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O capítulo viajante

Para não correr o risco de ficar circunscrito, o tubo metálico azul e branco da companhia aérea arquipelágica contrariou a gravidade e permeou as nuvens. Deixou a ilha verde, rumo ao território da metrópole, sedento de mares atlânticos, talvez nunca dantes navegados. Se publicar e ver reconhecido um pequeno percurso literário tem sido uma escalada prazerosa, a ida às lojas FNAC foi um bungee jumping invertido.

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Na cidade invicta, o professor universitário e autor Joaquim Fernandes brindou a audiência com extratos da prodigiosa História deste país à beira-mar plantado. Depois, falou da lenda, tão bem narrada por ele próprio, do Cavaleiro da Ilha do Corvo, obra que também inspirou o Capítulo 41.

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Já por terras lisboetas, Alfragide destacou o evento e recebeu de braços abertos as letras açorianas.

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A loja FNAC do Centro Comercial Colombo encerrou a odisseia da melhor maneira possível, com uma palestra motivadora e enriquecedora do grande Miguel Real.

Próximo capítulo: 41

Em recente conversa com Vasco Pernes, no talk-show da estação açoriana “Noite dos Sentidos”, levantou-se o véu do romance número dois. A entrevista foi para o ar no dia 20 de Abril de 2013, e presenteou os espectadores com novidades acerca do livro que vai suceder Bom Tempo no Canal – A Conspiração da Energia, galardoado com o Prémio Letras em Movimento em 2010.

A ficção policial estreada em Junho de 2012 já teve lugar à 2ª edição: a apresentação decorreu no dia 26 de Abril de 2013 no Teatro Ribeiragrandense, durante a semana cultural PRIMARTE e a convite da Câmara Municipal da Ribeira Grande.

A história que tem John Mello como personagem principal (um drilling engineer da empresa que gere a energia geotérmica nas ilhas, e que vê sabotada a nova perfuração da ilha do Pico) deixa uma ponta solta, além de um capítulo oculto.

Em estilo policial, a sequela intitulada Capítulo 41 – A Redescoberta da Atlântida convida o leitor a visitar recentes locais e achados arqueológicos sugestivos à passagem de outros povos pelos Açores antes dos portugueses. Além disso, faz igualmente desfilar informação pertinente acerca da localização da Atlântida perdida de Platão.

O vídeo acima foi editado. Para ver o episódio completo, visite:
http://videos.sapo.pt/6AjwOhzYgK2dnmMRbAAN

Ribeira Grande com bom tempo

O EVENTO

É com enorme regozijo que se apregoa: John Mello regressa à Ribeira Grande! Em conjunto com a Câmara Municipal da CMRG LOGO 2011_12Ribeira Grande e a Universidade Aberta, e inserido no evento cultural PRIMARTE – que liga a Primavera à Arte – o autor Almeida Maia transpõe o livro Bom Tempo no Canal – A Conspiração da Energia para o concelho onde existe a maior expressão da energia geotérmica nos Açores, desta vez na vida real. O evento está marcado para o dia 26 de Março de 2013, data em que se comemora igualmente o DIA DO LIVRO PORTUGUÊS, a ter lugar às 20h00 na Sala Azul do Teatro Ribeiragrandense.

A apresentação ficará a cargo da Dr.ª Patrícia Carreiro, Coordenadora do Projecto EscreVIVER (n)os Açores e membro activo da Associação Ilhas em Movimento. Em representação oficial da Publiçor, poderemos contar com o Sr.º Ernesto Resendes. A mesa incluirá também o Dr.º Luís Almeida, director da Bertrand Ponta Delgada e júri no concurso “Letras em Movimento 2010”.

O CONTEXTO

Green EnergyEsta apresentação assume um significado especial, tanto para o autor – por ser um regresso às origens genealógicas – como para as entidades promotoras, tendo em conta que uma boa parte da acção de Bom Tempo no Canal se desenrola nas encostas da Lagoa do Fogo, concelho de Ribeira Grande. Como é sabido, esta ficção aborda questões relacionadas com a liberalização dos mercados energéticos, e com as Energias Renováveis, com ênfase especial para a geotermia nos Açores. Igualmente de salutar é esta apresentação englobar também o lançamento da 2ª edição por parte da editora Letras Lavadas, ou seja, todos os ingredientes necessários para que seja um momento emocionante estão reunidos.

A PRIMARTE

Desde 2008 que a PRIMARTE é um evento que se realiza no advento da Primavera, organizado em parceria entre a Universidade Aberta NovoCÂMARA MUNICIPAL DA RIBEIRA GRANDE e a UNIVERSIDADE ABERTA. É um acontecimento que tem como objectivo principal celebrar a PRIMAVERA em união com a ARTE. Nesse sentido, congrega lançamentos de livros, concertos musicais, formações, palestras, Feira do Livro e outros momentos de descontracção, como a rubrica “Tomar Café com…”. Todos os anos, entre os dias 21 de Março e 1 de Abril, a Ribeira Grande veste-se de Primavera e celebra-a com as mais variadas demonstrações de Arte.

O LIVRO

O romance Bom Tempo no Canal – A Conspiração da Energia foi vencedor do Prémio Letras em Movimento, organizado pela Associação Ilhas em Movimento em 2010. É uma edição de Junho de 2012 da Publiçor – Letras Lavadas. Surge numa altura em que o planeta necessita de medidas emergentes na gestão das fontes de energia. Anunciado o fim das possibilidades fósseis, como o petróleo – o ouro negro –, quais são os desafios das sociedades modernas? Quais são as alternativas energéticas ao nosso alcance? Como pode a energia geotérmica contribuir para um futuro mais sustentado?

A MÚSICA

Após a breve cerimónia, terá lugar um momento musical com Raquel Dutra, com o seu mais recente trabalho Cantos do Mar e da Terra. O projecto musical nasceu em meados de Janeiro de 2007, fruto de uma proposta endereçada aos seus elementos para, em conjunto, animarem serões a interpretar fado. Reunidos pelo amor à música e partilhando do gosto pela sua terra, entre os três músicos amadores, naturalmente brotou a vontade de tocar, também, temas de origem tradicional açoriana. Adílio Soares, Jorge Dutra e Raquel Dutra, compõem o alinhamento.

Bom Tempo no Canal em Londres

Setembro de 2012: a “Conspiração da Energia” acercou-se das terras de Sua Majestade, e o canal do Rio Tamisa deixou-se sulcar pelo bom tempo. Romperam-se prenoções, quebraram-se fronteiras, traçaram-se novos objectivos e (re)definiram-se metas – daquelas realistas. Impulsionou-se o gosto pela literatura do Atlântico Norte junto das comunidades lusitanas, naquele que foi o primeiro esforço fora do arquipélago na promoção desta obra de ficção.

Sendo o destino a metrópole britânica com quase catorze milhões de almas – mais do que toda a multidão que o país à beira-mar plantado alberga –, as expectativas foram propositadamente alinhadas com o quase nulo. Numa nação em que a cultura é uma prioridade, em que os livros não estão sequer sujeitos ao guilhotinamento de certas taxas – cujo único valor que acrescentam é mesmo o valor acrescentado –, deslocar debaixo do braço meia dúzia de exemplares de uma obra literária portuguesa e fazê-la chegar a pessoas de boas causas pode até parecer tarefa simples, mas acarreta também dissabores e barreiras. Num país em que um volume custa quase metade do que nos é habitual, e em que se cruzam criaturas a ler Erika L. James nos autocarros e J.K. Rowling no tube, passar-lhes uma publicação localmente galardoada e traduzir-lhes a sinopse em dois minutos, podia perfeitamente ser um desastre com hora marcada. Podia até vir a ser anunciado na Torre do Relógio – a partir de agora, Elizabeth Tower –, e badalado pelo sino de treze toneladas de alcunha Big Ben.

Mas não foi assim. Todas as barreiras foram transpostas. Como sempre, o que interessa não são as instituições, as empresas, as lojas, as bibliotecas ou mesmo as nações. São as pessoas.

Mesmo sendo apenas mais um, num mundo de mais de oitenta mil visitantes que passam diariamente por Londres – fazendo da capital do Reino Unido a mais visitada do planeta, com uma população flutuante de trinta milhões por ano –, tudo se proporcionou. Talvez os exemplares simbolicamente deixados nas bibliotecas, nas livrarias e com certas individualidades não signifiquem mais que isso mesmo, ou talvez até venham a provar o contrário, quem sabe? Mas, a imprensa lusa acompanhou, esteve atenta, fez perguntas, aconselhou, deu destaque, reportou…. Tudo apontou na direcção certa. De um ilhéu para uma ilha maior, passou uma energia diferente, renovada e confiante. Com agrado, as vozes portuguesas fizeram-se ouvir e, com alento, a obra de ficção insular passou a um outro patamar.

Pois bem. Então, a mais bela notícia, e talvez a melhor singularidade, esteja ligada a mais uma barreira que vai agora ruir, entre tantas outras que se têm desintegrado nos últimos tempos – por vezes indetectáveis aos olhos do menos atento. Se os ventos londrinos soprarem na direcção certa, se o bom tempo deixar enxergar algo mais avante, teremos o início de mais um desafio. Um propósito que não teria chegado a ver a luz do dia quando as primeiras palavras do Bom Tempo no Canal estavam a ser passadas para o papel: a sua tradução. Sim, o manuscrito na língua de Camões vai ser traduzido para a de Shakespeare.

E ao mesmo tempo que por aqui se esmiúça toda a arqueologia do segundo livro – que fará a sequela deste primeiro –, ver o bom tempo transformar-se em algo tangível ao globo inteiro, assistir à passagem desta ficção açórica para o inglês nos próximos meses, poderá ser o começo de algo novo, verdadeiramente engrandecedor. Algo que só pode ser reconhecido com um sincero OBRIGADO aos leitores, retribuindo com um verdadeiro abraço de agradecimento pelo carinho que tem chegado ao lado de cá.