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Tripla reedição

Após um ano de muitas mudanças e de difíceis batalhas, anuncia-se a tripla reedição dos primeiros trabalhos para o mercado internacional, além de um novo romance ainda neste ano de 2016. Após um revés editorial que levou as obras “Bom Tempo no Canal”, “Capítulo 41” e “Nove Estações” a esgotarem na origem, a aposta é nos mercados de expressão portuguesa além-fronteiras, sobretudo o Brasil, além das comunidades luso-descendentes dos Estados Unidos, Canadá, França e Reino Unido. As novas versões em Língua Portuguesa, em papel, com capas renovadas pelo designer Miguel Maia, já estão disponíveis na Alemanha, Itália, Espanha, México, Índia, Japão, e a breve trecho na China, Holanda e Austrália.

Capas da autoria do D.er Miguel Maia.

Regresso às origens

62680_1542870302660666_8523138424300353721_nFoi no dia doze deste segundo mês que concretizei um sonho antigo. Partilhei a minha experiência na literatura e apresentei os meus livros aos alunos de uma das escolas que me viu crescer. Foi na Biblioteca Emanuel Jorge Botelho da Escola Canto da Maia. É difícil resumir a emoção e o simbolismo do momento, não só por se tratar de um regresso às origens, mas também pela responsabilidade acrescida de me dirigir às camadas mais jovens, cujos sonhos e ambições nos enchem de encanto.

Além de falar do processo de investigação, que antecede o da escrita, frisei a importância da leitura para um desenvolvimento pessoal equilibrado. Fiquei deveras satisfeito, principalmente pelas várias questões que me colocaram, algumas delas bastante pertinentes. Notei uma sede por conhecimento e uma vontade fenomenal de partilha de experiências. No final, desafiei os alunos a darem largas à imaginação, o que aconteceu brilhantemente. Puseram no papel as suas ideias, os seus anseios, alguns em forma de poesia, outros em forma de prosa. O balanço é imensamente positivo, e os agradecimentos vão para o convite que me foi endereçado. Deixo os parabéns pelo dinamismo que esta instituição revela, assim como ao projeto Enlace, que muito me diz. Somos todos coragem.

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Capítulo 41 inspira espetáculo de dança

Qualquer autor anseia pela materialização das suas histórias, dos seus livros, quer seja nos palcos ou nas telas de cinema.  Foi com enorme prazer que soube, há cerca de um ano, que o livro Capítulo 41 – A Redescoberta da Atlântida era suficientemente sugestivo para inspirar um espetáculo de dança.

Cartaz do espetáculo "Atlântida"
Cartaz do espetáculo “Atlântida”

É já no próximo dia 9 de Junho que sobe ao palco do Coliseu Micaelense o espetáculo de dança aeróbica Atlântida, uma produção Corpore liderada por Alexandra Barroso, a quem deixo uma vénia, não só pelo dinamismo que a caracteriza, mas também pelo que tem ofertado ao nosso desporto nos últimos anos.

A representação teatral da mítica sociedade do passado passará por uma alucinante viagem ao Oceano Atlântico, mostrará o estilo de vida do povo atlante, a expansão do território, a luxúria e o castigo de Poseidon, o deus dos mares. Veremos o afundar da ilha-continente e o despontar dos seus píncaros: os Açores. Um evento a não perder.

Açorianos em destaque nacional

A literatura açoriana está de parabéns. O escritor e ensaísta Miguel Real acaba de destacar, na sua crónica do quinzenário Jornal de Letras de 22 de janeiro a 4 de fevereiro de 2014, nomes da nossa praça. Segundo o crítico literário, “nos Açores, sobressai a continuidade de estilo e de tema nos novos romances de Pedro Almeida Maia, Capítulo 41 – A Redescoberta da Atlântida, e Paula de Sousa Lima, Mas Deus não dá licença que partamos, autores cuja arte de escrita abre novos horizontes ao romance açoriano, especialmente, sobretudo o primeiro autor, na superação do labirinto de tristeza, saudade e melancolia de que a literatura açoriana tem vivido”.

20140122_JLNeste resumo do melhor que se fez no ano transacto, intitulado “2013: evolução na continuidade”, Miguel Real coloca a literatura regional lado a lado com grandes nomes do panorama nacional. Nas revelações, destaca autores como Ana Margarida de Carvalho, Raquel Freire, Bruno Vieira Amaral, Hugo Gonçalves, Paulo M. Morais, Filipe Homem Fonseca, Rodrigo Magalhães e Pedro Eiras, mas também com outros relevos, como Valério Romão, Manuel da Silva Ramos, Nuno Júdice, Rui Zink, Rui Vieira, António Cabrita, Carlos Alberto Machado e Afonso Cruz. Enfatiza igualmente as obras de Joana Bértholo, Valter Hugo Mãe, Gonçalo M. Tavares, Francisco Camacho, Carlos Campaniço (Prémio Cidade de Almada), Nuno Camarneiro (Prémio Leya 2012), Luís Carmelo, Manuel Dias Duarte, Fernando Esteves Pinto e Nuno Figueiredo. No romance histórico, o enfoque vai para Fernando Campos e Sérgio Luís de Carvalho. Também na Madeira, e além de Helena Marques, “surgiu um novo escritor, António Breda Carvalho, com o romance histórico O Fotógrafo da Madeira“.

Em jeito de resumo, Miguel Real afirma que, aos “autores veteranos (chamemos-lhes assim)” Rui Nunes, Mário de Carvalho, António Lobo Antunes, Rentes de Carvalho, Manuel Alegre, Agustina Bessa-Luís e Inês Pedrosa, entre outros, “aplica-se em perfeição o título deste artigo”. Na escrita romanesca, “continuam iguais a si próprios” Mário Zambujal, Miguel Sousa Tavares e José Rodrigues dos Santos, enquanto a surpresa maior vai para a estreia de Teresa Martins Marques no romance A Mulher que Venceu D. Juan, sobre a violência doméstica, o primeiro romance escrito no Facebook.

O regresso a casa

Há viagens com significado, mas os regressos podem ter sabores especiais. Este teve, depois do convite de Vasco Pernes para mais uma noite bastante sentida.

Na companhia da dinâmica mulher das letras, Patrícia Carreiro, que também apresentou o seu Fio Perdido, recapitulou-se a experiência nas lojas FNAC, as apresentações de Joaquim Fernandes e Miguel Real e a organização exímia de Terry Costa da MiratecArts na ilha do Pico, nas mais recentes aventuras literárias. Mas também falámos de futuro, de utopias, de Vamos Sentir com o Necas e de outros projetos vindouros.

Neste programa, Vasco Pernes também convida os músicos André Jorge e Luís H. Bettencourt, a Escola Profissional de Vila Franca do Campo e a Tertúlia do Petisco. Para ver o episódio completo, clique aqui.

A magia do Pico

Não era um sábado muito sedutor. Nem sequer convidava ao passeio, muito menos para um local mais “cinzento” do que a própria ilha. Mas as cores pardacentas estavam somente ao que os olhos distinguiam, porque os picoenses coloriram a Gruta das Torres com sorrisos, música e hospitalidade.

Terry Costa e os Atlantis Brass Ensemble | Fotografia de Jaime Debrum
Terry Costa e os Atlantis Brass Ensemble | Fotografia de Jaime Debrum

A ilha do Pico surpreende mais uma vez, numa apresentação que abarrotou de significado, não só porque é onde começa a história de Bom Tempo no Canal e por onde se divaga nos Maroiços do Capítulo 41, mas também pela inspiração que o “canal” oferece e pela arte de bem receber destas nossas gentes.

Seguiu-se a descida. “Fiquem sempre do vosso lado esquerdo”, alertava Maria João, a amável e experiente guia. Ligaram-se as lanternas e desceram-se os degraus escorregadios. A caverna inundou-se de luz e de mistério e, além dos pingos que caíam aqui e ali, o som de um saxofone ecoou pela vastidão do espaço.

Fotografia de Jaime Debrum
Sofia Sousa e Daniel Pena | Fotografia de Jaime Debrum

O grupo desceu até um novo patamar e embasbacou-se com a visão: a bailarina Sofia Sousa, trajando um arrojado vestido rubro, com os pés desnudos sobre a pedra basáltica, fazia rodopiar suavemente o corpo ao som do sax de Daniel Pena. Um momento arrepiante.

Como se não bastasse, depois de conquistados mais alguns metros em profundidade, numa câmara imensa e imensamente escura, iluminada apenas pelos ténues feixes de luz das lanternas, esperavam-nos outros sons. Catarina Paixão deslizava magistralmente o arco pelas cordas do violino e oferecia mais um momento de pura magia.

Aplausos | Fotografia de Jaime Debrum
Aplausos | Fotografia de Jaime Debrum

Terry Costa, o irrepreensível organizador do evento e promotor da Mirateca Arts, juntou-se ao palco improvisado na rocha vulcânica e declamou excertos da Redescoberta da Atlântida, enquanto Sofia Sousa voltava a mostrar passos de bailado inebriantes. Os aplausos pareceram ecoar teimosamente nas paredes gélidas, num misto de emoções que incluía a admiração. Depois da subida, falou-se de livros, de Açores, de histórias e de aventuras.

Depois, um convívio mais próximo, muito mais pessoal. Um a um, os convidados usaram da palavra e partilharam as suas visões, os seus ideais. Biscoitos, uma bebida licorosa, dedicatórias, risos e abraços. Muitos abraços! Quem me dera ser um gigante, para poder abraçar a ilha montanha. Não há palavras suficientes que possam eternizar o reconhecimento por estes momentos muito bem passados.

O capítulo viajante

Para não correr o risco de ficar circunscrito, o tubo metálico azul e branco da companhia aérea arquipelágica contrariou a gravidade e permeou as nuvens. Deixou a ilha verde, rumo ao território da metrópole, sedento de mares atlânticos, talvez nunca dantes navegados. Se publicar e ver reconhecido um pequeno percurso literário tem sido uma escalada prazerosa, a ida às lojas FNAC foi um bungee jumping invertido.

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Na cidade invicta, o professor universitário e autor Joaquim Fernandes brindou a audiência com extratos da prodigiosa História deste país à beira-mar plantado. Depois, falou da lenda, tão bem narrada por ele próprio, do Cavaleiro da Ilha do Corvo, obra que também inspirou o Capítulo 41.

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Já por terras lisboetas, Alfragide destacou o evento e recebeu de braços abertos as letras açorianas.

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A loja FNAC do Centro Comercial Colombo encerrou a odisseia da melhor maneira possível, com uma palestra motivadora e enriquecedora do grande Miguel Real.