Arquivo da categoria: Saudações e Desabafos

O Abraço do Priolo

Como convidado do mês da revista literária eletrónica Enfermaria 6, Pedro Almeida Maia publicou o conto inédito intitulado “O Abraço do Priolo”, que pode ser lido na íntegra no blogue da publicação.

No conto, o autor açoriano iniciou-se em 2015, com “Batéis de Lava”, para a edição comemorativa do 180º aniversário do Açoriano Oriental. Seguiu-se “O Galheteiro de Prata”, selecionado para a Antologia de Contos do Centro de Estudos Mário Cláudio (2018), e “A Olaria da Esquina”, para a coletânea Este ano desembrulha o Natal (2019).

Até agora, tudo bem

Perdi a conta às vezes que tenho feito as malas. Assentei em Coimbra e em Barcelona, escrevendo a tese, manuais, recensões e mais romances, antes de pendurar o casaco em Braga. Fazendo ainda mais amizades e deixando ainda mais saudades, percorri o território nortenho, ao lado da Cris, também ela a terminar os seus dois anos pela Europa. Temos explorado o desconhecido — a ver se também nos conhecemos um pouco melhor a nós próprios — além de ambicionarmos ainda maiores desafios para a vida.

fullsizerenderLembro-me da roadtrip de 1200 quilómetros até Angers, quando estacionámos a meio caminho para pernoitar em San Sebastián. Apesar de todas as estrelas Michelin e dos restaurantes gourmet, sentámo-nos numa tasca e pedimos cañas e pintxos. Não há dúvida de que acabamos quase sempre por escolher as coisas simples da vida.

Depois de outra temporada em Coimbra, desta vez juntos, foi mesmo isso que fizemos: regressámos aos Açores para um descanso merecido. Abraçar a família e as filhas é das tais coisas simples da vida, prazeres de que temos abdicado para procurar o que nos realize. O ano acabou e começou outro, com mais abraços e novos planos, muitos deles em aberto. Por vezes, é difícil só saber dos próximos três meses das nossas vidas. Têm-nos dito que é preciso coragem. Mas, olhem, andaremos mais uns tempos ao sabor do vento. Há que continuar.

Hasta luego, Barcelona

Corro o fecho da mala e olho pela janela. O céu polido recorda-me de que o calor desta cidade está em tudo: no chão, nas paredes, nas pessoas e nos sítios. Há muito tempo que deixei de ir aos lugares que atraem os turistas. O que me seduz agora é o litoral de Badalona, o pequeno Jardín de l’Amistad, a Biblioteca Sofia Barat, a Laie e a pacatez do Barri d’Horta. Foi à beira da Platja des Pescadors que terminei a revisão do novo romance, ao som de vozes catalãs. E foi na Dreta de l’Eixample que comecei mais um.

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Casa Batlló no Dia de Sant Jordi, 2016
Troco palavras com o Adrián, o Mateu, o Robert, a Stephany e o Mero, dizendo-lhes que não sei quando regresso, mas que havemos de nos ver por aí, de certeza, não fosse o mundo um lugar pequeno. Recordo-lhes das mudanças todas destes últimos meses. As primeiras semanas trouxeram o encantamento normal da novidade, as seguintes pequenos dissabores, mas esta última equilibrou. Já olho de novo para ti com um sorriso, Barcelona. Devolveste-me o encanto que aqui me trouxe no passado.

As saudades de casa continuam, não mentirei. Estoy lejos! A compensação esteve no companheirismo gaulês da Adélie e da Florentine, no positivismo sul-americano da Trinidad, da Aline e do Germán, no pragmatismo germânico da Alisa, na sensatez do Simone e do Josef e na lusitanidade angolana da Yara. Juntos, fizemos a diferença.

Depois das estações do metropolitano e da Renfe, a mala desliza no pavimento do El Prat. A azáfama dos aeroportos extasia-me, mas as despedidas emocionam cada vez menos, principalmente se forem um virar de página. Quando se muda de capítulo, ainda dói. Penso na minha terra. Na minha família. Nos meus pais. Na minha cara-metade. Na minha filha. Ajeito os óculos escuros e sinto os olhos humedecidos. Respiro fundo e mostro o cartão de embarque. Desejam-me boa viagem, e eu sorrio. Há que continuar. Há que continuar.

Dia do Autor Português

Dizem que se comemora quando as datas chegam. Feliz e sincero, com as dores da distância a apertar o coração, desejo-me na pele dos protagonistas de Nove Estações.

“Deixaram-se enamorar pelas ruas de Angra, as artérias palpitantes de vida e de amor. Cruzaram a Rua da Sé e vi­raram na Carreira dos Cavalos até à Rua da Rocha. Desceram ao areal cinzento e deixaram os pés descalços sentirem os grãos arre­fecidos da Prainha. A ondulação macia oferecia-lhes a banda sonora mais ténue e compassada que pudesse orquestrar um luar iluminado. Sentaram-se, em frente ao encaracolar do mar.”

O novo livro está no prelo e o regresso a Portugal está para breve, mas as coisas andam ao ritmo delas. Cada flor a cada florescer. Sejam felizes e leiam. Leiam muito. Continuarei a dar notícias.

5 Anos de Literatura

Passaram cinco anos desde o Prémio Literário Letras em Movimento, que abriu as portas para um percurso improvável. Desde então, trabalhou-se muito em muito pouco tempo. 2015, no entanto, foi um ano de reflexão, ponderação, escrita e investigação. Doze meses de aprendizagem, grandes lições e reviravoltas. Mas há novidades na forja. 2016 trará um novo romance e novas edições dos livros que estão a esgotar.

Convido os leitores a juntarem-se a esta viagem, assinando a newsletter, subscrevendo as redes sociais, partilhando os conteúdos e participando na jornada. Valerá a pena. Prometo.

A história pode ser contada em fotos. Clique na imagem para ver.

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Ilhéu Conimbricense

Mudança é vida. Fazer as malas e deixar para trás um arquipélago inteiro pode não parecer doloroso, mas as ilhas têm pessoas, e uma parte delas está no meu coração. A rotina diária tem imenso para me ocupar, mas a saudade está sempre presente, como se andasse na rua com um balão amarrado ao dedo, a esvoaçar por cima de mim. Sabe bem apreciar o movimento desta cidade a contradizer a pacatez do rio, mas há uma coisa que me faz falta nestas águas: o sal. Não é o do oceano, é o das lágrimas que enfeitam os meus sorrisos.

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Este foi e pode voltar a ser o meu discurso, mas a verdade é que as mudanças são essenciais à sobrevivência. Não me refiro à sobrevivência crua, aquela das necessidades básicas, mas sim à que alimenta a alma. Abracei o mote de que “um escritor que não viaja não escreve, circunscreve-se”, mas posso adaptar essa mesma premissa a qualquer âmbito da vida pessoal e profissional. Rasgar os horizontes é descobrir que somos capazes de fazer mais e melhor. O dia em que se abandona a zona de conforto é o dia em que se começa a viver. As águias constroem os ninhos à beira de precipícios, e as crias não têm outra hipótese senão aprenderem a voar.

Esta também é uma cidade com história, cultura, alma, fado, ciência e conhecimento. Mata-se a sede do saber e entra-se nos rituais académicos, para o bem e para o mal. Por aqui passou Antero de Quental e estas paisagens inspiraram outros poetas e escritores aclamados. Não procuro aclamação, mas admito ter cortado o cordão umbilical das letras. Foram-me colocados novos desafios, novas metas, e não tenho como dizer não. Só digo não se me pedirem para cortar as minhas raízes.

IMG_4409É a sede pelo conhecimento que me move, o querer perceber, entender e depois transbordar. É esta psicologia misturada com trabalho que me começa a entrar no sangue e a mover-me em direções excitantes. Em qualquer mar que se navegue, alguma coisa tem de ficar para trás para que se chegue mais adiante. Seja para um futuro melhor, para nós ou para os nossos filhos, para os nossos ou para os vossos, para os próximos ou não tão distantes, quer seja pela crise, pela escassez ou pela fraqueza, um homem não pode ficar só a olhar. Tem de agir.

O majestoso Mondego não tem sal nas suas águas, mas tem agora um ilhéu que o admira, longe da casa que o viu nascer, longe do mar que o viu crescer. E esse ilhéu está a renascer.

Um ano assim

Ainda estávamos em janeiro, quando Miguel Real publicou no Jornal de Letras a revisão “2013: evolução na continuidade”, afirmando que “nos Açores, sobressai a continuidade de estilo e de tema nos novos romances de Pedro Almeida Maia, Capítulo 41 – A Redescoberta da Atlântida, e Paula de Sousa Lima, Mas Deus não dá licença que partamos, autores cuja arte de escrita abre novos horizontes ao romance açoriano, especialmente, sobretudo o primeiro autor, na superação do labirinto de tristeza, saudade e melancolia de que a literatura açoriana tem vivido”.

Os livros infantis da psicologia Vamos Sentir com o Necas, escritos em co-autoria com Célia Barreto Carvalho e Suzana Nunes Caldeira, e ilustrações de Ana Correia, viram a luz do dia em março, com o lançamento de Os Vencedores do Medo, posteriormente incluído no Plano Regional de Leitura 2014/2015. Seguiu-se o volume dois, intitulado O Primeiro Dia de Aulas, lançado em outubro, dando à coleção e às crianças novos instrumentos para lidar com os medos.

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Em abril, nasceu Cronicista, uma série de crónicas de “um ajudante de escaparate a cientificar pela crónica, embora nunca cronicando; um crónico que rabisca croniquetices sem respeitar as leis cronísticas; um imoral corrupto da croniqueta que se enraíza nos anais da história breve; um homem que nem é cronista nem ensaísta, muito menos trocista; ou um adepto da cronicidade das coisas”. Contrapôs o Pavilhão Auricular com um lado irónico e sarcástico.

O mês de maio profetizou a ponte atlântica com os escritores nacionais do Colectivo NAU. Ana Saragoça, Carla M. Soares, Cristina Drios, João Rebocho Pais, Paulo M. Morais, Pedro Almeida Maia, Raquel Serejo Martins e Sónia Alcaso uniram-se para uma experiência de divulgação dos valores da escrita.

Em junho, o romance Capítulo 41 – A Redescoberta da Atlântida subiu ao palco do Coliseu Micaelense, na forma de espetáculo de dança. Atlântida foi uma representação teatral da mítica sociedade do passado. No mesmo mês, a poesia Vinhas e Epigeus foi distinguida com o Prémio Discover Azores 2014, pela picoense Miratecarts.

Atlântida

O ano contou ainda com a edição digital e uma tiragem comemorativa do drama Nove Estações, um dos quatro textos selecionados para a categoria de literatura da Mostra LabJovem 2014, com organização da Direção Regional da Juventude do Governo dos Açores. Além da passagem por várias ilhas açorianas, a exposição patenteou em Lisboa no mês de novembro.

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Se o ano que agora termina reuniu trabalho e entrega, além de reconhecimento e curiosidade dos leitores, 2015 trará novos e empolgantes projetos. Debaixo da pena está uma ficção a ter lugar num futuro utópico, uma viagem por cenários deslumbrantes, com ilhas, oceanos e continentes transformados. Um mundo que trará não só receios antigos, mas também respostas e novos desafios. De igual forma, desejo aos leitores, e aos que me acompanham nesta caminhada, um ano feliz e realizado!

Grato pela vossa companhia.

“Nove Estações” em Lisboa

No primeiro de novembro, dia de prantos aos já idos, a cidade de Lisboa abriu as portas aos Açores. O espaço do Studio Teambox aperaltou-se para a Mostra LabJovem 2014, que incluiu nas prateleiras a tímida edição de bolso do Nove Estações. Este texto, que muito me aprazeu escrever, marca o final de mais um ciclo de amadurecimento, em que a variação estilística desvenda mais um pouco do que sou e não sou, mas também uma viagem à descoberta de outros tesouros para o futuro.

Fotografia da autoria de Tiago Maia.
Fotografia da autoria de Tiago Maia.

A passagem pela capital reacendeu antigos desejos de expansão, de quebrar fronteiras, como se tudo estivesse ao alcance da moeda atirada ao poço. Apesar da mesma língua — a de Camões —, na metrópole tudo se desprendeu, e os abraços souberam a verdadeira lusitanidade. Depois deste episódio, para a posteridade fica o momento marcado do virar da página, do novo capítulo, da partida para o futuro utópico que aí vem. O inverno trará o recolhimento e a colocação no papel desta maturação, tal receita que precisa de fermentar.

À cidade, digo adeus, com sabor a “até já”, porque é cada vez maior o número — e a qualidade — das pessoas e coisas, que por mim acenam, daquele lado do mar.

O segundo Necas

Depois do impacto de “Os Vencedores do Medo”, que já vai na 2ª edição, chega “O Primeiro Dia de Aulas”, o segundo volume da coleção “Vamos Sentir com o Necas”, da autoria de Célia Barreto Carvalho, Suzana Nunes Caldeira e Pedro Almeida Maia, com ilustrações de Ana Correia. O evento será aberto ao público e terá lugar no Terminal Marítimo das Portas do Mar, em Ponta Delgada, na sexta-feira, 17 de outubro de 2014, às 18h30, com apresentação de Carolina Cordeiro. Necas: capa do vol. 2A coleção é um projeto fundamentado na Psicologia que ajuda as crianças a lidar com as emoções, como forma de favorecer a auto-estima, fomentar a sã convivência e facilitar o sucesso escolar. Em cada livro, o leitor encontrará uma história atrativa, em que os protagonistas são um grupo de crianças e o seu amigo especial, o golfinho Necas. Cada história é seguida de uma secção interativa de estratégias que correspondem a um conjunto de ferramentas simplificadas para ajudar a criança a lidar com as suas emoções e, assim, sair-se melhor no dia-a-dia, quer seja na escola, em casa ou com os amigos.

Este regresso dos amigos António, Rita, Luana, Maria, Li e Mariana foca as ansiedades dos primeiros dias numa nova escola, ou o primeiro contacto com o ambiente escolar, assim como todas dúvidas e inquietações implicadas. O golfinho Necas faz a identificação das emoções e ensina aos amigos, numa linguagem simples e direta, a função que estas têm na nossa sobrevivência e a forma de as utilizar na promoção do bem-estar. Além dos dez volumes previstos para a coleção, está também em planificação a edição de um manual direcionado aos profissionais da área, a anunciar oportunamente. O evento, no ambiente das Portas do Mar, decorrerá num formato pouco habitual, mais dirigido às próprias crianças, oferecendo muita animação e diversão.

Célia Barreto Carvalho, Suzana Nunes Caldeira, Ana Correia e Pedro Almeida Maia, na apresentação da 2ª edição de "Os Vencedores do Medo", que decorreu na ilha do Faial, Açores.
Célia Barreto Carvalho, Suzana Nunes Caldeira, Ana Correia e Pedro Almeida Maia, na apresentação da 2ª edição de “Os Vencedores do Medo”, na ilha do Faial, Açores.

Para ficar a conhecer melhor o projeto, pode visitar a página do facebook ou a inclusão na rede literária goodreads. Também já é possível efetuar encomendas pelo endereço publicor@publicor.pt.

Capítulo 41 inspira espetáculo de dança

Qualquer autor anseia pela materialização das suas histórias, dos seus livros, quer seja nos palcos ou nas telas de cinema.  Foi com enorme prazer que soube, há cerca de um ano, que o livro Capítulo 41 – A Redescoberta da Atlântida era suficientemente sugestivo para inspirar um espetáculo de dança.

Cartaz do espetáculo "Atlântida"
Cartaz do espetáculo “Atlântida”

É já no próximo dia 9 de Junho que sobe ao palco do Coliseu Micaelense o espetáculo de dança aeróbica Atlântida, uma produção Corpore liderada por Alexandra Barroso, a quem deixo uma vénia, não só pelo dinamismo que a caracteriza, mas também pelo que tem ofertado ao nosso desporto nos últimos anos.

A representação teatral da mítica sociedade do passado passará por uma alucinante viagem ao Oceano Atlântico, mostrará o estilo de vida do povo atlante, a expansão do território, a luxúria e o castigo de Poseidon, o deus dos mares. Veremos o afundar da ilha-continente e o despontar dos seus píncaros: os Açores. Um evento a não perder.

O barco vai de saída

jantar-nau1Não é uma analogia faustiana, até porque não vamos por este rio acima nem nos limitamos ao cais de Alfama, será antes uma viagem inaugural com uma tripulação reduzida, mas resiliente. Não te levamos connosco, ó cana verde, mas trazemos páginas e páginas que resistirão às maiores tormentas do trono das águas.

E assim se unem as vozes do Cole©tivo NAU, num uníssono reverberante, em estilos únicos, desiguais; juntaram-se à esquina de uma tasca lisboeta, o Sardinha, menos um — eu — que chegarei depois, mas estavam lá os livros. Os nossos. E a paixão por eles também.

É com orgulho e prazer que faço a ponte atlântica, desde aqui, com estes marujos das letras, editados no cont’nente que se diz ser portuga e agora com uma costela açoriana. Somos nós: Ana Saragoça, Carla M. Soares, Cristina Drios, João Rebocho Pais, Paulo M. Morais, Pedro Almeida Maia, Raquel Serejo Martins e Sónia Alcaso.

Depois das iscas e alheiras alfacinhas do primeiro convívio, ainda provarão morcela da nossa, uma queijada da vila ou uma alcatra à maneira. Até breve.

Novas aventuras

Foi no ambiente académico que surgiram os primeiros contactos acerca do Necas, por parte das professoras Dr.ª Célia Barreto Carvalho e Dr.ª Suzana Nunes Caldeira. Aceitei sem qualquer tipo de hesitação. Mas não me vou desligar da prosa, podem ficar descansados os leitores mais graúdos.

Capa do primeiro volume, ilustração de Ana Correia
Capa do primeiro volume, ilustração de Ana Correia

O convite era irrecusável. Escrever na área da Psicologia já era um desejo meu, experimentar públicos-alvo diferentes também e a minha condição de pai também contribuiu, mas é preciso admitir que não teria legitimidade suficiente para fazê-lo sozinho. Se juntarmos o privilégio que é trabalhar com profissionais de experiência reconhecida, temos a combinação perfeita.

Assim, a 14 de março de 2014, a Biblioteca e Arquivo Regional de Ponta Delgada será o palco para o lançamento do livro “Os Vencedores do Medo”, o primeiro volume da coleção de livros infantis “Vamos Sentir com o Necas”, escrito em co-autoria com Célia Barreto Carvalho e Suzana Nunes Caldeira, com ilustrações de Ana Correia. Além da presença de inúmeras individualidades, a apresentação ficará a cargo da Dr.ª Natália Almeida. O projeto tem a chancela da Letras Lavadas edições, grupo Publiçor, a quem dirijo mais um reconhecimento.

A coleção é um projeto fundamentado na Psicologia que trabalha as emoções nas crianças para favorecer a auto estima, fomentar a sã convivência e facilitar o sucesso escolar. 
Em cada livro, o leitor, seja a criança ou o educador, pai/mãe ou professor, irá encontrar uma história atrativa, em que os protagonistas são um grupo de crianças e o seu amigo especial, o golfinho Necas. Cada história é seguida de uma secção interativa de estratégias que correspondem a um conjunto de ferramentas simplificadas para ajudar a criança a lidar com as suas emoções e, assim, sair-se melhor no dia-a-dia, quer seja na escola, em casa ou com os amigos.

Não é fácil explicar a uma criança a diferença entre os medos falsos e os que são realmente necessários à sobrevivência, ou como distinguir os pensamentos importantes dos descartáveis, mas, com uma linguagem acessível e uma boa dose de criatividade, queremos mostrar que é possível. Para já, estão previstos dez livros e um manual. Os restantes volumes tratarão outras emoções, como a alegria, a tristeza, o nojo e a raiva, entre outras. As crianças das histórias, o António, a Rita, a Luana, a Maria, o Li e a Mariana, sofrem das mesmas dúvidas e têm as mesmas ansiedades das crianças dos nossos dias. Cada história pode ser lida isoladamente, dando aos educadores a possibilidade de agirem com mais rigor, mas os diferentes temas vão complementar-se. O manual será uma ferramenta adicional para os profissionais da área, uma coleção de exercícios e técnicas que podem contribuir para uma intervenção mais eficaz.

Açorianos em destaque nacional

A literatura açoriana está de parabéns. O escritor e ensaísta Miguel Real acaba de destacar, na sua crónica do quinzenário Jornal de Letras de 22 de janeiro a 4 de fevereiro de 2014, nomes da nossa praça. Segundo o crítico literário, “nos Açores, sobressai a continuidade de estilo e de tema nos novos romances de Pedro Almeida Maia, Capítulo 41 – A Redescoberta da Atlântida, e Paula de Sousa Lima, Mas Deus não dá licença que partamos, autores cuja arte de escrita abre novos horizontes ao romance açoriano, especialmente, sobretudo o primeiro autor, na superação do labirinto de tristeza, saudade e melancolia de que a literatura açoriana tem vivido”.

20140122_JLNeste resumo do melhor que se fez no ano transacto, intitulado “2013: evolução na continuidade”, Miguel Real coloca a literatura regional lado a lado com grandes nomes do panorama nacional. Nas revelações, destaca autores como Ana Margarida de Carvalho, Raquel Freire, Bruno Vieira Amaral, Hugo Gonçalves, Paulo M. Morais, Filipe Homem Fonseca, Rodrigo Magalhães e Pedro Eiras, mas também com outros relevos, como Valério Romão, Manuel da Silva Ramos, Nuno Júdice, Rui Zink, Rui Vieira, António Cabrita, Carlos Alberto Machado e Afonso Cruz. Enfatiza igualmente as obras de Joana Bértholo, Valter Hugo Mãe, Gonçalo M. Tavares, Francisco Camacho, Carlos Campaniço (Prémio Cidade de Almada), Nuno Camarneiro (Prémio Leya 2012), Luís Carmelo, Manuel Dias Duarte, Fernando Esteves Pinto e Nuno Figueiredo. No romance histórico, o enfoque vai para Fernando Campos e Sérgio Luís de Carvalho. Também na Madeira, e além de Helena Marques, “surgiu um novo escritor, António Breda Carvalho, com o romance histórico O Fotógrafo da Madeira“.

Em jeito de resumo, Miguel Real afirma que, aos “autores veteranos (chamemos-lhes assim)” Rui Nunes, Mário de Carvalho, António Lobo Antunes, Rentes de Carvalho, Manuel Alegre, Agustina Bessa-Luís e Inês Pedrosa, entre outros, “aplica-se em perfeição o título deste artigo”. Na escrita romanesca, “continuam iguais a si próprios” Mário Zambujal, Miguel Sousa Tavares e José Rodrigues dos Santos, enquanto a surpresa maior vai para a estreia de Teresa Martins Marques no romance A Mulher que Venceu D. Juan, sobre a violência doméstica, o primeiro romance escrito no Facebook.

O regresso a casa

Há viagens com significado, mas os regressos podem ter sabores especiais. Este teve, depois do convite de Vasco Pernes para mais uma noite bastante sentida.

Na companhia da dinâmica mulher das letras, Patrícia Carreiro, que também apresentou o seu Fio Perdido, recapitulou-se a experiência nas lojas FNAC, as apresentações de Joaquim Fernandes e Miguel Real e a organização exímia de Terry Costa da MiratecArts na ilha do Pico, nas mais recentes aventuras literárias. Mas também falámos de futuro, de utopias, de Vamos Sentir com o Necas e de outros projetos vindouros.

Neste programa, Vasco Pernes também convida os músicos André Jorge e Luís H. Bettencourt, a Escola Profissional de Vila Franca do Campo e a Tertúlia do Petisco. Para ver o episódio completo, clique aqui.

A magia do Pico

Não era um sábado muito sedutor. Nem sequer convidava ao passeio, muito menos para um local mais “cinzento” do que a própria ilha. Mas as cores pardacentas estavam somente ao que os olhos distinguiam, porque os picoenses coloriram a Gruta das Torres com sorrisos, música e hospitalidade.

Terry Costa e os Atlantis Brass Ensemble | Fotografia de Jaime Debrum
Terry Costa e os Atlantis Brass Ensemble | Fotografia de Jaime Debrum

A ilha do Pico surpreende mais uma vez, numa apresentação que abarrotou de significado, não só porque é onde começa a história de Bom Tempo no Canal e por onde se divaga nos Maroiços do Capítulo 41, mas também pela inspiração que o “canal” oferece e pela arte de bem receber destas nossas gentes.

Seguiu-se a descida. “Fiquem sempre do vosso lado esquerdo”, alertava Maria João, a amável e experiente guia. Ligaram-se as lanternas e desceram-se os degraus escorregadios. A caverna inundou-se de luz e de mistério e, além dos pingos que caíam aqui e ali, o som de um saxofone ecoou pela vastidão do espaço.

Fotografia de Jaime Debrum
Sofia Sousa e Daniel Pena | Fotografia de Jaime Debrum

O grupo desceu até um novo patamar e embasbacou-se com a visão: a bailarina Sofia Sousa, trajando um arrojado vestido rubro, com os pés desnudos sobre a pedra basáltica, fazia rodopiar suavemente o corpo ao som do sax de Daniel Pena. Um momento arrepiante.

Como se não bastasse, depois de conquistados mais alguns metros em profundidade, numa câmara imensa e imensamente escura, iluminada apenas pelos ténues feixes de luz das lanternas, esperavam-nos outros sons. Catarina Paixão deslizava magistralmente o arco pelas cordas do violino e oferecia mais um momento de pura magia.

Aplausos | Fotografia de Jaime Debrum
Aplausos | Fotografia de Jaime Debrum

Terry Costa, o irrepreensível organizador do evento e promotor da Mirateca Arts, juntou-se ao palco improvisado na rocha vulcânica e declamou excertos da Redescoberta da Atlântida, enquanto Sofia Sousa voltava a mostrar passos de bailado inebriantes. Os aplausos pareceram ecoar teimosamente nas paredes gélidas, num misto de emoções que incluía a admiração. Depois da subida, falou-se de livros, de Açores, de histórias e de aventuras.

Depois, um convívio mais próximo, muito mais pessoal. Um a um, os convidados usaram da palavra e partilharam as suas visões, os seus ideais. Biscoitos, uma bebida licorosa, dedicatórias, risos e abraços. Muitos abraços! Quem me dera ser um gigante, para poder abraçar a ilha montanha. Não há palavras suficientes que possam eternizar o reconhecimento por estes momentos muito bem passados.

Capítulos com bom tempo

10 de Setembro passou e deixou boas recordações. Amigos, família, entidades  e leitores anónimos juntaram-se na mesma sala e beberam do mesmo entusiasmo que esta aventura tem trazido.

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Uma experiência sensacional, cheia de momentos emotivos e de palavras sentidas. Discursos impactantes e recheados de energia positiva para o futuro.

Desde os anfitriões da acolhedora Biblioteca Púbica e Arquivo Regional de Ponta Delgada até aos ilustres convidados, tudo pareceu estar alinhado para uma noite memorável. E assim foi.

Emoções que prometem repetir-se brevemente. Os eventos e as oportunidades sucedem-se, cada vez com maior significado. Aproximam-se novos desafios, e alguns deles requerem mais dedicação, mais empenho, mais trabalho. Estou grato a todos os que têm acompanhado este curto percurso, e reconhecido a quem se tem colocado ao meu lado. Obrigado.

A capa do capítulo

Perto de uma qualquer cama de maternidade, ouvem-se comentários como “tem o nariz da mãe, mas os olhos são todos do pai”. Antes de nascerem os bebés, é comum fazerem-se estimativas, previsões. No entanto, ver o filho nos braços é sempre diferente do que na ecografia.

CAPA simulacaoNo decorrer dos meses investidos na escrita deste novo capítulo, também imaginei como viria a ser a cara dele, se parecida com alguma coisa ou lugar. Julgo que a sensação é mais facilmente percebida por quem escreve e tem a sorte de publicar: deixa-se verter o sangue da inspiração, dá-se-lhe um nome e espera-se pelo parto. Este Capítulo 41 acabou de nascer. Apesar de só poder sair à rua aos dez dias de Setembro, já se pode apreciar e especular. Graças à capa.

Deixo uma verdadeira vénia à simpatia e disponibilidade dos elementos do Grupo Folclórico de Cantares e Balhados da Relva, que tão gentilmente cederam o traje da mulher de Capote e Capelo, e que mostraram a sabedoria de quem vive e respira a cultura açoriana. Um agradecimento à Catarina Pires por ter suportado a sessão fotográfica dentro das vestes abafadas e por ser sempre tão prestável e amiga. O trabalho dos brothers Tiago e Miguel, um na fotografia e outro na visionária criação, transformaram esta capa numa verdadeira obra-prima, pelo menos aos meus olhos. É o fruto que se colhe quando se semeia e rega uma verdadeira irmandade.

Quanto ao simbolismo, deixo o prazer da descoberta aos leitores.

Temos sinopse

Caras leitoras e leitores, é com enorme satisfação que divulgo a sinopse daquela que está para ser a minha segunda “aventura” na literatura, desejando que venha a ser igualmente emocionante para vós.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAComeça assim mais um “capítulo” do meu ainda curto e modesto percurso pelas letras, que tanto serve para entreter como para partilhar conhecimento, mas fazendo-o sempre com o amor incondicional a estas ilhas “açorenhas”.

Não tenciono criar desacordos, apenas lançar temas. Este é um tema que me interessa e sei que também a muitas outras pessoas. Daqui a uns anos, não vai fazer diferença nenhuma quem, afinal, descobriu os Açores. Não importará quem passou por cá primeiro, quem nos desenhou no mapa, quem olhou e gritou “terra”. Deveras importante será o povo que seremos — e somos: cheio de História e de estórias para contar.

Cresci muito com a escrita deste texto e com as pessoas que se mantêm ao meu lado. Agrada-me perceber que são cada vez mais. Os leitores também podem partilhar desta viagem, basta permitirem que a imaginação vos guie.

Porquê Açores?

Quando questionado pelos motivos que me levam a escrever sobre os Açores, não surge propriamente uma explicação que vá muito além da fervorosa paixão nutrida pela Terra-Mãe. Apesar de considerada uma Região Periférica — e abusivamente rotulada de ultraperiférica —, a visão que tenho destes nove territórios unidos pelo mar é de centralidade. Em vez de nos considerarmos periferia, aplaudo quem se consiga olhar como centralidade daqui por diante.

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© Tiago Maia Fotografia – Todos os Direitos Reservados
http://www.facebook.com/TiagoMaiaFotografia

Com duas das 7 Maravilhas Naturais de Portugal — eleitas de entre um total de cinco candidatas —, incluídos na lista dos dez melhores locais para observação de cetáceos a nível mundial, nos melhores cinco destinos vulcânicos, no Top 10 dos destinos Budget Travel, destacados como os melhores locais para férias por publicações como a Visão e a Forbes, no Top 25 dos guias turísticos da Fodor´s Travel Intelligence, no topo das “bagatelas” do The Independent, considerados o melhor destino turístico “verde” de toda a Europa pela Quality Coast Gold desde Maio de 2012, o melhor destino ecológico 2012 e 2013 pela European Coastal and Marine Union, e detentores de um engrandecedor 2º lugar da lista das mais belas ilhas do mundo pela National Geographic, porque não aproveitar e dar lugar a uma perspectiva mais enriquecedora? Os Açores estão no umbigo do oceano, na crista da cordilheira Atlântica, no centro do mundo, num ponto triplo da tectónica de placas, a meia-distância das maiores potências mundiais, e faço questão de elevar esse paradigma pela literatura, pelo menos enquanto tiver forças! E quem quiser acompanhar será sempre bem-vindo.