou os seus últimos dias está entregue a si mesma. É triste ver ao abandono os alicerces do que resta da vida de um grande homem. O segundo momento recompensador foi o generoso convite para conhecer o escritor Ermelindo Ávila na sua própria casa. O ambiente enriquecido pelas coloridas paredes vestidas de livros e de fotografias deixou o grupo de alma cheia. A figura inspiradora do autor picoense, que celebra o centenário ainda este ano, reavivou a paixão dos presentes.

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Durante a tarde, partilharam-se experiências literárias entre os escritores convidados. Tive o prazer de falar do caminho já trilhado e de ficar a conhecer melhor os percursos de Carolina Cordeiro, Cátia Martins, Gabriela Silva, Helena Pereira, Lucília Gonçalves, Malvina Sousa, Nuno Cabral e Pedro Paulo Câmara. Ilda Silva trouxe as obras de Amélia Meireles e de Patrícia Carreiro. Conhecer estas pessoas e as suas histórias foi uma lufada de ar fresco! Terry Costa, diretor da MiratecArts, anunciou também Nuno Rafael Costa como o vencedor do Prémio Discover Azores 2015, com o seu texto Amor-Basalto. Ao final do dia, presenciámos a cerimónia de lançamento do livro O Pintor Excessivo, de Manuel Tomás. Os eventos decorreram sempre debaixo da objetiva atenta de Mário Lino e com a companhia da artista Verónica Melo.

11252243_832555380169871_7303501761994773272_nA vertente gastronómica do Azores Fringe Festival não pode ser posta de parte. Depois de várias incursões nas especialidades da culinária picoense, o encontro terminou no domingo com o “Brunch de Letras”, mais uma oportunidade para ligar a literatura ao prato. Declamou-se poesia de uns e de outros, para outros e para todos. Terry Costa, além de responsável por colocar o local de Mirateca num pedestal, está mais uma vez de parabéns, por proporcionar a união dos açorianos através das artes. Um exemplo de empreendedorismo que quebra fronteiras e trilha novos caminhos, mesmo com recursos limitados. Imagine-se o que poderia ser feito com os cordões da bolsa desapertados.

Regresso às origens

62680_1542870302660666_8523138424300353721_nFoi no dia doze deste segundo mês que concretizei um sonho antigo. Partilhei a minha experiência na literatura e apresentei os meus livros aos alunos de uma das escolas que me viu crescer. Foi na Biblioteca Emanuel Jorge Botelho da Escola Canto da Maia. É difícil resumir a emoção e o simbolismo do momento, não só por se tratar de um regresso às origens, mas também pela responsabilidade acrescida de me dirigir às camadas mais jovens, cujos sonhos e ambições nos enchem de encanto.

Além de falar do processo de investigação, que antecede o da escrita, frisei a importância da leitura para um desenvolvimento pessoal equilibrado. Fiquei deveras satisfeito, principalmente pelas várias questões que me colocaram, algumas delas bastante pertinentes. Notei uma sede por conhecimento e uma vontade fenomenal de partilha de experiências. No final, desafiei os alunos a darem largas à imaginação, o que aconteceu brilhantemente. Puseram no papel as suas ideias, os seus anseios, alguns em forma de poesia, outros em forma de prosa. O balanço é imensamente positivo, e os agradecimentos vão para o convite que me foi endereçado. Deixo os parabéns pelo dinamismo que esta instituição revela, assim como ao projeto Enlace, que muito me diz. Somos todos coragem.

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