CANTO PRIMOGÉNITO madrugada O doce marulhar sussurrava, distante, hesitante, por entre acervos de lava negra, estendidos, abertos, como cabelos de uma ninfa, garras de um tal Deus. E a luz subiu, para aquecer as vinhas e epigeus. A encosta reluziu, espelhou o amor de Apolo, e as criaturas acordaram na verdade do seu colo. AContinue a ler ““Vinhas e Epigeus” vence Descobrir Açores 2014″
Author Archives: Pedro Almeida Maia
Filipe Frazão em Fast Forward
Há coisas que não se explicam, principalmente as que queremos mesmo explicar. Quando o conheci, ele era o baixista tímido e calado dos Anjos Negros. Tocava as notas certas, acertava no ritmo, agitava a anca moderadamente, mas mantinha-se acanhado, a um canto, quer na sala de ensaios, quer no palco. Pouco mais do que umContinue a ler “Filipe Frazão em Fast Forward”
Capítulo 41 inspira espetáculo de dança
Qualquer autor anseia pela materialização das suas histórias, dos seus livros, quer seja nos palcos ou nas telas de cinema. Foi com enorme prazer que soube, há cerca de um ano, que o livro Capítulo 41 – A Redescoberta da Atlântida era suficientemente sugestivo para inspirar um espetáculo de dança. É já no próximo dia 9 deContinue a ler “Capítulo 41 inspira espetáculo de dança”
Liberalização dos céus
Nunca pensei no espaço aéreo como um território liberalizável. Quando se é dono de um palmo de terra, faz-se um sulco no chão com uma cana verde ou erguem-se muros para dividir fronteiras. Quando se tem dinheiro, o destino é a conta bancária ou o miolo do colchão de palha. Se há um bem móvelContinue a ler “Liberalização dos céus”
Confortável maledicência
Apontar defeitos é fácil, difícil é apresentar soluções. A crítica comum recorre à maledicência: qualidade do maledicente, ou maldizente, que tem por hábito difamar. O blasfemador não critica comportamentos nem denuncia práticas ou atividades, atinge diretamente o outro. Em vez de “ele fez isto”, diz “ele é aquilo”. Passa a vida a dizer mal dosContinue a ler “Confortável maledicência”
O barco vai de saída
Não é uma analogia faustiana, até porque não vamos por este rio acima nem nos limitamos ao cais de Alfama, será antes uma viagem inaugural com uma tripulação reduzida, mas resiliente. Não te levamos connosco, ó cana verde, mas trazemos páginas e páginas que resistirão às maiores tormentas do trono das águas. E assim se unemContinue a ler “O barco vai de saída”
Tremorização cultural
O ano era o de dois mil e catorze e estávamos com uma dúzia de dias de abril. Era meio da tarde, o Sol a três quartos do arco. Meti o panfleto desdobrável no bolso e seguimos caminho. Parecia que a cidade se tinha inclinado para a baixa e que todas as pessoas tinham deslizadoContinue a ler “Tremorização cultural”
Definindo conceitos crónicos
A definição de crónica provém do Latim chronica e do Grego khroniká. Sugere uma narrativa cronologicamente organizada de factos, embora também se aplique a um texto de estilo jornalístico com cunha pessoal. A liberdade de opinião também é um pressuposto, mas o conceito mais comum é o de narração curta, para imprensa, seja revista ouContinue a ler “Definindo conceitos crónicos”
Crónicas podem ser coisas
Admito que a palavra cronicista não esteja muito dicionarizada, mas como insisto em compilar vocábulos, não há que ter medo. Afinal de contas, as línguas estão sempre em transformação, tirando o Latim e alguns dialetos. Depois do percurso do Pavilhão Auricular, procurei afincadamente formas de expressão que transcendessem as artes. Não é porque as artesContinue a ler “Crónicas podem ser coisas”
El Açor: e vão quinze!
O éfe-erre-á ouviu-se várias vezes naquelas duas primeiras noites de primavera, em alusão ao acrónimo original conimbricense — F-R-A: Frente Revolucionária Académica. Em 1938 o grito tinha índole político, mas agora serve propósitos comemorativos, embora muitos ainda precisassem de um bom chiribitatatata. Foi com espírito revolucionário, mas pacífico, que as tunas invadiram o palco doContinue a ler “El Açor: e vão quinze!”
Novas aventuras
Foi no ambiente académico que surgiram os primeiros contactos acerca do Necas, por parte das professoras Dr.ª Célia Barreto Carvalho e Dr.ª Suzana Nunes Caldeira. Aceitei sem qualquer tipo de hesitação. Mas não me vou desligar da prosa, podem ficar descansados os leitores mais graúdos. O convite era irrecusável. Escrever na área da Psicologia jáContinue a ler “Novas aventuras”
Açorianos em destaque nacional
A literatura açoriana está de parabéns. O escritor e ensaísta Miguel Real acaba de destacar, na sua crónica do quinzenário Jornal de Letras de 22 de janeiro a 4 de fevereiro de 2014, nomes da nossa praça. Segundo o crítico literário, “nos Açores, sobressai a continuidade de estilo e de tema nos novos romances deContinue a ler “Açorianos em destaque nacional”
Mariana, a soberana
A soberania é um conceito difícil de alcançar. Há quem acredite que tal patamar não existe, sequer. Os egípcios falavam em faraós, os gregos em supremos governos, os romanos em imperadores, os plebeus em reis e rainhas, os portugueses em Camões e os açorianos em Pauleta e Nelly Furtado. O poder de um soberano éContinue a ler “Mariana, a soberana”
O regresso a casa
Há viagens com significado, mas os regressos podem ter sabores especiais. Este teve, depois do convite de Vasco Pernes para mais uma noite bastante sentida. Na companhia da dinâmica mulher das letras, Patrícia Carreiro, que também apresentou o seu Fio Perdido, recapitulou-se a experiência nas lojas FNAC, as apresentações de Joaquim Fernandes e Miguel Real eContinue a ler “O regresso a casa”
A magia do Pico
Não era um sábado muito sedutor. Nem sequer convidava ao passeio, muito menos para um local mais “cinzento” do que a própria ilha. Mas as cores pardacentas estavam somente ao que os olhos distinguiam, porque os picoenses coloriram a Gruta das Torres com sorrisos, música e hospitalidade. A ilha do Pico surpreende mais uma vez,Continue a ler “A magia do Pico”
O capítulo viajante
Para não correr o risco de ficar circunscrito, o tubo metálico azul e branco da companhia aérea arquipelágica contrariou a gravidade e permeou as nuvens. Deixou a ilha verde, rumo ao território da metrópole, sedento de mares atlânticos, talvez nunca dantes navegados. Se publicar e ver reconhecido um pequeno percurso literário tem sido uma escaladaContinue a ler “O capítulo viajante”
O filho da Rocha da Relva
Abro a capa cartonada, com o perfil escurecido de um homem iluminado. Revela-se a foto de um lençol de rocha rolada, mar até se perder de vista, e ele de chapéu de palha. Desdobro outra vez e recebo dois presentes: um livro com letras, poemas e um disco compacto esbranquiçado. O tempo do vinyl jáContinue a ler “O filho da Rocha da Relva”
Capítulos com bom tempo
10 de Setembro passou e deixou boas recordações. Amigos, família, entidades e leitores anónimos juntaram-se na mesma sala e beberam do mesmo entusiasmo que esta aventura tem trazido. Uma experiência sensacional, cheia de momentos emotivos e de palavras sentidas. Discursos impactantes e recheados de energia positiva para o futuro. Desde os anfitriões da acolhedora BibliotecaContinue a ler “Capítulos com bom tempo”
Deolinda = trindade + divindade
A suis generis Ana Bacalhau trazia um vestido às florinhas e uns saltos à maneira, quando pisou o palanque, tal e qual uma fadista tradicional, para receber palmas do lotadíssimo Teatro Micaelense. Minutos antes, os quatro músicos trajados de negro tinham abraçado os instrumentos e arrecadado uma dose de boas-vindas. Instrumentos afinados, sons harmonizados…. Mas,Continue a ler “Deolinda = trindade + divindade”
A capa do capítulo
Perto de uma qualquer cama de maternidade, ouvem-se comentários como “tem o nariz da mãe, mas os olhos são todos do pai”. Antes de nascerem os bebés, é comum fazerem-se estimativas, previsões. No entanto, ver o filho nos braços é sempre diferente do que na ecografia. No decorrer dos meses investidos na escrita deste novo capítulo,Continue a ler “A capa do capítulo”