Arquivo de etiquetas: literatura

O Abraço do Priolo

Como convidado do mês da revista literária eletrónica Enfermaria 6, Pedro Almeida Maia publicou o conto inédito intitulado “O Abraço do Priolo”, que pode ser lido na íntegra no blogue da publicação.

No conto, o autor açoriano iniciou-se em 2015, com “Batéis de Lava”, para a edição comemorativa do 180º aniversário do Açoriano Oriental. Seguiu-se “O Galheteiro de Prata”, selecionado para a Antologia de Contos do Centro de Estudos Mário Cláudio (2018), e “A Olaria da Esquina”, para a coletânea Este ano desembrulha o Natal (2019).

Conversas com Fringe

Os últimos meses têm sido invulgares, como se vivêssemos numa distopia inescapável. Os abraços foram substituídos por acenos, os sorrisos são agora píxeis num ecrã. Tal como inumeráveis eventos culturais do mundo inteiro, também o Azores Fringe Festival padecia de um provável adiamento, quiçá anulação — e, com ele, o encontro literário Pedras Negras.

Porém, graças à perseverança que a diferencia, a MiratecArts puxou do amor pelas artes, a mesma paixão que leva Terry Costa a galvanizar os Açores, e migrou para o digital. O desafio foi lançado e uniram-se as forças necessárias ao empreendimento. Em várias áreas, novos formatos emergiram, conceitos inovadores vingaram. No segmento da literatura, nasceu então a rubrica “Conversas com Escritores”.

Captura de ecrã 2020-06-23, às 22.28.47

As conferências por videochamada tornaram-se uma estranha tendência invasiva, uma apropriação da propriedade privada e das estantes de uns e de outros, mas formaram simultaneamente uma teia que uniu os alheios — no caso das programações culturais, uma espécie de rede circense.

Estes diálogos on-line que contaram com doze escritores MiratecArts, uma amostra do seu imenso catálogo de artistas, formaram a malha dos amantes da escrita e mantiveram viva a emoção da partilha. Valeu a pena. Obrigado pelo convite para esta aventura.

Para os que não puderam assistir, ou desejem rever, podem aceder à página do Facebook da MiratecArts ou ao Instagram de Almeida Maia.

Conversas com escritores

No ano de 2020, o Azores Fringe Festival manteve a sua agenda, migrando a maior parte dos eventos para as plataformas digitais. Na vertente da literatura, o escritor micaelense Pedro Almeida Maia irá moderar a rubrica “Conversas com Escritores” MiratecArts. Às terças-feiras, doze autores de várias ilhas açorianas juntam-se on-line para debater quatro temas, em quatro episódios.

A estreia será no dia 2 de junho, ao final de tarde, na página do facebook da MiratecArts, o endereço oficial para as produções desta associação cultura para o Fringe.

02 de junho: “Escrever versus omitir”, ou o que os escritores não dizem — com Diana Zimbron, Joel Neto e Nuno Costa Santos;
09 de junho: “A psicologia dos escritores”, ou se o ego também entra no texto — com Carolina Cordeiro, Diogo Ourique e Luís Rego;
16 de junho: “Os silêncios da literatura”, ou como se descrevem os vazios — com Carla Veríssimo, Pedro Paulo Câmara e Urbano Bettencourt;
23 de juno: “A invisibilidade dos leitores”, ou em quem pensam os escritores — com João Pedro Porto, Leonor Sampaio da Silva e Manuel Tomás.

O Azores Fringe Festival decorrerá de 29 de maio a 28 de junho, com programação única diária, no espírito de partilha original do que centenas de artistas açorianos andam a construir. Mais informação em: www.azoresfringe.com

“O Parto da Saudade” na grotta

O texto inédito “O Parto da Saudade”, de Almeida Maia, integra o quarto número da revista literária grotta — arquipélago de escritores, com destaque de capa. Num registo autobiográfico raro, o escritor micaelense descreve a sua vivência na costa oeste da República da Irlanda, durante uma crise habitacional, e as implicações de se viver numa ilha maior.

Grotta.png
Este número conta ainda com a vida e obra de J. H. Santos Barros, a poesia de Lucebert e a de Armando Emmanuel, entrevista ao crítico literário Vamberto Freitas, e um suplemento especial sobre o historiador norte-americano William Hickling Prescott.

A revista literária grotta é uma edição Letras Lavadas que conta com direção de Nuno Costa Santos e coordenação editorial de Diogo Ourique. O quarto número está disponível na loja on-line da editora, com entrega gratuita em todas as ilhas dos Açores.

Coletânea de contos de Natal

Capa Este Ano Desembrulha NatalA chancela Letras Lavadas do Grupo Publiçor / Nova Gráfica convidou autores locais a integrarem uma coletânea de contos de Natal. O resultado foi o livro “Este ano desembrulha o espírito de Natal” com treze histórias dos autores: Almeida Maia, Ana Leite, Ana Isabel Arruda Ferreira, Aníbal Pires, Carlos Tomé, João Pedro Porto, Luís Rego, Malvina Sousa, Maria das Mercês Pacheco, Orquídea Abreu, Susana Almeida Rodrigues, Teresa Canto Noronha e Virgílio Vieira.

Foi apresentado por José Manuel Santos Narciso, com leituras de Lena Goulart, no sábado passado, dia 7 de dezembro, e contou ainda com uma versão especial, em formato de árvore, com cerca de um metro e meio de altura, agora exposto na montra da livraria Letras Lavadas, em Ponta Delgada.

Post Almeida Maia.com
Aníbal Pires, Malvina Sousa, João Pedro Porto, Santos Narciso, Lena Goulart, Carlos Tomé, Ernesto Resendes, Susana Almeida Rodrigues, Ana Leite, Luís Rego e Pedro Almeida Maia.

Após a seleção do conto “O Galheteiro de Prata” para a Antologia de Contos do Centro de Estudos Mário Cláudio 2018, Almeida Maia contribui para esta coletânea com “A Olaria da Esquina”, outra história de redenção com uma interessante moral.

 

Juno e a ilha-Paraíso

Estalaram aplausos dentro do avião, felizes por terem tocado o solo contra a brisa generosa de Santa Cruz, muitos no alívio de terem chegado a casa. Também eu senti que chegava a casa e que receberia o calor da ilha-Paraíso.

IMG_7981Apresentaram-me talentos oferecendo abraços sorridentes e partilha de saberes, e eu logo soube que se tornariam grandes amigos em pouco tempo. Partimos à descoberta, rumo ao éden dos criadores, rumo à ilha das Flores. Fomos subir os montes, respirar lagoas, trespassar o nevoeiro, contemplar baías, sentir o fluir das cascatas, reviver lendas centenárias. Visitámos os lugares das pessoas e as pessoas dos lugares, aprendendo-lhes as artes, entendendo aqueles ofícios, provando as iguarias, ouvindo canções e devolvendo os seus risos, dando e recebendo, ensinando e aprendendo.

Foi naquele cenário que decorreu a apresentação de “A Viagem de Juno”, a par com o lançamento de “inPico”, de José Efe e Judy Rodrigues, e a tripla inauguração das exposições de Pieter Adriaans, Martine de Baecque e Martim Cymbron. No auditório do elegante Museu das Lajes das Flores, Gabriela Silva honrou o momento e fê-lo com maestria, complementando-se com uma apaixonada leitura de excertos por Terry Costa, Carolina Cordeiro, Diana Silva, Sandra Gajjar, Susana Júdice e Elaine Ávila. E estalaram os aplausos florentinos para seguidamente devorarem os livros e as histórias.

61122334_2435602423167619_2952781915691679744_n
Apresentação de “A Viagem de Juno” nas Lajes das Flores

Durante um mágico fim de semana, este V Encontro de Escritores Pedras Negras permitiu-nos testemunhar vivências e emoções da ilha de Pedro da Silveira, conhecer novas pessoas e reorquestrar a nossa própria essência como artistas. Todos os dias nos reinventamos, mas nestes dias especialmente: amadurecemos e alinhamo-nos, numa ascendente espiral de consciência, num alvoroço de alegria. Assim é o Azores Fringe, o festival que une as artes do mundo aos artistas dos Açores.

A estreia de Juno

Foi no passado sábado que se iniciou “A Viagem de Juno”, no ambiente mágico e descontraído da Biblioteca Pública e Arquivo Regional de Ponta Delgada. Na presença de ávidos leitores e interessados numa passagem ficcional por um possível futuro, apresentou-se o novo livro de Almeida Maia, que coloca a ação em 2049, quando os mares subiram de forma descontrolada.

A apresentação ficou a cargo do biólogo marinho Frederico Cardigos, que brindou os presentes com uma descrição apaixonada desta história. As imagens captadas, aqui disponibilizadas, foram da maestria de Paulo R. Cabral, Grupo Publiçor / Letras Lavadas, a quem fica um especial agradecimento.

Juno e as nossas viagens

Editar um novo livro tem sido sempre uma emoção, desde a sensação de se cumprir um longo desafio até ao retorno apaixonante dos leitores, passando pela magia de se deixar um testemunho para o futuro, especialmente para os nossos filhos.

AVJ Capa_v04_0“A Viagem de Juno” não será exceção, convidando os passageiros a embarcarem numa visita a um possível futuro da humanidade, com os Açores no centro da ação e com personagens um pouco de todo o lado. Despertará o interesse dos leitores de várias idades, pelos temas intrigantes que aborda, como a criopreservação, partindo da ciência do século XXI e da demanda por soluções para inverter os efeitos das alterações climáticas.

A primeira sessão de apresentação está marcada para 23 de março de 2019, às 16h30, na Biblioteca Pública e Arquivo Regional de Ponta Delgada. A revelação da capa do livro e do apresentador do evento está para muito breve.

Clique aqui para aceder e acompanhar o evento.

O regresso da Atlântida

Decorria o mês de setembro de 2013, quando se anunciou a chegada do romance “Capítulo 41: A Redescoberta da Atlântida”. Pouco se sabia do eco que poderia provocar, mas cinco anos após o seu lançamento e consequente entrada para o Plano Regional de Leitura dos Açores, percebe-se agora que é algo mais do que um mero livro.

“Este Capítulo 41 (…) fica a constituir um marco na literatura de ficção dos Açores”, escreveu Santos Narciso, algo que nem todos compreendiam naquele momento.

Anunciando a sua 3ª edição, no próximo sábado, dia 22 de dezembro, entre as 10h00 e as 13h00 e as 14h00 e as 16h00, decorrerá uma sessão promocional no espaço da Feira do Livro, na Rua dos Mercadores, em Ponta Delgada, um convite da editora Publiçor / Letras Lavadas. A iniciativa contará com a presença do autor, Pedro Almeida Maia, que estará disponível para conversar com os leitores e para incluir dedicatórias nos livros, um toque personalizado naquela prenda especial para este Natal.

48366680_2206572459418561_667838019771826176_o

Recorde-se que este trabalho do autor açoriano aborda os temas da localização da Atlântida perdida de Platão e a sua ligação ao que hoje são os Açores, revelando também descobertas arqueológicas que têm reacendido a polémica da passagem de outros navegadores pelos Açores antes dos portugueses.

Poesia na Montanha

Lá fora, o nevoeiro perseguia o vento e as brumas escalavam a montanha, mas havia chá e biscoitos para os corajosos. Estávamos salvos. Foi no passado domingo que tive o prazer de apresentar o e-book “A Escalada de um Manco” na Casa da Montanha, rodeado de amigos, leitores e curiosos. A par com os livros da Carla Veríssimo e do Enric Enrich Jr., a festa da literatura ganhou asas e voou. Abracei também Manoel Costa e Helena Amaral.

Manoel Costa, Helena Amaral e Pedro Almeida Maia

No primeiro dia, havia massa sovada e torta de bacalhau, entre outras iguarias de divino sabor. A receção convidou os artistas a falarem do seu trabalho e das suas paixões. Estava lançado o mote para a celebração da arte no Pico. O fim de semana preencheu-se com o programa Climb Every Mountain, numa volta à ilha pelas artes. No final, terminei com o queijo do Alfredo e o mel de trevo que trouxe na mala.

A ilha do Pico recebe-me cada vez melhor e este Montanha Festival é outra aposta ganha pela MiratecArts, que recebeu um reconhecimento oficial merecido, anunciado publicamente durante o festival.

Terry Costa e Pedro Almeida Maia.

Terry Costa continua a fazer um trabalho inigualável no arquipélago, colocando a arte açoriana no mapa. Um dia, haverá uma estátua e uma avenida com o nome dele.

Para os interessados, o novo texto está disponível aqui.

É poesia

Comemora-se o regresso à poesia do autor Almeida Maia com a edição de “A Escalada de um Manco”. Ao longo de onze cantos, o autor figura a persistência humana perante o erro e a adversidade. O novo texto está disponível aqui.

As edições e-manuscrito® resultam da iniciativa conjunta da APE (Associação Portuguesa de Escritores) e da plataforma escritores.online. O conceito remete para obras em formato digital, sem intervenção de terceiros, que passa diretamente do escritor para o leitor através de uma plataforma eletrónica.

 

Até agora, tudo bem

Perdi a conta às vezes que tenho feito as malas. Assentei em Coimbra e em Barcelona, escrevendo a tese, manuais, recensões e mais romances, antes de pendurar o casaco em Braga. Fazendo ainda mais amizades e deixando ainda mais saudades, percorri o território nortenho, ao lado da Cris, também ela a terminar os seus dois anos pela Europa. Temos explorado o desconhecido — a ver se também nos conhecemos um pouco melhor a nós próprios — além de ambicionarmos ainda maiores desafios para a vida.

fullsizerenderLembro-me da roadtrip de 1200 quilómetros até Angers, quando estacionámos a meio caminho para pernoitar em San Sebastián. Apesar de todas as estrelas Michelin e dos restaurantes gourmet, sentámo-nos numa tasca e pedimos cañas e pintxos. Não há dúvida de que acabamos quase sempre por escolher as coisas simples da vida.

Depois de outra temporada em Coimbra, desta vez juntos, foi mesmo isso que fizemos: regressámos aos Açores para um descanso merecido. Abraçar a família e as filhas é das tais coisas simples da vida, prazeres de que temos abdicado para procurar o que nos realize. O ano acabou e começou outro, com mais abraços e novos planos, muitos deles em aberto. Por vezes, é difícil só saber dos próximos três meses das nossas vidas. Têm-nos dito que é preciso coragem. Mas, olhem, andaremos mais uns tempos ao sabor do vento. Há que continuar.

Hasta luego, Barcelona

Corro o fecho da mala e olho pela janela. O céu polido recorda-me de que o calor desta cidade está em tudo: no chão, nas paredes, nas pessoas e nos sítios. Há muito tempo que deixei de ir aos lugares que atraem os turistas. O que me seduz agora é o litoral de Badalona, o pequeno Jardín de l’Amistad, a Biblioteca Sofia Barat, a Laie e a pacatez do Barri d’Horta. Foi à beira da Platja des Pescadors que terminei a revisão do novo romance, ao som de vozes catalãs. E foi na Dreta de l’Eixample que comecei mais um.

IMG_2260
Casa Batlló no Dia de Sant Jordi, 2016
Troco palavras com o Adrián, o Mateu, o Robert, a Stephany e o Mero, dizendo-lhes que não sei quando regresso, mas que havemos de nos ver por aí, de certeza, não fosse o mundo um lugar pequeno. Recordo-lhes das mudanças todas destes últimos meses. As primeiras semanas trouxeram o encantamento normal da novidade, as seguintes pequenos dissabores, mas esta última equilibrou. Já olho de novo para ti com um sorriso, Barcelona. Devolveste-me o encanto que aqui me trouxe no passado.

As saudades de casa continuam, não mentirei. Estoy lejos! A compensação esteve no companheirismo gaulês da Adélie e da Florentine, no positivismo sul-americano da Trinidad, da Aline e do Germán, no pragmatismo germânico da Alisa, na sensatez do Simone e do Josef e na lusitanidade angolana da Yara. Juntos, fizemos a diferença.

Depois das estações do metropolitano e da Renfe, a mala desliza no pavimento do El Prat. A azáfama dos aeroportos extasia-me, mas as despedidas emocionam cada vez menos, principalmente se forem um virar de página. Quando se muda de capítulo, ainda dói. Penso na minha terra. Na minha família. Nos meus pais. Na minha cara-metade. Na minha filha. Ajeito os óculos escuros e sinto os olhos humedecidos. Respiro fundo e mostro o cartão de embarque. Desejam-me boa viagem, e eu sorrio. Há que continuar. Há que continuar.

Dia do Autor Português

Dizem que se comemora quando as datas chegam. Feliz e sincero, com as dores da distância a apertar o coração, desejo-me na pele dos protagonistas de Nove Estações.

“Deixaram-se enamorar pelas ruas de Angra, as artérias palpitantes de vida e de amor. Cruzaram a Rua da Sé e vi­raram na Carreira dos Cavalos até à Rua da Rocha. Desceram ao areal cinzento e deixaram os pés descalços sentirem os grãos arre­fecidos da Prainha. A ondulação macia oferecia-lhes a banda sonora mais ténue e compassada que pudesse orquestrar um luar iluminado. Sentaram-se, em frente ao encaracolar do mar.”

O novo livro está no prelo e o regresso a Portugal está para breve, mas as coisas andam ao ritmo delas. Cada flor a cada florescer. Sejam felizes e leiam. Leiam muito. Continuarei a dar notícias.

Surfar na biblioteca

No passado dia 13, tive o prazer de comunicar com alunos da Escola Secundária Jerónimo Emiliano de Andrade. A distância que separa Coimbra de Angra do Heroísmo pareceu desaparecer durante a videoconferência que pretendia abordar a experiência da escrita nos tempos de hoje.

12241791_966314960107683_4406804387596452657_n

A iniciativa “Aproveita a onda das TIC e vem surfar na Biblioteca”, além da cooperação da escola e do corpo docente, realizou-se após o convite da Associação Cultural Burra de Milho.

11215845_966314843441028_3109680789766734968_n

O evento de apresentações nas escolas está enquadrado na Mostra LabJovem, Concurso Regional de Jovens Criadores dos Açores, cuja edição anterior selecionou a novela “Nove Estações”.

Um ano assim

Ainda estávamos em janeiro, quando Miguel Real publicou no Jornal de Letras a revisão “2013: evolução na continuidade”, afirmando que “nos Açores, sobressai a continuidade de estilo e de tema nos novos romances de Pedro Almeida Maia, Capítulo 41 – A Redescoberta da Atlântida, e Paula de Sousa Lima, Mas Deus não dá licença que partamos, autores cuja arte de escrita abre novos horizontes ao romance açoriano, especialmente, sobretudo o primeiro autor, na superação do labirinto de tristeza, saudade e melancolia de que a literatura açoriana tem vivido”.

Os livros infantis da psicologia Vamos Sentir com o Necas, escritos em co-autoria com Célia Barreto Carvalho e Suzana Nunes Caldeira, e ilustrações de Ana Correia, viram a luz do dia em março, com o lançamento de Os Vencedores do Medo, posteriormente incluído no Plano Regional de Leitura 2014/2015. Seguiu-se o volume dois, intitulado O Primeiro Dia de Aulas, lançado em outubro, dando à coleção e às crianças novos instrumentos para lidar com os medos.

LF8L8316

Em abril, nasceu Cronicista, uma série de crónicas de “um ajudante de escaparate a cientificar pela crónica, embora nunca cronicando; um crónico que rabisca croniquetices sem respeitar as leis cronísticas; um imoral corrupto da croniqueta que se enraíza nos anais da história breve; um homem que nem é cronista nem ensaísta, muito menos trocista; ou um adepto da cronicidade das coisas”. Contrapôs o Pavilhão Auricular com um lado irónico e sarcástico.

O mês de maio profetizou a ponte atlântica com os escritores nacionais do Colectivo NAU. Ana Saragoça, Carla M. Soares, Cristina Drios, João Rebocho Pais, Paulo M. Morais, Pedro Almeida Maia, Raquel Serejo Martins e Sónia Alcaso uniram-se para uma experiência de divulgação dos valores da escrita.

Em junho, o romance Capítulo 41 – A Redescoberta da Atlântida subiu ao palco do Coliseu Micaelense, na forma de espetáculo de dança. Atlântida foi uma representação teatral da mítica sociedade do passado. No mesmo mês, a poesia Vinhas e Epigeus foi distinguida com o Prémio Discover Azores 2014, pela picoense Miratecarts.

Atlântida

O ano contou ainda com a edição digital e uma tiragem comemorativa do drama Nove Estações, um dos quatro textos selecionados para a categoria de literatura da Mostra LabJovem 2014, com organização da Direção Regional da Juventude do Governo dos Açores. Além da passagem por várias ilhas açorianas, a exposição patenteou em Lisboa no mês de novembro.

LS4A7357 cópia

Se o ano que agora termina reuniu trabalho e entrega, além de reconhecimento e curiosidade dos leitores, 2015 trará novos e empolgantes projetos. Debaixo da pena está uma ficção a ter lugar num futuro utópico, uma viagem por cenários deslumbrantes, com ilhas, oceanos e continentes transformados. Um mundo que trará não só receios antigos, mas também respostas e novos desafios. De igual forma, desejo aos leitores, e aos que me acompanham nesta caminhada, um ano feliz e realizado!

Grato pela vossa companhia.

O barco vai de saída

jantar-nau1Não é uma analogia faustiana, até porque não vamos por este rio acima nem nos limitamos ao cais de Alfama, será antes uma viagem inaugural com uma tripulação reduzida, mas resiliente. Não te levamos connosco, ó cana verde, mas trazemos páginas e páginas que resistirão às maiores tormentas do trono das águas.

E assim se unem as vozes do Cole©tivo NAU, num uníssono reverberante, em estilos únicos, desiguais; juntaram-se à esquina de uma tasca lisboeta, o Sardinha, menos um — eu — que chegarei depois, mas estavam lá os livros. Os nossos. E a paixão por eles também.

É com orgulho e prazer que faço a ponte atlântica, desde aqui, com estes marujos das letras, editados no cont’nente que se diz ser portuga e agora com uma costela açoriana. Somos nós: Ana Saragoça, Carla M. Soares, Cristina Drios, João Rebocho Pais, Paulo M. Morais, Pedro Almeida Maia, Raquel Serejo Martins e Sónia Alcaso.

Depois das iscas e alheiras alfacinhas do primeiro convívio, ainda provarão morcela da nossa, uma queijada da vila ou uma alcatra à maneira. Até breve.

Açorianos em destaque nacional

A literatura açoriana está de parabéns. O escritor e ensaísta Miguel Real acaba de destacar, na sua crónica do quinzenário Jornal de Letras de 22 de janeiro a 4 de fevereiro de 2014, nomes da nossa praça. Segundo o crítico literário, “nos Açores, sobressai a continuidade de estilo e de tema nos novos romances de Pedro Almeida Maia, Capítulo 41 – A Redescoberta da Atlântida, e Paula de Sousa Lima, Mas Deus não dá licença que partamos, autores cuja arte de escrita abre novos horizontes ao romance açoriano, especialmente, sobretudo o primeiro autor, na superação do labirinto de tristeza, saudade e melancolia de que a literatura açoriana tem vivido”.

20140122_JLNeste resumo do melhor que se fez no ano transacto, intitulado “2013: evolução na continuidade”, Miguel Real coloca a literatura regional lado a lado com grandes nomes do panorama nacional. Nas revelações, destaca autores como Ana Margarida de Carvalho, Raquel Freire, Bruno Vieira Amaral, Hugo Gonçalves, Paulo M. Morais, Filipe Homem Fonseca, Rodrigo Magalhães e Pedro Eiras, mas também com outros relevos, como Valério Romão, Manuel da Silva Ramos, Nuno Júdice, Rui Zink, Rui Vieira, António Cabrita, Carlos Alberto Machado e Afonso Cruz. Enfatiza igualmente as obras de Joana Bértholo, Valter Hugo Mãe, Gonçalo M. Tavares, Francisco Camacho, Carlos Campaniço (Prémio Cidade de Almada), Nuno Camarneiro (Prémio Leya 2012), Luís Carmelo, Manuel Dias Duarte, Fernando Esteves Pinto e Nuno Figueiredo. No romance histórico, o enfoque vai para Fernando Campos e Sérgio Luís de Carvalho. Também na Madeira, e além de Helena Marques, “surgiu um novo escritor, António Breda Carvalho, com o romance histórico O Fotógrafo da Madeira“.

Em jeito de resumo, Miguel Real afirma que, aos “autores veteranos (chamemos-lhes assim)” Rui Nunes, Mário de Carvalho, António Lobo Antunes, Rentes de Carvalho, Manuel Alegre, Agustina Bessa-Luís e Inês Pedrosa, entre outros, “aplica-se em perfeição o título deste artigo”. Na escrita romanesca, “continuam iguais a si próprios” Mário Zambujal, Miguel Sousa Tavares e José Rodrigues dos Santos, enquanto a surpresa maior vai para a estreia de Teresa Martins Marques no romance A Mulher que Venceu D. Juan, sobre a violência doméstica, o primeiro romance escrito no Facebook.

O regresso a casa

Há viagens com significado, mas os regressos podem ter sabores especiais. Este teve, depois do convite de Vasco Pernes para mais uma noite bastante sentida.

Na companhia da dinâmica mulher das letras, Patrícia Carreiro, que também apresentou o seu Fio Perdido, recapitulou-se a experiência nas lojas FNAC, as apresentações de Joaquim Fernandes e Miguel Real e a organização exímia de Terry Costa da MiratecArts na ilha do Pico, nas mais recentes aventuras literárias. Mas também falámos de futuro, de utopias, de Vamos Sentir com o Necas e de outros projetos vindouros.

Neste programa, Vasco Pernes também convida os músicos André Jorge e Luís H. Bettencourt, a Escola Profissional de Vila Franca do Campo e a Tertúlia do Petisco. Para ver o episódio completo, clique aqui.