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Regresso às origens

62680_1542870302660666_8523138424300353721_nFoi no dia doze deste segundo mês que concretizei um sonho antigo. Partilhei a minha experiência na literatura e apresentei os meus livros aos alunos de uma das escolas que me viu crescer. Foi na Biblioteca Emanuel Jorge Botelho da Escola Canto da Maia. É difícil resumir a emoção e o simbolismo do momento, não só por se tratar de um regresso às origens, mas também pela responsabilidade acrescida de me dirigir às camadas mais jovens, cujos sonhos e ambições nos enchem de encanto.

Além de falar do processo de investigação, que antecede o da escrita, frisei a importância da leitura para um desenvolvimento pessoal equilibrado. Fiquei deveras satisfeito, principalmente pelas várias questões que me colocaram, algumas delas bastante pertinentes. Notei uma sede por conhecimento e uma vontade fenomenal de partilha de experiências. No final, desafiei os alunos a darem largas à imaginação, o que aconteceu brilhantemente. Puseram no papel as suas ideias, os seus anseios, alguns em forma de poesia, outros em forma de prosa. O balanço é imensamente positivo, e os agradecimentos vão para o convite que me foi endereçado. Deixo os parabéns pelo dinamismo que esta instituição revela, assim como ao projeto Enlace, que muito me diz. Somos todos coragem.

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Novas aventuras

Foi no ambiente académico que surgiram os primeiros contactos acerca do Necas, por parte das professoras Dr.ª Célia Barreto Carvalho e Dr.ª Suzana Nunes Caldeira. Aceitei sem qualquer tipo de hesitação. Mas não me vou desligar da prosa, podem ficar descansados os leitores mais graúdos.

Capa do primeiro volume, ilustração de Ana Correia
Capa do primeiro volume, ilustração de Ana Correia

O convite era irrecusável. Escrever na área da Psicologia já era um desejo meu, experimentar públicos-alvo diferentes também e a minha condição de pai também contribuiu, mas é preciso admitir que não teria legitimidade suficiente para fazê-lo sozinho. Se juntarmos o privilégio que é trabalhar com profissionais de experiência reconhecida, temos a combinação perfeita.

Assim, a 14 de março de 2014, a Biblioteca e Arquivo Regional de Ponta Delgada será o palco para o lançamento do livro “Os Vencedores do Medo”, o primeiro volume da coleção de livros infantis “Vamos Sentir com o Necas”, escrito em co-autoria com Célia Barreto Carvalho e Suzana Nunes Caldeira, com ilustrações de Ana Correia. Além da presença de inúmeras individualidades, a apresentação ficará a cargo da Dr.ª Natália Almeida. O projeto tem a chancela da Letras Lavadas edições, grupo Publiçor, a quem dirijo mais um reconhecimento.

A coleção é um projeto fundamentado na Psicologia que trabalha as emoções nas crianças para favorecer a auto estima, fomentar a sã convivência e facilitar o sucesso escolar. 
Em cada livro, o leitor, seja a criança ou o educador, pai/mãe ou professor, irá encontrar uma história atrativa, em que os protagonistas são um grupo de crianças e o seu amigo especial, o golfinho Necas. Cada história é seguida de uma secção interativa de estratégias que correspondem a um conjunto de ferramentas simplificadas para ajudar a criança a lidar com as suas emoções e, assim, sair-se melhor no dia-a-dia, quer seja na escola, em casa ou com os amigos.

Não é fácil explicar a uma criança a diferença entre os medos falsos e os que são realmente necessários à sobrevivência, ou como distinguir os pensamentos importantes dos descartáveis, mas, com uma linguagem acessível e uma boa dose de criatividade, queremos mostrar que é possível. Para já, estão previstos dez livros e um manual. Os restantes volumes tratarão outras emoções, como a alegria, a tristeza, o nojo e a raiva, entre outras. As crianças das histórias, o António, a Rita, a Luana, a Maria, o Li e a Mariana, sofrem das mesmas dúvidas e têm as mesmas ansiedades das crianças dos nossos dias. Cada história pode ser lida isoladamente, dando aos educadores a possibilidade de agirem com mais rigor, mas os diferentes temas vão complementar-se. O manual será uma ferramenta adicional para os profissionais da área, uma coleção de exercícios e técnicas que podem contribuir para uma intervenção mais eficaz.

Açorianos em destaque nacional

A literatura açoriana está de parabéns. O escritor e ensaísta Miguel Real acaba de destacar, na sua crónica do quinzenário Jornal de Letras de 22 de janeiro a 4 de fevereiro de 2014, nomes da nossa praça. Segundo o crítico literário, “nos Açores, sobressai a continuidade de estilo e de tema nos novos romances de Pedro Almeida Maia, Capítulo 41 – A Redescoberta da Atlântida, e Paula de Sousa Lima, Mas Deus não dá licença que partamos, autores cuja arte de escrita abre novos horizontes ao romance açoriano, especialmente, sobretudo o primeiro autor, na superação do labirinto de tristeza, saudade e melancolia de que a literatura açoriana tem vivido”.

20140122_JLNeste resumo do melhor que se fez no ano transacto, intitulado “2013: evolução na continuidade”, Miguel Real coloca a literatura regional lado a lado com grandes nomes do panorama nacional. Nas revelações, destaca autores como Ana Margarida de Carvalho, Raquel Freire, Bruno Vieira Amaral, Hugo Gonçalves, Paulo M. Morais, Filipe Homem Fonseca, Rodrigo Magalhães e Pedro Eiras, mas também com outros relevos, como Valério Romão, Manuel da Silva Ramos, Nuno Júdice, Rui Zink, Rui Vieira, António Cabrita, Carlos Alberto Machado e Afonso Cruz. Enfatiza igualmente as obras de Joana Bértholo, Valter Hugo Mãe, Gonçalo M. Tavares, Francisco Camacho, Carlos Campaniço (Prémio Cidade de Almada), Nuno Camarneiro (Prémio Leya 2012), Luís Carmelo, Manuel Dias Duarte, Fernando Esteves Pinto e Nuno Figueiredo. No romance histórico, o enfoque vai para Fernando Campos e Sérgio Luís de Carvalho. Também na Madeira, e além de Helena Marques, “surgiu um novo escritor, António Breda Carvalho, com o romance histórico O Fotógrafo da Madeira“.

Em jeito de resumo, Miguel Real afirma que, aos “autores veteranos (chamemos-lhes assim)” Rui Nunes, Mário de Carvalho, António Lobo Antunes, Rentes de Carvalho, Manuel Alegre, Agustina Bessa-Luís e Inês Pedrosa, entre outros, “aplica-se em perfeição o título deste artigo”. Na escrita romanesca, “continuam iguais a si próprios” Mário Zambujal, Miguel Sousa Tavares e José Rodrigues dos Santos, enquanto a surpresa maior vai para a estreia de Teresa Martins Marques no romance A Mulher que Venceu D. Juan, sobre a violência doméstica, o primeiro romance escrito no Facebook.

O regresso a casa

Há viagens com significado, mas os regressos podem ter sabores especiais. Este teve, depois do convite de Vasco Pernes para mais uma noite bastante sentida.

Na companhia da dinâmica mulher das letras, Patrícia Carreiro, que também apresentou o seu Fio Perdido, recapitulou-se a experiência nas lojas FNAC, as apresentações de Joaquim Fernandes e Miguel Real e a organização exímia de Terry Costa da MiratecArts na ilha do Pico, nas mais recentes aventuras literárias. Mas também falámos de futuro, de utopias, de Vamos Sentir com o Necas e de outros projetos vindouros.

Neste programa, Vasco Pernes também convida os músicos André Jorge e Luís H. Bettencourt, a Escola Profissional de Vila Franca do Campo e a Tertúlia do Petisco. Para ver o episódio completo, clique aqui.

A magia do Pico

Não era um sábado muito sedutor. Nem sequer convidava ao passeio, muito menos para um local mais “cinzento” do que a própria ilha. Mas as cores pardacentas estavam somente ao que os olhos distinguiam, porque os picoenses coloriram a Gruta das Torres com sorrisos, música e hospitalidade.

Terry Costa e os Atlantis Brass Ensemble | Fotografia de Jaime Debrum
Terry Costa e os Atlantis Brass Ensemble | Fotografia de Jaime Debrum

A ilha do Pico surpreende mais uma vez, numa apresentação que abarrotou de significado, não só porque é onde começa a história de Bom Tempo no Canal e por onde se divaga nos Maroiços do Capítulo 41, mas também pela inspiração que o “canal” oferece e pela arte de bem receber destas nossas gentes.

Seguiu-se a descida. “Fiquem sempre do vosso lado esquerdo”, alertava Maria João, a amável e experiente guia. Ligaram-se as lanternas e desceram-se os degraus escorregadios. A caverna inundou-se de luz e de mistério e, além dos pingos que caíam aqui e ali, o som de um saxofone ecoou pela vastidão do espaço.

Fotografia de Jaime Debrum
Sofia Sousa e Daniel Pena | Fotografia de Jaime Debrum

O grupo desceu até um novo patamar e embasbacou-se com a visão: a bailarina Sofia Sousa, trajando um arrojado vestido rubro, com os pés desnudos sobre a pedra basáltica, fazia rodopiar suavemente o corpo ao som do sax de Daniel Pena. Um momento arrepiante.

Como se não bastasse, depois de conquistados mais alguns metros em profundidade, numa câmara imensa e imensamente escura, iluminada apenas pelos ténues feixes de luz das lanternas, esperavam-nos outros sons. Catarina Paixão deslizava magistralmente o arco pelas cordas do violino e oferecia mais um momento de pura magia.

Aplausos | Fotografia de Jaime Debrum
Aplausos | Fotografia de Jaime Debrum

Terry Costa, o irrepreensível organizador do evento e promotor da Mirateca Arts, juntou-se ao palco improvisado na rocha vulcânica e declamou excertos da Redescoberta da Atlântida, enquanto Sofia Sousa voltava a mostrar passos de bailado inebriantes. Os aplausos pareceram ecoar teimosamente nas paredes gélidas, num misto de emoções que incluía a admiração. Depois da subida, falou-se de livros, de Açores, de histórias e de aventuras.

Depois, um convívio mais próximo, muito mais pessoal. Um a um, os convidados usaram da palavra e partilharam as suas visões, os seus ideais. Biscoitos, uma bebida licorosa, dedicatórias, risos e abraços. Muitos abraços! Quem me dera ser um gigante, para poder abraçar a ilha montanha. Não há palavras suficientes que possam eternizar o reconhecimento por estes momentos muito bem passados.

O capítulo viajante

Para não correr o risco de ficar circunscrito, o tubo metálico azul e branco da companhia aérea arquipelágica contrariou a gravidade e permeou as nuvens. Deixou a ilha verde, rumo ao território da metrópole, sedento de mares atlânticos, talvez nunca dantes navegados. Se publicar e ver reconhecido um pequeno percurso literário tem sido uma escalada prazerosa, a ida às lojas FNAC foi um bungee jumping invertido.

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Na cidade invicta, o professor universitário e autor Joaquim Fernandes brindou a audiência com extratos da prodigiosa História deste país à beira-mar plantado. Depois, falou da lenda, tão bem narrada por ele próprio, do Cavaleiro da Ilha do Corvo, obra que também inspirou o Capítulo 41.

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Já por terras lisboetas, Alfragide destacou o evento e recebeu de braços abertos as letras açorianas.

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A loja FNAC do Centro Comercial Colombo encerrou a odisseia da melhor maneira possível, com uma palestra motivadora e enriquecedora do grande Miguel Real.

Próximo capítulo: 41

Em recente conversa com Vasco Pernes, no talk-show da estação açoriana “Noite dos Sentidos”, levantou-se o véu do romance número dois. A entrevista foi para o ar no dia 20 de Abril de 2013, e presenteou os espectadores com novidades acerca do livro que vai suceder Bom Tempo no Canal – A Conspiração da Energia, galardoado com o Prémio Letras em Movimento em 2010.

A ficção policial estreada em Junho de 2012 já teve lugar à 2ª edição: a apresentação decorreu no dia 26 de Abril de 2013 no Teatro Ribeiragrandense, durante a semana cultural PRIMARTE e a convite da Câmara Municipal da Ribeira Grande.

A história que tem John Mello como personagem principal (um drilling engineer da empresa que gere a energia geotérmica nas ilhas, e que vê sabotada a nova perfuração da ilha do Pico) deixa uma ponta solta, além de um capítulo oculto.

Em estilo policial, a sequela intitulada Capítulo 41 – A Redescoberta da Atlântida convida o leitor a visitar recentes locais e achados arqueológicos sugestivos à passagem de outros povos pelos Açores antes dos portugueses. Além disso, faz igualmente desfilar informação pertinente acerca da localização da Atlântida perdida de Platão.

O vídeo acima foi editado. Para ver o episódio completo, visite:
http://videos.sapo.pt/6AjwOhzYgK2dnmMRbAAN